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Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Verdades absolutas sobre basicamente tudo.
All great truths begin as blasphemies.
Nem mais. Porra. 

5 de outubro de 2004

A Revolta dos Brinquedos

Agora os putos brincam sozinhos, em casa, com uma televisão de ecrã plasma e uma consola toda aerodinâmica artilhada com o Shrek 2 ou qualquer coisa do género. Eu tive um Spectrum 128k que, basicamente, é uma porcaria de um teclado preto com uma leitor de cassetes de áudio agarrado. Os jogos, esses, vinham nas cassetes (daí o leitor) e demoravam uma eternidade a começar, sendo que este tempo de espera era melodicamente acompanhado pelo som mais irritante do mundo (mais ou menos parecido com aqueles sons que ouvimos quando sintonizamos o rádio em AM e não apanhamos rádios espanholas). Bem, o que interessa é que depressa os putos de então se fartavam do tempo de espera (ainda para mais esperava-se para jogar a merda do Bomber Jack ou, na melhor das hipóteses, o clássico Deathwish em que encarnávamos a figura do gajo mais fodido de todo o sempre, Sir Charles Bronson himself) e tinha que partir para as alternativas. E não é que as alternativas eram mesmo porreiras?

Por exemplo, havia os míticos carrinhos de brincar. Ponto prévio: a expressão “de brincar” vinha associada à esmagadora maioria dos divertimentos da altura. Nunca percebi bem porquê, talvez fosse um conselho dos psicólogos infantis de então. Aliás, nesta época, era costumeiro, por exemplo, “jogar à porrada”, ou seja, por muito inadequada que fosse a brincadeira, colava-se lá o “a brincar” e ficava tudo bem. Nós também éramos menos impressionáveis e não íamos automaticamente chacinar a nossa turma só porque tínhamos levado uma abada a jogar Spectrum.

Bem, seja como for, os carrinhos eram mesmo porreiros. E são estes pequenos veículos os culpados de eu conseguir identificar todas as marcas de carros dos anos 80 mas, em compensação, não saber o que raio é um “Megane dos novos”. Havia também os GI Joe’s, bonecos articulados com metralhadoras, bazucas, lobos, mísseis, bestas, granadas, facas, lanças, águias, pistolas, armadilhas para ursos, matracas, enfim, tudo menos armas de destruição massiva ou calhaus dos montes da Palestina. Coisa leve, portanto, e aceite por certos governos de certos países defensores da liberdade. Depois havia os Transformers que eram quase uma junção entre os dois últimos brinquedos. Tanto assumiam a figura de carro, avião, ou barco (lembro-me agora que tive um que se transformava em cassete de vídeo. Nada mais adequando para um puto de 8 anos que imaginar uma batalha épica entre um bombardeiro e uma letal cassete de vídeo), como de robôs erectos.

Ainda em contexto bélico (embora menos pós-apocalíptico), destaquem-se os tropas pequeninos (de brincar! de brincar!) e as estratégias militares que tínhamos que engrendar para liquidar o inimigo (leia-se, o nosso irmão ou vizinho do lado). Como vêem, a variedade de brinquedos era imensa. Pelo menos aqueles com traços mais masculinos porque, como bem se lembram, os brinquedos das meninas resumiam-se a Nenucos (bonecos adoráveis, que, ora faziam bolhas, ora defecavam e urinavam), Pequenos Póneis (uns cavalos com longas crinas cujo único divertimento (?) possível de extrair dali se resumia a pentear as ditas com escovas gigantes), Barbies (menos mal, tenho que admitir, até porque foi a primeira gaja que vi nua) e, enfim, bonecas, carrinhos para passear as bonecas, berços, biberões, vestidos, tachos e panelas.

Como se percebe, revelavam uma falta de dinamismo considerável para quem estava habituado a emocionantes batalhas ou corridas. Ocasionalmente, lá brincávamos aos pais e às mães, mas só porque a rapariga gira queria que nós brincássemos. Mas, basicamente, as brincadeiras de rapariga pressupunham sempre um assumir do papel de fada do lar. Logo era uma seca descomunal porque se tinha que fazer coisas que só os adultos faziam, como tomar conta de filhos, lavar coisas, cozinhar, etc. Ora, deve ser daqui que vem o facto de se tomar como dado adquirido (aparentemente com razão) que as raparigas amadurecem mais cedo. Pudera! Com brinquedos tão foleiros como aqueles não há alternativa senão enveredar pelos prazeres mundanos e dos slows das festas de sábado à tarde.

Já agora, se estão a achar que, nos brinquedos masculinos, deviam também ser referidos os piões ou qualquer outra coisa feita de madeira, é meu dever informá-los que já têm idade para ter juízo e provavelmente têm uma família para criar. Por isso, desliguem o PC e vão jogar Playstation 2 com o vosso filho antes que ele dê em maluco e pense que o “mau do jogo” existe mesmo e pode aparecer a qualquer momento.

Mas ainda não falei nos meus brinquedos preferidos. E toda esta divagação serve precisamente para deixar aqui a minha indignação e revolta pelo que lhes fizeram. Falarei neles no próximo post, mas preparem-se todos aqueles que, como eu, eram acérrimos adeptos dos brinquedos a sério. É coisa pesada. Já aqueles que, por exemplo, pediam “A minha agenda” no Natal, vão ficar tudo menos chocados. E queria deixar um último apontamento, exactamente em relação à “Minha Agenda”: tenho que dar a mão à palmatória e admitir que a estratégia de marketing foi muito bem conseguida. A merda da música ainda hoje não me saiu da cabeça.


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