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Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...

Verdades absolutas sobre basicamente tudo.
All great truths begin as blasphemies.
Nem mais. Porra. 

10 de maio de 2005

Músicas do Sempre (I)

Portugal é pródigo em dar visibilidade e credibilidade de mercado a bandas e intérpretes que não parecem ter fãs em mais lado nenhum do mundo, ou, quanto muito, a bandas e intérpretes cujo auge artístico já lá vai há tantas calendas que os verdadeiros admiradores já nem se lembram do próprio nome, de onde moram ou da última vez que mijaram depois de levantar o tampo da sanita. Ora bem, embora eu até seja dos primeiros a reconhecer que o Cliff Richard, cuja casa no Algarve o ajudou a gerar uma espécie de ligação fossilizada aos tops nacionais de vendas dos Best Of’s (todos iguais) que lança ciclicamente, até será o supra-sumo deste fenómeno de perpetuação de ídolos com períodos de verdadeiro sucesso contemporâneos da descoberta do fogo, acabam por ser os Scorpions, melhor banda germânica de sempre (*), a ocupar um lugar especial no meu coração. E muito por culpa de um hino memorável, ‘Wind of change’, cujo início, uma mescla entre o som de um vento misterioso e um assobio inesquecível, faziam arrepiar qualquer animal vertebrado. Mais que o vento, que até dava nome à cantiga, fascinava-me o longo, quase ininterrupto, melodicamente perfeito, assobio, o qual até hoje nunca fui capaz de reproduzir em condições porque as minhas capacidades nessa área são equivalentes às da Rita Ribeiro como actriz, cantora e, pronto, ser humano. Certo, certo, é que aquele assobio me parecia mais uma criação divina, um gesto cujos níveis de dificuldade o colocavam numa padrão tão elevado que, na altura, só o sapateado se parecia chegar perto em termos de exigência.

‘Wind of change’ é, juntamente com a ‘Voyage, voyage’ da Desireless (senhora que eu pensava que era a Brigitte Nielsen) e a ‘Final Countdown’ dos Europe, uma das músicas que mais vezes ouvi no ‘Deixem passar a música’, o equivalente de então do ‘Top +’ actual. Como todas as músicas calmas que existiam, também o hit dos Scorpions me parecia uma música romântica, até porque, vá-se lá saber, vinha sempre incluída nas colectâneas ‘Romantic Rock’, compilações periódicas cujo único critério de selecção musical parecia assentar na lamechice das canções, mesmo que estas viessem munidas de letras explícitas que nos diziam para bebermos sangue humano e/ou mutilarmos pequenos roedores com os nosso incisivos. Até nem é o caso de ‘Wind of change’, a qual, vim a descobrir recentemente, brotou da mente brilhante de um Klaus Meine inspirado por uns certos ‘ventos de mudança’ que já se faziam sentir aquando da participação da banda alemã num festival de música em Moscovo. E não é que estes boches roqueiros com dotes premonitórios tiveram uma sorte do caraças e, poucos meses depois, o ‘vento da mudança’, o mesmo que lhes tinha arrefecido as trombas uns meses antes na capital russa, atirou com o muro de Berlim para o chão? Dito e feito, a música tornou-se automaticamente no hino oficial da queda (menos para o David Hasselhoff) e os Scorpions venderam milhões de discos, tendo até gravado uma versão em russo da cançoneta. Escusado será dizer que os Scorpions sempre venderam muito bem em Portugal e, poderão até dizer alguns analistas socio-musicais, tal sucesso se deve sobretudo ao facto de os portugueses estarem sentimentalmente ligados a estas coisas das cantigas de intervenção e reconhecerem essas características nas baladas dos Scorpions, ergo, identificando-se com a banda e comprando discos em barda. Duvido. Venderam, e vendem bem, porque tem uma música com um assobio fixe.

(*) Se alguém conseguir usar este argumento sem se rir, é, desde já, merecedor da minha admiração.

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2 de maio de 2005

Grandes Líderes (I): Estaline



















José Estaline nasceu em Gori, na Geórgia, corriam exactamente 28 dias do mês de Dezembro do ano de 1879, curiosamente, o mesmo que viu berrar pela primeira vez outro bigode famoso, o de Albert Einstein. Filho de pai sapateiro e mãe lavadeira, Zé teve uma adolescência feliz, fazendo sucesso nos bailes dos seminários da Igreja Ortodoxa, muito por culpa da sua roupa sempre cheirosa e dos seus sapatos impecavelmente dispostos. José era então um gajo popular, o vulgo pintarolas, e, para completar a peça, não se coibia de enfrentar frequentemente as autoridades locais, recebendo inclusive o epíteto de Koba, nome de um outrora famoso conterrâneo que também só dava chatices à polícia.

Já imiscuído na vida de contestação ao regime czarista, Estaline fez parte da direcção do Pravda, famigerado jornal russo, do qual o resto do mundo – Carlos Fino e o José Milhazes não incluídos – só percebe os resultados do campeonato de futebol (embora também não valha de muito porque é impossível descodificar quais as equipas em causa). Já em 1917, e depois de o Czar Nicolau II ter sido amavelmente deposto a tiro, Estaline ocupou o lugar de Comissário para as Nacionalidades, comprovando que os cargos políticos e a noção do ridículo raramente andam de mãos dadas. Bem, José lá foi subindo na estrutura do partido e, quando Lenine deu por ela, já o possuído e irascível nativo de Gori era Secretário-geral. Tarde demais. Lenine bateu as botas em 1924 e, antes que o diabo esfregasse um olho, Koba era agora o dono do jogo.

Estaline era um visionário. Cedo percebeu que não ia longe com o seu nome de baptismo, Josef Vissarionovich Dzughashvili, até porque demorava mais de meia hora só para se apresentar às pessoas. Decidiu então, aos 34 anos, trocar a impronunciablidade dos seus apelidos originais pela fonética atraente que a expressão ‘Estaline’ (que quer dizer ‘Homem de Ferro’) trazia consigo. A verdade é que em quase 30 anos a gramar com aquele bigode, a URSS cresceu brutalmente, mas também convenhamos que a tarefa fica bastante facilitada quando não há oposição e, basicamente, se oferecem férias pagas na Sibéria a quem arrebita cachimbo. Não é, portanto, de espantar que, por esta altura, o número de execuções tenha ultrapassado em larga escala o número de filmes em que o Donald Sutherland entra. Koba até se deu ao luxo de mandar a sua polícia política perseguir o pobre Leão Trotsky, animado opositor do regime Estalinista, até no México, país onde o pobre diabo se havia exilado. Do mal, o menos, já que ainda o deixou comer a Frida Khalo que, embora não fosse a bomba atómica que é a Salma Hayek, acabou por não ser nada mau negócio para o banana do Trotsky.

Estaline viveu uma vida atribulada. Casou quatro vezes, e, por mais incrível que possa parecer, só a primeira patroa se suicidou. Oficialmente, ajudou a gerar três vidas, entre as quais uma filha que, aos 18 anos, resolveu casar com um estudante judeu, seu colega na Universidade de Moscovo. Ora bem, se andar a comer a filha do Estaline já não é sinal de muita inteligência, não há adjectivos que classifiquem a clarividência de um gajo que casa com a mesma à revelia do brutal ditador. A prenda de casamento do sogro assumiu, muito naturalmente, a forma de umas férias pagas para uma pessoa na Sibéria. Ao longo da sua vida, e quando não estava ocupado a ter ataques de raiva, Estaline ainda assinou um tratado de não-agressão com outro pacholas, o Hitler, mas teve azar porque o alemão não percebeu que o acordo incluía guerras e invasões. A muito custo, Koba lá conseguiu impedir que o Nacional-Socialismo se tornasse mandamento na URSS, tendo ainda, e no seguimento de serviços prestados à nação, sido condecorado com uma série de títulos, todos unanimemente reconhecidos como mais que justos, e, por pura coincidência, nenhum deles a título póstumo.

Com escandalosamente demasiado cabelo para quem já apresentava 73 primaveras no lombo, Estaline morre a 5 de Março de 1953, e, ao contrário do que muitos possam pensar, não após uma divergência de opiniões consigo próprio. Foi uma hemorragia, ironicamente, cerebral, órgão do sistema nervoso a que o ditador dava um uso reconhecidamente bastante moderado. Depois de morto, Estaline teve o que merecia, foi empalhado e ficou em exibição na Praça Vermelha, local para onde os russos ocorreram em massa só para se certificarem que era mesmo verdade e que Koba tinha ido pregar para freguesias mais cálidas. Finalmente, e após alguns anos de animado dueto com outro empalhado famoso (Lenine) no mausoléu de Moscovo, o corpo de José foi trasladado para a zona menos simpática de um cemitério onde estão os restos mortais de líderes menores da revolução de 1917.

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