<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557</id><updated>2011-07-26T06:56:07.440Z</updated><title type='text'>Olhe que não, shô Doutor! Olhe que não...</title><subtitle type='html'>Verdades absolutas sobre basicamente tudo.&lt;br&gt;
All great truths begin as blasphemies.&lt;br&gt;
Nem mais. Porra.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>136</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-5901352959570738197</id><published>2007-06-14T16:12:00.000Z</published><updated>2007-06-14T17:22:13.761Z</updated><title type='text'>Factos da vida #16</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://fotos.sapo.pt/olhequenao/pic/00005t0b/" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://fotos.sapo.pt/olhequenao/pic/00005t0b/s320x240" style="border-color: black;" alt="" border="0" height="240" width="176" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Tirando cerca de quinhentas e trinta e duas actividades envolvendo seios em actividade parideira e com assinalável nível de copa, poucas coisas são visualmente tão estimulantes como dois anões a jogar ping-pong.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-5901352959570738197?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/5901352959570738197/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=5901352959570738197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5901352959570738197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5901352959570738197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/06/factos-da-vida-16.html' title='Factos da vida #16'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-1170350713651276676</id><published>2007-06-06T12:12:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.120Z</updated><title type='text'>Não sei se se nota, mas talvez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmakwPH5f7I/AAAAAAAAAEY/qCos4gY3bn0/s1600-h/08080800.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmakwPH5f7I/AAAAAAAAAEY/qCos4gY3bn0/s320/08080800.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072923178879778738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu caso, e ao longo desse Ney Matogrosso que é o quotidiano, tem-se vindo a desenrolar, e até a consolidar de forma que nenhuma adjectivação define ainda como desejo, uma relação amor/ódio com os electrodomésticos. Embora sem a parte do amor. Como em quase tudo na vida, de resto. Ou tudo, que a sinceridade ainda é uma qualidade, que, por sua vez, e apenas e só em relação a mim, será sempre sinónimo de característica. Nada tenho, tenha-se isto bem presente, contra o progresso, pelo menos enquanto conceito e substantivo. Como nome próprio, a conversa já piará mais fininho. Acho que é feio. Mas diz que até é um sucesso &lt;st1:personname productid="em tr￪s PALOP. Cenas" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em tr￪s PALOP." st="on"&gt;em três PALOP.&lt;/st1:personname&gt; Cenas&lt;/st1:personname&gt; lá deles, suponho. Contra o progresso, nada ou muito pouco. Até sou comunista, mas isso é só porque não sou rico. Quando for, abastado, é mais que óbvio e garantido que passarei a ser um daqueles gajos que acha que quem quer subsídios não passa dum calaceiro, que há para aí muito emprego e essa malta não quer é trabalhar, os embusteiros duma figa. Um dos problemas mais recorrentes, envolvendo a minha faceta de caseira e os aparelhos eléctricos de aproveitamento doméstico, tem o microondas como personagem principal. Principal se, num exercício absurdo, se conseguir considerar que eu não sou o protagonista, a luz e o sol de todas as dinâmicas em que meto o bedelho. Na minha vida actual, e por razões diversas que podia resumir numa única mas não quero, sou forçado a recorrer a três microondas. E é chato. É chato porque as marcas de microondas, e os três são de raças distintas, não parecem ter chegado a um consenso relativamente à correspondência, absolutamente vital em aparelhos desta índole, entre tempo de aquecimento e potência do aquecimento. Se, num dos microondas, um par de minutos é o tempo ideal para requentar algo que pernoitou no frigorífico, noutro já é período para que se registem aquelas pequenas explosões, as que deixam nódoas de molho nos cantos do aparelho. E, se for preciso, no outro, já só chega para aquele aquecimento de deixar umas partes a ferver e outras congeladas. Deviam ter criado um código de conduta para isto, era o que era. Mas as marcas de microondas devem achar que uma pessoa não tem mais nada para fazer que andar a decorar qual dos três microondas é que funciona na base dos dois minutos para deixar a comida mesmo aquecidinha e &lt;st1:personname productid="em condi￧￵es. A" st="on"&gt;em condições. A&lt;/st1:personname&gt; verdade é que esta má relação não é d’agora e os electrodomésticos já me arreliam vai para muitas calendas. Lembro-me de, em pequeno, ter apanhado nas fuças duas vez. Por causa deles. Uma vez foi porque, aparentemente, não devia ter convencido a minha prima a tentar fazer uma permanente com a batedeira. Houve pranto durante dias, a minha prima teve que cortar o cabelo e toda a gente lá na escola pensou que era porque tinha piolhos. Ficou sem amigos e agora está numa instituição, todo o dia de pijama a afastar mosquitos que não existem. A minha tia ainda hoje me responsabiliza por isso, mas não fui eu que lhe peguei piolhos. Eu lembro-me que ela meteu uma vez um chapéu da Dan Cake na cabeça que já estava num cabide lá da escola há uns dois anos. Se calhar foi daí. Mas é mais fácil culpar-me a mim, que não passava dum miúdo. Uma criança. Foi a primeira vez que a minha tia disse à minha mãe para me meter num psicólogo. Mas ela na altura ainda dizia “psicolo”. Fui eu que a corrigi e tudo. A partir daí começou a dizer bem, mas na altura ainda me olhou de lado, a parva. A outra, foi quando houve um acidente com o canário. E, por acidente, entenda-se “alguma vez secar o canário no forno vai fazer mal?”. Parece que faz. Sobretudo quando se vai ver um bocadinho de televisão enquanto o pássaro seca e, quando se dá por ela, passaram uns minutos que, todos somados, ainda dão umas horas. O complô da batedeira, do forno e do televisor resultara. Apanhei dessas duas vezes. Ou ralharam-me e eu ameacei logo os meus pais que ia dizer à polícia que me tinham batido com um martelo e que se fosse preciso até arranjava marcas feitas com um carimbo e eles iam presos que se lixavam. E o frigorífico é outro idiota que para aí anda. Por várias razões, sendo uma delas muito simples. Estimo francamente a manteiga com uma textura consistente e fácil de barrar. Mas isso não existe. Se está fria e consistente, é uma cópula barrar aquilo no pão. Se é fácil de barrar no pão, está mole e, em termos de paladar, a anos-luz da outra hipótese. Será que custava muito pensarem num frigorífico que deixasse a manteiga fria e fácil de barrar na mesma? Pelos vistos, sim. Parece que é melhor andar a investir em mariquices como ir à lua e ver se há torneiras ou baratas &lt;st1:personname productid="em Marte. E" st="on"&gt;em Marte. E&lt;/st1:personname&gt; não se deixem empandeirar por avisos como “Agora fácil de barrar!!!”, que isso é só cantiga e não funciona com manteiga gélida. Também gostava de saber que mal fiz eu a Deus para a luz do frigorífico se fundir sempre comigo. Se há perguntas que enervam, uma delas é com certeza a “mas como é que fundiste a lampadazinha do frigorífico?”. Abri a porta. Foi isso que eu fiz. Todas as lâmpadas se fundem comigo. Se fundir lâmpadas fosse um super poder, eu andava agora aí de capa, a dar caldos em maus megalómanos que usam pala no olho. Ainda aqui há coisa de entretanto, a lâmpada do quarto fundiu-se quando tentei ligar a luz. O costume. Por norma, vou aos outros quartos e troco a lâmpada. Nada feito, que, depois de anos a usar este truque, parece que já tudo se foi fundindo. Até comprava uma lâmpada, mas devo trocar de pousio daqui a uns meses e não vale a pena estar a investir neste. Não sou parvo. Não tendo luz no quarto, tenho é que ter sempre o televisor ligado, para ser brindado com alguma luminosidade. Acabei por ver um anúncio, sei lá de quê, que, tal como os electrodomésticos, também remetia para cozinhas e divisões dessas. Apresentava como um facto científico o seguinte: a bancada da sua cozinha tem cinquenta vezes mais bactérias que o tampo da sua sanita. Singelo, não haja dúvidas. Eu fico muito agradecido a este anúncio. É sempre bom poder apresentar factos que calem aquelas pessoas que nos chamam nomes feios só porque nos apanham a picar cebola no tampo da sanita. Pelos vistos, porcas são elas. Cinquenta vezes mais. Toma, embrulha. Porcas. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-1170350713651276676?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/1170350713651276676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=1170350713651276676&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1170350713651276676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1170350713651276676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/06/no-sei-se-se-nota-mas-talvez.html' title='Não sei se se nota, mas talvez'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmakwPH5f7I/AAAAAAAAAEY/qCos4gY3bn0/s72-c/08080800.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-1751928201541613908</id><published>2007-06-01T14:47:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.222Z</updated><title type='text'>Porque há braille</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmAyRRtk2VI/AAAAAAAAAEQ/9ILybAQX4Ho/s1600-h/898989889.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmAyRRtk2VI/AAAAAAAAAEQ/9ILybAQX4Ho/s320/898989889.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071108452812904786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A mim não m’enganas tu. Consigo ler a tua cara como um livro”, disse o cego ao leproso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-1751928201541613908?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/1751928201541613908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=1751928201541613908&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1751928201541613908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1751928201541613908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/06/porque-h-braille.html' title='Porque há braille'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RmAyRRtk2VI/AAAAAAAAAEQ/9ILybAQX4Ho/s72-c/898989889.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-6656527312590261146</id><published>2007-05-25T18:33:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.396Z</updated><title type='text'>Essencialmente, mais ou menos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rlcsyxtk2UI/AAAAAAAAAEI/e1QJrygR0RI/s1600-h/8080888.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rlcsyxtk2UI/AAAAAAAAAEI/e1QJrygR0RI/s320/8080888.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5068569156478359874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já calhou, em conferências de Ialta e assim, questionarem-me relativamente às problemáticas mais intrigantes que se possa imaginar. Vantagens de se possuir uma resposta derradeira para tudo o que existe e poderá vir a existir em todo e qualquer contexto real, especulativo e até onírico. Mas a esmagadora maioria das vezes, as perguntas com que me confrontam assomem-se, na sua génese e no que mais houver, como bastante estúpidas. Certa ocasião, determinado indivíduo, que, por acaso e poucos minutos antes, captei no bar da infra-estrutura a inquirir o funcionário sobre a possível existência de uma sande de queijo fresco no estabelecimento, questionou-me acerca daquela que eu consideraria ser a teoria da conspiração com mais fundo de verdade de todas as teorias da conspiração, com fundo de verdade ou não. A verdade é que embirro logo com pessoas que dizem sande. Dizer sande, por si só, já releva alto índice de idiotice no emissor, mas, enfim, se for para pedir uma de torresmos ou amêijoas, aquilo, de certa forma, até se dilui e acaba por passar despercebido. Quando é de queijo fresco, e até acho que ele disse queijinho, embora, admito, isto já possa ser o meu asco à criatura, e às pessoas em geral, a reconstruir memórias, memórias essas que passarei daqui a nada em diante a processar como factos inabaláveis; mas, dizia eu, quando é de queijo fresco, tenham lá santa paciência e espero que apanhem brucelose, e da grande, daquela que abre noticiários e tudo. Relembro que, em ocasiões anteriores, e neste mesmo espaço ímpar de não sei quê, deixei já expressa a minha crença numa entidade divina, chamemos-lhe Deus, que, digamos, não tem lá assim tanta pachorra como querem fazer crer as missas e isso. Ora, portanto, a brucelose é, se alguma coisa, mais uma manifestação da pouca longanimidade que Deus tem para com quem o enerva a sério. A brucelose é o castigo de Deus para quem pede uma sande de queijinho fresco em algum lado. E, se Deus me permite a ousadia, é correctivo que só peca por escasso. Mas, e regressando triunfantemente à questão com que o indivíduo da sande de queijo fresco me confrontou, a resposta só poderia, como é meu apanágio, ser una e irrefutável. Há uma cadeia de supermercados, chamemos-lhe Pingo Doce, que insiste em ter sacos de plástico impossíveis de abrir. E cobram-me dois cêntimos por cada um, valor que só me predisponho a pagar porque não quero ser uma daquelas velhas que traz os sacos de plástico de casa e depois sai do Pingo Doce com um saco da H&amp;amp;M cheio de comida para gato e enlatados de gramíneas. Impossíveis será exagero, mas, vá lá, impossíveis de abrir em tempo são. E eu sei porque é que o Pingo Doce insiste em ter sacos de plástico que custam muito a abrir. Pela mesma razão que há empregadas de caixa que usam decotes. Para me lixarem nos trocos. A mim e aos outros pobres coitados que não conseguem abrir sacos e que ficam à mercê do magnetismo que só um decote consegue difundir neste mundo. Se estou a tentar abrir a bodega do saco, é claro, óbvio, evidente, axiomático e outros sinónimos disto, que não posso estar atento aos trocos e, invariavelmente, sou gatunado em somas que, não raras vezes, ultrapassam mesmo a vintena de cêntimos. Já consegui abrir um ou outro saco em tempo útil, ou seja, de forma a conseguir arrumar as compras dentro do dito e receber o meu troco com todos os sentidos em alerta máximo, mas, quando isso acontece, está lá sempre um sacana dum decote. E um decote, pá, é sempre o centro das atenções, mesmo que a dona do brinquedo tenha um bigode. A verdade é essa. Lembro-me que, depois de ver o Frida no cinema, alguém me ter dito que era pena a Salmita Hayek ter envergado uma execrável monosobrancelha durante o filme inteiro. Não reparei. Também não reparei que entravam outras personagens que não o decote da Frida Kahlo. Um homem até pode ter acabado de ter sido pai e estar, pela primeira vez, a pegar no seu filho ao colo, que, se a enfermeira tiver um decote, não há nada a fazer e não vai ligar nenhuma ao puto. Se não o deixar cair de cabeça já é uma sorte. Não nos peçam nada acima disso. Por conseguinte, sim, é esta a teoria da conspiração com maior fundo verídico. Não é por acaso que os sacos são lixados de abrir e não é por acaso que as mulheres usam decotes. Sabe-se lá o que raio está a acontecer à nossa volta quando está um decote na área. Alguma coisa é, mas nunca saberemos. Questionaram-se acerca de muitas outras coisas e cenas. Deixo mais duas, que entretanto também se faz tarde para ir comprar um corta-unhas e depois mete-se o fim-de-semana e é chato. Um gajo de óculos quis saber a minha posição face às invasões muçulmanas na Península Ibérica e as repercussões de tal acontecimento na nossa portugalidade actual ou recente. Simples. Só temos a agradecer aos árabes, sarracenos, muçulmanos ou, em linguagem corrente e técnica, monhés, que por cá andaram. A herança monhé no nosso país assume um papel substancialíssimo e que não devemos esquecer. Deixaram-nos uma herança única em termos de tudo: as palavras que se iniciam por “al”. Isto não tem preço. Se não fossem os árabes, não teríamos, por exemplo e entre muitas outras coisas, alpista. Que comeriam os nossos canários? Nada. Morriam à fome. Não havia canários, pronto. Se ainda hoje temos canários, devemo-lo única e exclusivamente aos árabes. E que Portugal teríamos hoje se nunca tivéssemos tomado contacto com pilhas alcalinas? Um Portugal, com certeza, muito diferente, limitado a todas as outras pilhas que não são alcalinas. E um Portugal sem almoços, por Deus? Impensável. E devemos tudo isso aos árabes. Uma outra senhora, claramente sofredora de distúrbio afectivo sazonal, quis saber qual a melhor forma de aumentarmos a nossa auto-estima naqueles momentos mais críticos. Não sei o que raio a senhora quis dizer com “momentos mais críticos”, mas a resposta não deixa por isso de ser elementar. Pegue em duas crianças com idades não superiores a oitenta e quatro meses e veja a Rua Sésamo com elas. Eventualmente, como sempre acontece, vai chegar aquela parte do “o que é que não pertence aqui?”, uma rubrica em que alguém nos mostra quatro objectos, sendo que um não tem grande relação com os outros três e deve ser identificado histericamente. Projecte-se a seguinte conjectura: mostram-nos um bolo, um martelo e um prato de sopa. O que se pretende é que, uma vez exposta a terceira hipótese, e antes que lhe mostrem um bife, você grite logo “O martelo! É o martelo que não pertence aqui!”. É só repetir esta dinâmica sempre que possa e o seu ego fica nos píncaros. Não se preocupe se as crianças chorarem. É isso que elas fazem no dia-a-dia e o mau perder dos outros não o deve impedir de festejar as vitórias com manguitos e as mais diversas provocações que incluam simulacros ou referência sexuais na cara dos derrotados.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-6656527312590261146?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/6656527312590261146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=6656527312590261146&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6656527312590261146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6656527312590261146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/05/essencialmente-mais-ou-menos.html' title='Essencialmente, mais ou menos'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rlcsyxtk2UI/AAAAAAAAAEI/e1QJrygR0RI/s72-c/8080888.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-1748076961878528874</id><published>2007-05-18T01:29:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.565Z</updated><title type='text'>Factos da vida #15</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rk0CXxtk2TI/AAAAAAAAAEA/jNdv-gfGtBw/s1600-h/80808080.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rk0CXxtk2TI/AAAAAAAAAEA/jNdv-gfGtBw/s320/80808080.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065707763366418738" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então, quando é que és tu?” é mesmo só para casamentos; que em funerais, e ainda que se assuma um ar taciturno, as pessoas ficam todas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-1748076961878528874?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/1748076961878528874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=1748076961878528874&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1748076961878528874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1748076961878528874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/05/factos-da-vida-15.html' title='Factos da vida #15'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rk0CXxtk2TI/AAAAAAAAAEA/jNdv-gfGtBw/s72-c/80808080.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-6193320860137540268</id><published>2007-05-10T14:20:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.694Z</updated><title type='text'>Inveja</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RkMrMJQW2fI/AAAAAAAAAD4/bVgqbrNpB6g/s1600-h/0808080.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RkMrMJQW2fI/AAAAAAAAAD4/bVgqbrNpB6g/s320/0808080.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062937893737519602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisto da inveja há sempre dois grupos facilmente distinguíveis. A saber, os promotores directos do fenómeno, isto é, a canalha de sequiosos por tudo aquilo que é de outrem e o camandro alado, e aqueles que, de forma indirecta, se vêem também eles envolvidos neste pecado capital, o mesmo é dizer, os que desfrutam das causas da inveja. Segundo a minha infalível opinião – facto curioso: em reuniões e coisas mais formais como conversas com crianças recorro a “parecer”, mantendo a adjectivação “infalível” –, e também segundo os últimos censos, eu enquadro-me no segundo grupo. Curiosamente, sozinho, com o Liedson, o Polga e o João Moutinho. Porém, e porque a perfeição, essa vaca, exige sempre um pouco de humildade, posso afiançar que, também eu, carrego comigo algum sentimento de inveja. Não para com qualquer característica, isso, sendo eu quem sou, seria ridículo, mas para com minudências bastante específicas. Vou, porque vocês são umas antas e não conseguem adivinhar as cenas à balda e ao calha, apontar aqui algumas. Eu sou indivíduo para considerar extremamente um pão com chouriço. Não é chourição, paio, salpicão, linguiças, nem conarias dessas. É chouriço. Vai daí que, diversas vezes durante a madrugada, eu decida preparar um pão com tão requintada vianda. Corto em rodelas e armazeno o resultado do acto no pão, com uma harmonia tão perfeita que o miolo panificado fica completamente coberto. Depois, e porque como sempre na sala ou nos quartos, sítios onde o facto de haver migalhas é sempre sobrevalorizado sob a forma de gritaria e histeria feminina que eu simiamente ignoro, há uma fase de transporte do pão com chouriço. Nessa travessia, cai-me quase sempre pelo menos uma rodela de chouriço. Nunca a encontro. Mesmo quando a sinto cair. Eu às vezes sei que ela caiu do pão, desceu a minha perna e eu, com o movimento locomotor, acabei por pontapeá-la sabe-se lá para onde. É-me igual, que nunca encontro a galdéria da rodela que caiu. Nunca. E, muitas vezes, até procuro como deve ser. Baixo-me e tudo. Afasto-me um bocadinho e desfoco o olhar, que, conselho grátis, é a melhor forma de encontrar unhas em azulejaria e clips em chãos de tom cinza. Peva de peva, não encontro. Mas, e é isto que invejo, basta chegar alguém a casa para a primeira coisa que vêem ser a rodela de chouriço que me caiu. E nem tem que ser a última rodela. Pode ter sido uma das dez últimas. Assim com’assim, nunca encontrei nenhuma. As visitas é qu’encontram. Encontram, e não conseguem deixar de ficar com aquele ar “pá, este gajo tem rodelas de chouriço no chão da sala, se calhar é melhor nem respirar pela boca enquanto aqui estiver”. A minha mãe é incrível neste campo &lt;st1:personname productid="em concreto. Ainda" st="on"&gt;em concreto. Ainda&lt;/st1:personname&gt; nem entrou em casa, abriu apenas a porta, e já topou que está uma rodela de chouriço no chão da sala. Isto, pá, admito, gostava de ter. Invejo esta capacidade. Já me disseram que é mesmo assim, que não há nada a fazer, e que até há um provérbio chinês que lembra que nunca conseguimos encontrar a nossa própria rodela de chouriço no chão da sala, mas recuso-me a acreditar nisso. De forma idêntica, admito ter que gerir um pouco de inveja para com as pessoas que conseguem fazer conversa de circunstância com as velhas que vão comprar verduras à mercearia onde eu vou comprar salsa. E pensar que, quando eu era mai’ gaiato, não se comprava salsa. Era isso e louro. Havia sempre ao pé de casa, num quintal não sei de quem, ou, como a minha consciência definia a coisa, um baldio que não era de ninguém e de todos &lt;st1:personname productid="em concomitância. Mas" st="on"&gt;em concomitância. Mas&lt;/st1:personname&gt; eles acabaram com isso. Eles, os do capital, tinham que nos roubar a salsa e o louro gratuito. Não descansam enquanto não privatizarem tudo, esses ordinários. Ainda há dias, comprovando a minha inaptidão para a conversa circunstancial em ambientes como o acima descrito, e para deixar o aflitivo silêncio que se criou entre mim e a D. São dos Emílios depois do “Olá, está boazinha?” que já tanto me custa, só me saiu um “Então diz que o Carlos, o mai’ novo ali da coisa, morreu?”. Seguiu-se uma pausa, de não mais que um par de segundos, até que eu me corrigi com um “Aliás, casou-se”. “Casou-se”. “O mai’ novo da coisa…”. Nada. Ficou tudo ali, a olhar, como se nunca tivessem trocado os verbos casar com morrer. Escusado será dizer que a coisa estava lá. E sentiu-se mal e o raio. Enfim. A verdade é que, fosse eu mais habilitado ao nível da conversa de circunstância, e nada disto teria acontecido. E invejo aqueles homens que, pelo menos de forma aparente, ficam genuinamente convencidos com explicações que gravitem à volta da eterna questão “sim, claro que é preciso lavar os dois lados dos pratos”. Não consigo. Há algo no meu código genético – pensava eu que em todo o código masculino, mas já vi indivíduos lavar os dois lados e acreditarem que é mesmo indispensável – que m’impede de processar qualquer razão apresentada como válida. Já me disseram de tudo. Já me sentaram e explicaram tudo e mais alguma coisa. Tudo o que alguma vez se tenha sequer conjecturado como razão para se lavarem os dois lados do prato. Mas não consigo. Tenho, porém, a hombridade de admitir isto. E a abnegação para exigir a quem acredita que é para lavar os dois lados do prato para me lavarem a parte onde eu não toco por convicção. Sim, invejo quem o consegue fazer, mas não desvalorizem os meus credos. Nas festas de anos, invejo as pessoas que conseguem não parar na primeira mesa de doces e bolos e encher a mula de pudim. Eu faço sempre isto. Perante doçaria, não consigo gerir as emoções. Uma vez, comi alguns doze molotov em quinze minutos na primeira mesa e depois fiquei embuchado o resto da festa. O pior vem sempre depois. Quando, nos dias seguintes, estou em casa, a comer uma sopa cheia de talos, a lembrança do que podia ter comido na festa assombra-me agonicamente. Estou aqui rodeado de talos, a pensar no que podia ter comido e não comi porque enchi logo o bandulho com a primeira coisa em que deixei cair os olhos. Nunca me indignei com um filme e saí da sala de cinema. Quem o faz, causa-me sempre alguma inveja. Mas nunca consegui. Até já treinei, em casa, a minha postura de “eh pá, isto é um ultraje, vou-me embora todo ferido na minha sensibilidade e a barafustar”. Mas, quando no cinema, nunca tenho coragem. E motivos nunca me faltaram, que eu já vi as piores coisas do mundo numa sala de cinema. Já vi um plano estático dum arbusto durante quinze minutos, cuja única acção tinha sido surgido nos primeiros cinco segundos, com um gajo igual ao gajo da banda que cantava aquela que era "yeahh, yeahh, yeahh, yeaaaahhh, yeah" a saltar por cima dessa mesma planta lenhosa. Nem é preciso ir muito mais longe. Ainda na semana passada, numa coisa de nome “Shortbus”, vi um senhor num acrobático acto de autografiticação oral. E, não sendo um puritano em termos cinematográficos, acho que isto é o tipo de coisa com o seu nível de interesse mas quando perpetuado algures na via pública. Não sei porquê, mas há qualquer coisa num “Eia, caramba, ‘bora ali ver um gajo que se está a mamar a ele próprio no meio da Praça da Figueira” que um “Eia, caramba, ‘bora ali ver um filme que tem um gajo que se mama a ele próprio” nunca terá. Tirando os 4 euros e tal de diferença, a segunda hipótese já implica uma aura de mariquice que a primeira consegue afastar por completo com o seu alto nível de curiosidade mórbida. Também, verdade seja dita, se não saí da sala com aquilo, também não saio com mais nada. Não é por isso que deixo de invejar quem o faz. Ainda por cima, assim, não saindo, mostro que sou preguiçoso, avarento e invejoso. Três pecados num só. Três em um, como os champôs, quando conseguirem lá meterem mais alguma coisa além do amaciador. Anseiam por mais uma inveja? Pode ser então. Sempre invejei os meus colegas na primária que conseguiam fazer muito bem aquilo de colar um espinho com cuspo na palma da mão para depois se ir cumprimentar os gordos e os gajos de óculos lá da escola. Nunca fiz isso muito bem. Havia lá gajos que pareciam doutorados naquilo. Nem cuspo a mais, nem cuspo a menos, e o espinho firme, em rigor mortis, pronto a espetar a palma da mão dos gordos e gajos de óculos que pensavam que aquele passou-bem era o primeiro passo da sua inclusão no rol das pessoas normais. Agora até já consigo fazer isto do pico com cuspo na palma da mão mais ou menos, mas parece que já passou de moda. Ou isso, ou há para aí muito homem feito a trabalhar em bancos e dar aulas em universidades com muito pouco sentido de humor. Vá, já chega, a sério. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-6193320860137540268?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/6193320860137540268/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=6193320860137540268&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6193320860137540268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6193320860137540268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/05/inveja.html' title='Inveja'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RkMrMJQW2fI/AAAAAAAAAD4/bVgqbrNpB6g/s72-c/0808080.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-5168525309416311599</id><published>2007-05-03T10:50:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:24.873Z</updated><title type='text'>Orgulho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjnA55QW2eI/AAAAAAAAADw/laCpYw4c-VM/s1600-h/898989898.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjnA55QW2eI/AAAAAAAAADw/laCpYw4c-VM/s320/898989898.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060287757181966818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão fatal com’ó destino. Ou como um murro com força na maçã-de-adão. Que, tempos houve, era assim a cena mais mortífera no nosso país. Isso, os murros com força no coração ou os murros no nariz com pujança tal que a cana ainda ia furar o cérebro. Isto, este dado axiomático, assimilei eu no recreio. Que realidades da vida, realidades sérias, das ruas e das vivências, o INE nunca ensinou a ninguém. Toda a gente, sempre, às vezes, quando lá calha, tem dias ou raramente, acaba por ter orgulho. E este pecado, disse-me um padre, é especialmente fodido. Ele recorreu a um outro vocábulo com muito menos força argumentativa, “tramado”, mas o essencial do que me proferiu estrutura-se ao longo do facto de o orgulho ser o pecado que deu origem aos outros seis, sendo até, segundo o mesmo padre, o mais sério dos sete. Calma lá, não se espume já feito convulso, que ter orgulho até é saudável. Só é pérfido quando se refere a coisas sem jeiteira nenhuma. O padre, ainda que com frases com terminavam todas em “tendes que não sei quê…ade, meu filho”, lá concordou. Eu disse-lhe logo que tinha extremo orgulho em muitas das minhas ideias e acções. Disse que eram algumas, para ele pensar que sou humilde. Mas sim, claro que tenho em todas. Disse algumas e apontei-lhe também algumas. Lá está, coerência. E, ora, a primeira é, sem tirar nem pôr, a solução versus secularismo galopante e matula de ateus. Tipo, comecei assim logo assim com um tema assim mais assim da área assim do padre e assim. Sim, porque eu sei cativar as pessoas. E disse-lhe que, doutor padre, isso do homem invisível que mora numa nuvem a ralhar por meio de trovoadas é chão que já deu uvas. A melhor maneira de castigar esses ateus devassados é obrigá-los a trabalhar na sexta-feira santa. Se eles não acreditam, que vão trabalhar. Folguem quando o vosso deus que, chamo a atenção para este facto, não existe, for pregado a uma cruz. Até lá, ala para a labuta, descrentes e intelectuais demasiado armados ao pingarelho para se fazerem de parvinhos tementes só para sacar feriados em barda. E deixem-nos, à malta que acredita com um dinamismo pio, no refestelo. O mínimo que se exige é congruência entre credos e actos, que o Nietzsche disse o que disse mas na sexta-feira santa lá estava ele, ao balcão dos correios de Weimar, a vergar a mola. Agora, se querem aproveitar um fim-de-semana de três dias, e porque a igreja é a malta do perdão, meus amigos, têm que acreditar. De outra maneira, não passam duns cínicos. É que até vieram as lágrimas aos olhos do padre, palavra de honra. É natural que o homem se tenha emocionado. Não é todos os dias que um dos passos decisivos na salvação do cristianismo lhe comparece à frente. Deixei que o padre se recompusesse e apresentei-lhe mais motivos de orgulho maior e, nesse sentido, dignos do céu. Ou, se na altura houver vagas, até do lugar de Deus ou vice-Deus para as modalidades. Como toda a gente, também eu vi “A guerra do fogo” numa aula de História. E depois tivemos uma ou outra aula sobre o que havíamos lobrigado via vídeo VHS marca Funai. Tinha duas cabeças. Dizia na caixa, que não percebo assim muito de vídeos. Perdemos logo uma ou duas aulas com a discussão que incidia sobre a eterna contenda relativa ao facto de a pessoa que leva uma à canzana quando está a beber água à beira do riacho ser menino ou menina. Não dava bem para ver e a turma estava dividida. Podiam ter metido uns vestidos em quem estivesse a fazer de menina, mas já se sabe que esta canalha dos filmes às vezes gosta muito de confundir a audiência. Havia, lá na aula de dúvidas relacionadas com a película cinematográfica, quem defendesse que isso das mariquices tinha sido inventado muito séculos depois, na Brandoa, numa noite em que o canal 1 estava a apanhar muito mal e, pá, lá calhou. Parece que não, que já existe há muito tempo. Na altura, aquando dessa aula de História, gostava de já ter tido a possibilidade de citar a Carla Caldeira, doutora com um curso e tudo que, há não mais de um aninho, disse num programa televisivo de converseta que “a homossexualidade é muito antiga, já vem do tempo dos romanos e tudo”. Tivesse eu recorrido a uma citação de elevado calibre, a exemplo de todas as que culminam com um “e tudo”, e tinha logo cingido o debate da canzana à beira do riacho enquanto se bebia água a apenas uma única aula. Ainda assim, lá acabei por ter uma intervenção que, ainda hoje, me atulha de orgulho. O professor, só porque lia livros e sabia datas, pensava que nunca seria surpreendido e, todo pimpão, dizia que o fogo era muito importante também porque assustava todos os animais perigosos. E disse mais. É a única coisa que todos os animais temiam. Desconfiei e fiz-me ouvir. Não é, não. Então? Disse ele, com um sorriso paternalista. À espera duma barbaridade. Bem o lixei. Então e o aspirador? Pumbas, pá, aquilo só visto. Não há animal que não tenha medo dum aspirador, ó “professor”. Fiz o gesto das aspas e tudo. Ele, já em desespero de causa, bem tentou dizer que isso era uma parvoíce, Pedro, onde é que existiam aspiradores na pré-história?, mas a mim não me lixou ele com estas lógicas manipuladoras. O próprio padre, enquanto eu lhe contava isto, até me disse que sim, que o gato dele costuma estar próximo da fogueira, mas que do aspirador ligado nunca se chega sequer perto. Com aspiradores, nem rinocerontes, doutor padre, concluí eu. Lixado é arranjar uma tomada no Congo, mas um daqueles pequenos, de cozinha, que é só mesmo para apanhar migalhas, deve fazer o jeito. E o outro a teimar que era o fogo, e só o fogo. Identicamente, orgulha-me a minha postura perante os telefonemas que são engano. Eu digo sempre que sim, que é de casa da pessoa que procuram. Digo logo “sim, é o próprio”. Sempre achei que era aborrecido ouvir “não, olhe que deve ser engano”. Comigo não, que eu continuo sempre a conversa, mesmo que não seja para mim. Assumo o lugar da pessoa que procuram. Sou solícito. E orgulho-me veramente de tamanha qualidade. Por falar nisso, um tal de Horácio de Almada que é casado com uma tal de Regina, se estiveres a ler isto, o Geraldes está no hospital. Um taipal qualquer com paletes ou isso caiu e parece que o gajo está mal, olha. Era de bom-tom passares por lá para dizeres um olá e desejar as melhoras. Espero que não t’apoquente o tratamento por tu, mas parece que até temos um número telefónico comparável. E, parecendo que não, é coincidência para até granjear alguma proximidade no trato. Não obstante, comuniquei eu ao padre, o meu orgulho manifesta-se de muitas outras formas e um ou outro feitio. Se não consigo abrir o frasco do doce de morango, e, porra, que há deles que parece que estão colados, vou antes comer pão com manteiga. Não me vou rebaixar e pedir a alguém para m’abrir um frasco. Sou demasiado orgulhoso. Como quando andei quase dez anos a chagar a cabeça à minha prima, a insistir que era ela que tinha ficado com o meu porta-chaves daqueles que era um homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo. Todos os dias lhe dizia isto. Todos. Se ela abria a boca para dizer alguma coisa, e nem precisava de ser para mim, eu confrontava-a sempre uma coisa do género “pois, já me davas é o porta-chaves que me fanaste, aquele do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo”. Um dia, lá encontrei o malvado do porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo, dentro duma minha mochila que não usava há muito tempo. O que eu fiz, obviamente, foi pegar no porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo e metê-lo na bolsa dela. Tem que ser assim. E não é só uma questão de ter demasiado orgulho para admitir o erro. Se a chaguei anos a fio com isto, ia agora mostrar que todo aquele frete permanente, e às vezes com telefonemas às tantas da manhã perdido de bêbado, tinha sido em vão? Isso é que seria pecado. Assim, quando viu o porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo, quando percebeu que foi ela que teve o porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo durante todos estes anos, aí a minha prima soube que todo aquele sofrimento não tinha sido debalde. Eu devia era, para contar isto, ter arranjado um outro nome para o porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo, que porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo ainda é comprido e eu canso-me muito depressa. Agora que se lixe, que isto está quase a acabar e já nem vou falar mais no porta-chaves do homem num barril que mostrava a pila quando lhe empurrávamos a cabeça para baixo. O que não fez grande sentido foi o comentário do padre depois de lhe relatar tudo isto. Pareceu-me, e digo pareceu-me porque eu me derivo muito quando são os outros a falar, que ele disse qualquer coisa como “meu filho, não se deve confundir orgulho com arrogância”. Claro, já sabia disso. E há para aí muita gentalha que faz isso, confunde orgulho com arrogância. Curiosamente, são as mesmas que confundem arrogância com o simples facto de eu ser melhor que elas em tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-5168525309416311599?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/5168525309416311599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=5168525309416311599&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5168525309416311599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5168525309416311599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/05/orgulho.html' title='Orgulho'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjnA55QW2eI/AAAAAAAAADw/laCpYw4c-VM/s72-c/898989898.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-4401997152045856417</id><published>2007-04-26T15:32:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:25.115Z</updated><title type='text'>Assim cenas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjDHEZQW2dI/AAAAAAAAADo/uaAapMaMksM/s1600-h/8080808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjDHEZQW2dI/AAAAAAAAADo/uaAapMaMksM/s320/8080808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057761259849963986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto pode abismar a menos abismável das existências, mas a verdade é que nunca acabei um Sudoku acima daquele que corriqueira, mas também tecnicamente, tem sido identificado como nível de dificuldade: fácil. Este fácil é, diga-se de passagem, o fácil mais modesto com que alguma vez me deparei. Talvez o fácil do “é como encontrar um trevo na tromba dum elefante” se lhe chegue perto. Que meretriz de melodia, hã? Há semanas que não penso em mais nada, com isso a ecoar todo o santo dia na minha cabeça. Ora, os dois ou três fáceis que despachei no Sudoku deram-me para ocupar qualquer coisa como, e estimando assim bastante por alto mas sem deixar o nível de precisão que faço questão de deixar sempre em tudo o que orquestro, cerca de algum tempo. Mais coisa, menos coisa. A verdade é que nunca fui especialmente bom nestas febres que, sabe-se lá porquê e seguindo que critérios, resolvem, de quando em vez, abalroar o país. A propósito, não sei até que ponto isto é reconhecido institucionalmente, mas diga-se já, aqui e agora, que fui eu a lançar a febre do Tetris, que varreu o país de alto a baixo aqui há coisa de quinze anos. Um bocadinho menos, talvez. E até apresento dados concretos, sob a forma de datas inequívocas. O boom do Tetris portátil sucede no início do ano lectivo mil novecentos e noventa e três/mil novecentos e noventa e quatro – um ano curiosamente absolutamente lastimoso do ponto de vista que realmente interessa, o futebolístico. Invulgar, isto de ter recorrido a três advérbios num curtíssimo período frásico. O que é mau sinal. Eu tive uma professora que açambarcava tudo o que dizia ou escrevia com advérbios. E aquilo metia nojo. Metia nojo de tal forma que ganhei um carinho especial, sendo carinho especial um eufemismo sublime para repulsa doentia, pelo “efectivamente”, advérbio que a senhora professora bramava com uma frequência lancinante. Lembro-me que havia um colega na turma que tinha dificuldades com os advérbios. Era o Pascoal. Até ver, foi o único Pascoal que conheci na vida. Cajós também só conheci um. Em compensação, conheço dois Gil Vicente. São vizinhos e tudo. Sim, incrível, sei disso. Certa vez, com a boa fé que me define, ao procurar ajudar Pascoal, informei-o que a melhor forma de saber o que eram advérbios era pensar que esses gajos eram malta para acabar todos em “ente”. Ele processou a informação e eu, admito, fiquei deveras orgulhoso quando o Pascoal, desafiado a enunciar um advérbio pela professora viciada em advérbios, saiu-se com um, e isto é a mais pura das verdades, “Pepsodent”. Quanto àquilo do Tetris, das datas e assim o caraças, e tendo o ano lectivo de noventa e três/noventa e quatro como referência temporal associada ao aumento súbito dos utilizadores do jogo em questão, tenho apenas a dizer que, corria o mês de Maio de mil novecentos e noventa e três, e eu já tinha um Tetris portátil. Comprei na feira, em vez dum boneco. Foi por mero acaso, porque, por sistema, eu comprava sempre um boneco. Só que, nesse ano, eu ainda estava queimado devido a acontecimentos do ano transacto, período em que comprei um Rambo com uma parafernália nunca antes vista em Rambos, de feira ou não, de armas e adereços bélicos. Sim, bazuca, pistola, granadas, faca grande, um míssil, e, espectacularmente, até uma besta aquele John R. tinha. O pior estava para vir. E veio depois d’abrir a caixa. Não é que aquele Rambo não era articulado? Nem mais, não passava de um boneco inerte. Nem um bocadinho maleável, o sacana era. São estas cenas que deixam marcas para a vida. Sãmente, decapitei-o com o ferro da solda do meu pai. E a minha tia, quando soube disto, e pela segunda vez em poucos meses, aconselhou a minha mãe a meter-me num psicólogo. Porque, e citando directamente a fonte familiar, “desculpa lá, mas cortar a cabeça a bonecos com um ferro de soldar não é normal”. A mim também não me parece normal que ela use camisas com aqueles ombros de esponja desde que a conheço, considerando que aquilo saiu de moda em mil novecentos e oitenta e seis, mas não é por isso que vou dizer à minha avó para a meter num psicólogo. É que os conselhos desta minha tia sempre foram formidáveis. Uma vez ouviu-me a pedinchar uma Mega Drive ao meu pai e, com a maior das naturalidades e com uma expressão própria de alguém que pensava mesmo que me ia satisfazer plenamente, confronta-me ela com um “porque é que não brincas antes com um pião?”. Um pião. Como substituto funcional da Mega Drive. Acho que foi a primeira vez que me saiu um “foda-se” num baptizado. Entretanto já lhes perdi a conta. Enfim, são feitios. Daí que, no ano seguinte, lá tenha comprado um Tetris em vez dum boneco. Depois levei-o um dia para a escola, foi um sucesso, e no ano lectivo seguinte toda a gente tinha um. Eu não era nada d’especial no Tetris. Era muito direccionado para uma só estratégia, a de ir fazendo um muro muito alto, esperando por um daqueles paus compridos para fazer logo quatro linhas duma vez. E às vezes oito em duas jogadas, se viessem dois paus compridos seguidos. Só que, lá está, esses paus compridos nunca vinham quando deviam. E eu ficava com um muro gigante até cá acima. Sempre à espera da peça pau comprido, até me lixar bem lixadinho. O Pascoal é que até s’ajeitava no Tetris. Às tantas, até é um virtuoso do Sudoku. Pormenor que não deixa de ser curioso. Porque o gajo, o Pascoal, possuidor, como se percebeu, de competências adverbiais inegáveis, conseguiu ainda ser o único indivíduo que convenci a jogar roleta russa com um agrafador. Um daqueles tipo pistola, nada de agrafadores maricas de escritório. Portanto, sim, já vi um gajo com um agrafo perto do sobrolho, já. Foi o Pascoal, que também foi rapaz para, durante todo o período de convívio com a minha individualidade, jurar a pés juntos que tinha ganho ao braço de ferro a um homem que era lobisomem. Um montesino qualquer lá da aldeia do avô dele. A vida é assim. Cheia de ironias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-4401997152045856417?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/4401997152045856417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=4401997152045856417&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4401997152045856417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4401997152045856417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/assim-cenas.html' title='Assim cenas'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RjDHEZQW2dI/AAAAAAAAADo/uaAapMaMksM/s72-c/8080808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-2875457512006483127</id><published>2007-04-20T18:59:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:25.373Z</updated><title type='text'>Factos da vida #14</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RioHGbkV1gI/AAAAAAAAADg/X-sWicb2H7E/s1600-h/80808080.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RioHGbkV1gI/AAAAAAAAADg/X-sWicb2H7E/s200/80808080.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5055861338737595906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que é um flagelo e não sei o quê mais, mas a verdade é que a sida ainda é das melhores dietas que para aí anda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-2875457512006483127?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/2875457512006483127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=2875457512006483127&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2875457512006483127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2875457512006483127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/factos-da-vida-14.html' title='Factos da vida #14'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RioHGbkV1gI/AAAAAAAAADg/X-sWicb2H7E/s72-c/80808080.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-8838427465758838657</id><published>2007-04-17T00:50:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:25.632Z</updated><title type='text'>Sou lá agora</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiQZ9dCOxdI/AAAAAAAAAC4/9flez2ZQJrk/s1600-h/808080800.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054193225373238738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiQZ9dCOxdI/AAAAAAAAAC4/9flez2ZQJrk/s320/808080800.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;E o que eu aprecio aquela coisa do “não me arrependo daquilo que fiz, mas sim daquilo que não fiz”? Assaz, concedo. Cada vez que oiço isto, e o interlocutor está ali à mão de semear, não lhes consigo deixar de dar razão e arrependo-me logo de algo que não fiz. No caso, enfiar-lhe um murro nas costelas antes que a azémola conseguisse terminar a aludida frase. É minha convicção que, num mundo perfeito, não haveria frio quando eu saio de casa mal agasalhado apesar da minha mãe me ter dito que o tempo ainda ia arrefecer e depois eu ter que andar a ouvir “eu não te avisei para levares casaco?” por cada espirro que der nas próximas semanas, nem existiriam crianças com fome, nem eu teria que perseguir pessoas durante quase cem quilómetros para as confrontar com o facto de não me terem levantado a mão em sinal de agradecimento quando as deixei entrar ali no cruzamento há coisa duma hora, nem surgiriam guerras e isso, nem passariam cegos a pedir quando eu estou no meio do corredor do metro cheio de malas e não tenho para onde me desviar, nem doenças, e, por último, embora de não somenos importância, a tal frase relativa ao arrependimento jamais seria findada em toda a sua estribilhice, sendo, isso sim, sempre paralisada por um murro nas costelas ou algo de natureza afim. Não é que não tenha arrependimentos. Tenho. Um ou outro. O maior remete para a minha infanto-adolescência. Porque era nessa altura que eu gostava de ter visto um certo fenómeno que, por uma razão ou por outra qualquer, nunca se cruzou comigo. Refiro-me ao, nunca de mais louvado se levarmos em linha de conta que se trata de um espectáculo visualmente estimulante, ataque epiléptico. Alturas houve em que eu fiz do visionamento de um ataque epiléptico um objectivo de vida. Tudo começou na 3ª classe. O João Ricardo teve um ataque epiléptico no recreio. E eu não vi. Tinha ido ver as bombas de Carnaval que o Marco André tinha comprado a um gajo da 4ª classe que já tinha sido cigano. Não vi, mas fascinaram-me as descrições do ataque epiléptico. Pelo que me contaram na altura, tratava-se assim de uma manifestação corporal que ia beber influências a actividades muito diversas, com coisas como descargas eléctricas duma brutalidade parva e exorcismos logo ali à cabeça. E eu não tinha visto. Desde esse dia, e até passar para o ciclo, acompanhei sempre o João Ricardo. Queria estar por perto quando o sacana tivesse um ataque epiléptico. Mas nada. Ano e meio de marcação cerrada e nem um espasmo mínimo aquele ingrato me foi capaz de dar. Nem um soluço. Com o passar do tempo, este desejo premente de ver um ataque epiléptico foi esmorecendo. Até que, algures no 6º ano de escolaridade, eu oiço a mãe do Hugo Filipe comentar com a directora de turma que ele era epiléptico e que até tomava uns comprimidos. Eu sei ver oportunidades de ouro, sobretudo quando elas me caem aos pés. Fiquei amigo do Hugo Filipe. Mas, antes disso, fiz os trabalhos de casa. Sim, não iria mais adoptar a postura passiva com que brindara o João Ricardo uns anos antes. Informei-me sobre ataques epilépticos e, em vez de esperar que um acaso juntasse o Hugo Filipe e uma qualquer manifestação epileptiforme, eu ia-me certificar que isso ia acontecer. Li que a forma mais comum de desencadear um ataque epiléptico passava por submeter o objecto da nossa experiência a súbitas mudanças na intensidade luminosa ou simples luzes que piscassem. No livro, falavam disto como se fosse uma coisa má, algo a evitar. Eles mencionavam isto mais num sentido de “cuidados a ter”. Enfim, que idiota, este pessoal que escreve livros. De maneira que levei o Hugo Filipe lá a casa. Meti-o a jogar Master System durante horas com as cores da televisão todas desfocadas, enquanto lhe tirava dezenas e dezenas de fotografias com flash. Nada. Levei-o a casa do meu tio que tinha uma parabólica grande e meti-o a ver canais codificados durante duas ou três tardes. Nada. Nada, a não ser um valente raspanete da minha tia que nos apanhou a ver, aliás, a ouvir, filmes pornográficos. Se bem me lembro dos gemidos, orientais, diria eu. Sei é que, por causa disso, a minha tia chegou a sugerir à minha mãe que me metesse num psicólogo porque “aquilo não era normal e que eu podia ficar paneleiro ou violador”. Está mais que visto que eu arriscava para ver um ataque epiléptico. Até o meti a ver o teledisco “Pump up the jam”, dos Technotronic. Caraças, aquilo até em cegos causa ataques epilépticos. Mas, no Hugo Filipe, nada. Aliás, lembro-me agora que cheguei a meter o gajo a fazer estas coisas todas ao mesmo tempo enquanto lhe apontava uma lanterna, que acendia e desligava a um ritmo altamente profissionalizado. Nada resultava. Mas o gajo lá acabou por ter um ataque epiléptico. A caminho de casa, contou-me a Ana Sofia. E mais: o gajo foi-se chibar à mãe que eu o submetia a todo aquele ambiente de clarões e luminescências. O ingrato da merda, hã? Joga Master system, vê parabólica, telediscos, etc. e isso, e ainda faz queixinhas. E, pronto, a mãe dele foi falar com a directora de turma, que, por sua vez, chamou a minha mãe, e, para resumir a coisa, digamos que o Hugo Filipe acabou por mudar de escola a meio do ano. Parece que ficou pior ou o raio que o parta. Se calhar foi ter ataques epilépticos todos os dias para outra escola. O cabrão. Aliás, o sacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S:&lt;/strong&gt; Quase uma década mais tarde, lá vi um desses ataque. Não tão perto como eu idealizara em pequeno, mas deu para desenterrar esse antigo fascínio. Foi um velho. Ainda estava um bocado afastado do ancião epiléptico, porém, tivesse eu corrido, e seria seguramente o primeiro a chegar para observar de perto tão vibratório fenómeno. Mas, e porque fiquei à espera que alguém lá chegasse primeiro, já só apanhei uns segundos, penso que 34, de abanadura compulsiva e sobre-humana. Fiquei à espera por uma razão muito simples. Uma vez disseram-me que, se for preciso fazer respiração boca a boca a alguém, quem a faz é o primeiro indivíduo a chegar ao local. Eu sempre quis ver um ataque epiléptico, mas convenhamos que deixar um puto num ponto sem retorno, no que à epilepsia diz respeito, é uma coisa. Arriscar-me a dar beijos em velhos é outra cantiga. É outro patamar. Assim com’assim, aqueles 34 segundos de ataque epiléptico longínquo serviram para afagar a nostalgia. Foi um bocadinho como ter andado uma infância a querer ver o “Dartacão” e depois acabar por só ver aquilo quando já se é crescido. Faz o jeito, mas não deslumbra. Há coisas que só têm um efeito completo em determinada altura. E aquele urso do Hugo Filipe e da mãe dele tiraram-me isso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-8838427465758838657?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/8838427465758838657/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=8838427465758838657&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8838427465758838657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8838427465758838657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/sou-l-agora.html' title='Sou lá agora'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiQZ9dCOxdI/AAAAAAAAAC4/9flez2ZQJrk/s72-c/808080800.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-1872207016520970787</id><published>2007-04-16T14:08:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:25.783Z</updated><title type='text'>Factos da vida #13</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiODtdCOxcI/AAAAAAAAACw/5_ZxGySinKw/s1600-h/oamornostemposdecolera.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiODtdCOxcI/AAAAAAAAACw/5_ZxGySinKw/s200/oamornostemposdecolera.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5054028023751165378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amor em tempo de cólera pode ter alcançado maior notoriedade, mas verdadeiramente lixado é o amor em tempo de sífilis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-1872207016520970787?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/1872207016520970787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=1872207016520970787&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1872207016520970787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1872207016520970787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/factos-da-vida-13.html' title='Factos da vida #13'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RiODtdCOxcI/AAAAAAAAACw/5_ZxGySinKw/s72-c/oamornostemposdecolera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-4511565818408024290</id><published>2007-04-10T01:33:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:25.951Z</updated><title type='text'>Ira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhrskdCOxbI/AAAAAAAAACo/y4QoT0qomik/s1600-h/8808080.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhrskdCOxbI/AAAAAAAAACo/y4QoT0qomik/s320/8808080.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051610043062863282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rabiscar, ainda que ao nível celestial a que já habituei o universo, sobre um tema que em rigor já se terá focado, ainda que ao de levezinho, neste espaço, poderá parecer meio improfícuo. Mas não é. E, para não ser, basta-me dizer que não é. Sou como um pai mau, não tenho que dar justificações. Ou melhor, e em vez de um simples “não é”, é capaz de ser melhor recorrer a um "não é, cara***!". Se querem provar ou pedir alguma coisa, aconselho veementemente um “cara***!” no final da vossa argumentação ou pedido. Faz milagres. Por exemplo, imagine-se a situação em que alguém está à vossa frente e, conalmente, ignorou o vosso “com licença” ou “dá-me licença” ou mariquices dessas da boa educação e o raio. É pegar no “dá-me licença?”, juntar-lhe um “cara***!”, e ficamos com um “dá-me licença, cara***?” que não passará despercebido a ninguém. A escolha é vossa. Ou arriscam-se a ficar horas e horas atrás de alguém que, reafirmo, deveras conalmente, ignora a vossa prece, ou fazem-se homenzinhos e ficam com o caminho desimpedido e com mais largueza para passar que aquela que alguma vez imaginaram. Um “dá-me licença?” pode-vos ajudar a ultrapassar muitos obstáculos, mas um “dá-me licença, cara***?” ajuda-vos a ultrapassar todos. É garantido e isto até devia estar escrito em livros de citações. A ira, nisto dos pecados capitais, é algo com que me identifico de sobremodo. Irar-me é o pão-nosso de cada dia. Não sei quando, estava cheio de pressa para ir ao cinema e a porcaria da porta automática do centro comercial demorou demasiado tempo a abrir. Ira-me que aquilo demore tanto tempo a abrir. Se venho a correr, tenho que parar, para não atravessar o vidro. Mas, deixem lá, que ainda me hei-de rir quando vir o centro comercial a arder e os bombeiros irem a correr para acudir as pessoas e terem que parar para a porta abrir. Eu sei que é só um bocadinho. Eu sei disso. Mas são segundos preciosos que se perdem. E vai haver ali muita queimadura de 2º grau que só têm a agradecer ao chico-esperto que achou que aquilo não devia abrir de maneira a que quem viesse a correr ou em passo mais apressado conseguisse passar sem ter que parar. Depois do cinema, já cá fora, encontro um indivíduo na paragem do autocarro que come Oreos como se fossem bolachas Maria. Trinca e pronto. Irritam, estas pessoas que não sabem comer uma Oreo. Há uma razão para a Oreo ser como é. Para enfardar uma Oreo na sua plenitude, deve-se retirar metade, lamber o branco como se fossemos deficientes ou estivéssemos com a boca dormente por causa da anestesia cavalar no dentista, e depois comer a outra metade. É assim que se come uma Oreo, mas ainda há para aí muito calhau com olhos que come aquilo como se fosse uma carcaça de pão. Por falar em dentista, a parvinha da recepcionista já parava de me perguntar coisas como “Ora, marcamos a próxima consulta para dia 20 de Novembro de 2007. De manhãzinha, às 10h. Pode ser?”. Sei lá se pode! Falta quase um ano, minha tansa. A única coisa que lhe consigo dizer é “a que dia da semana é isso?”. Ela responde com um “é uma terça” ou uma coisa dessas, ao que eu reajo com um “pois, ‘tá bem” como se o facto de ser a uma terça fizesse alguma diferença. Depois, e isto já m’aconteceu várias vezes, pelo menos mais que uma, se ligo para lá uma semana antes do dia 20 de Novembro de 2007 a dizer que, afinal, não vai dar para ir porque não sei quê, ela solta um “pois, compreendo”. Mas é um “pois, compreendo” envolto num claríssimo “então, ó minha besta, não sabias dizer isso quando marcámos a consulta, quase um ano antes? Eu não te perguntei se podia, meu patego?”. Eu bem lhe topo o tom. É isto que o “pois, compreendo” dela me está a dizer. Só me dá vontade de lhe dizer “Fod*-**, parem mas é de marcar consultas quase um ano antes ou o cara-***, fod*-**! Mas isso tem algum jeito, sua marrã da me***? Um ano antes, sei lá eu bem ou o cara*** se vou estar ocupado numa terça de manhã”. Mas não digo. Não que tenha dúvidas em relação ao tom dela. Eu sou espectacularmente bom a captar tons, não estou é para me chatear. Porque, se estivesse para me chatear, atacava logo à dentada o pescoço de quem me diz “olha o cinco de paus” quando estou a jogar solitário. Eu sei que está lá o cinco de paus, vacão! Não posso estar a guardá-lo? Além disso, por que raio estás tu a ver-me jogar solitário? Isso é que é uma bela existência que para aí vai. Jogar já é triste que chegue, mas ver jogar é todo um outro campeonato. E depois, diz-me a minha madrinha, “ó Pedro, passa cá para vires buscar as tuas amêndoas”. E eu vou, feito parvo. Para vir de lá com um pacote daquelas drageias de chocolate com forma de amêndoa. Isto é que são amêndoas? Hã? Se nem amêndoa tem lá dentro! Ao menos que tenha a decência de me dizer “ó Pedro, passa cá para vires buscar as tuas drageias de chocolate com forma de amêndoa”. Porque assim eu não lá ia. Ninguém gosta dessa porcaria de drageias de chocolate. Andou Jesus a ressuscitar, que é uma coisa que ainda dá trabalho e chatices, para as pessoas andarem a dizer que é para ir lá buscar as amêndoas e afinal são drageias de chocolate? Foi para isto que Jesus ressuscitou? Nem que seja por respeito a Jesus, caramba. Amêndoas! Dêem amêndoas! Já para não falar em quem fica todo ofendido porque eu, quando tenho uma ambulância a apitar atrás de mim, em vez de encostar para ela passar, acelero. Só a senhora ambulância é que pode estar com pressa, é? Ora mais essa! Se acelerar, a ambulância não vai mais rápido também? Pá, se têm alguém com dores de barriga aí na parte de trás da ambulância, eu estou atrasado para registar o euromilhões que aquilo fecha as sete e são sete menos dez. Não coloco a vossa pressa em segundo plano, uma vez que são uma ambulância e isso, mas também não me peçam para desprezar a minha. Logo, acelero e vamos os dois mais depressa. É uma situação em que beneficiamos os dois. Todos ganham. Não só a ambulância, mas também eu, que não m’atraso. Parece simples. Agora, e meter isto na cabeça das pessoas? Isso é qu’era bom! Não, para as pessoas, temos que encostar quando a ambulância vem &lt;st1:personname productid="em emerg￪ncia. Se" st="on"&gt;em  emergência. Se&lt;/st1:personname&gt; aceleramos em vez de encostar, somos logo catalogados de maníacos e estúpidos. Sociopatas, coisas dessas. Quer dizer, um gajo encontra soluções óptimas para as mais variadas situações e ainda é ofendido de alto a baixo? Vão mas é chamar nomes ao idiota que achou que “ambulância”, escrito na parte da frente, tinha que estar ao contrário. Sim, porque se não estivesse escrito “aicnâlubma” em vez de “ambulância”, as pessoas não percebiam que veículo era aquele. Iam pensar que era um maluquinho com muitas luzes e apitos a guiar uma carrinha normal. Agora sim, com “aicnâlubma” já se consegue ler “ambulância” no retrovisor e encostar para a senhora passar. Santa paciência. Mas não, eu é que sou alienado e imprudente por ter encontrado uma solução para quem tem uma ambulância atrás e também está com pressa. Este país, às vezes, parece que ainda está na idade média. E isso, francamente, encoleriza-me um bocadinho. E a verdade é que podia ficar aqui o dia todo a apontar iras e raivas, mas isto também já me está a enervar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-4511565818408024290?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/4511565818408024290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=4511565818408024290&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4511565818408024290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4511565818408024290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/ira.html' title='Ira'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhrskdCOxbI/AAAAAAAAACo/y4QoT0qomik/s72-c/8808080.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-5283034520831195028</id><published>2007-04-08T01:35:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:26.178Z</updated><title type='text'>Factos da vida #12</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhhHjpTs8CI/AAAAAAAAACg/t16x9oOIfG8/s1600-h/8090909.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhhHjpTs8CI/AAAAAAAAACg/t16x9oOIfG8/s400/8090909.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5050865659805495330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está-se em época pascal e torna-se óbvio que, em última análise, existe apenas uma grande diferença entre o cristianismo e o cinema. É que, neste último fenómeno de massas, já não há pachorra para histórias em que o herói regressa depois de morto para salvar o dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-5283034520831195028?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/5283034520831195028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=5283034520831195028&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5283034520831195028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5283034520831195028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/04/factos-da-vida-12.html' title='Factos da vida #12'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RhhHjpTs8CI/AAAAAAAAACg/t16x9oOIfG8/s72-c/8090909.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-2987125922688269404</id><published>2007-03-30T15:20:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:26.417Z</updated><title type='text'>Chocolate Jesus</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rg0rovnecsI/AAAAAAAAACQ/9_szY2jueNk/s1600-h/888880.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rg0rovnecsI/AAAAAAAAACQ/9_szY2jueNk/s320/888880.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047738736328995522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que há um artista – e artista no sentido de cultivador das belas-artes e não no sentido “olha-me bem para aquele artista a tentar-se meter na nossa faixa agora que a dele está parada” – que exporá, algures durante a próxima semana, uma escultura de Jesus na cruz. A inovação consiste no facto deste Jesus ser feito de chocolate de leite, ter um metro e oitenta e não ter cobertura da cintura para baixo. E, quando se fala em cobertura, não é de chantily, amêndoa ralada ou bocadinhos de nozes. Ou aquelas bolinhas prateadas e muito duras que ninguém gosta. É “sem cobertura” como em “ter a pila e o rabo ao léu”. A escultura, como não podia deixar de ser, terá o sugestivo título de “My sweet lord” e as associações de cristãos já se fizeram ouvir, identificando a exposição como uma das maiores afrontas contra a sua sensibilidade. Não percebo bem de que se queixam estes senhores. Primeiro, pensei que fosse porque, sendo tudo aquilo em chocolate, alguém acabasse por ir comer Jesus. O que soa mal, mas só até nos lembrarmos que, na missa, todos os que comungam estão a ingerir o corpo de Deus. Se, na escala de super poderes, Deus é mais forte que Jesus, isto perde logo alguma força argumentativa. É que se ninguém se ofende por comerem Deus, reveste-se de alguma dinâmica parvinha o facto de se ofenderem por, hipoteticamente, se ir comer Jesus. De mais a mais, fosse o corpo de Deus que se dá nas missas feito de chocolate e os católicos praticantes seriam em bem maior número. Eu, com chocolate em vez daquela massa de trigo sem fermento que servem nas missas, iria lá bem mais vezes. Aliás, estaria lá sempre se dessem chocolate e se acabassem com aquele costume horrível de ter que cumprimentar as pessoas que estão ali nos nossos arrabaldes. Nunca percebi esse costume e, quando era mais novo, nunca conseguia pressentir que isso se aproximava. Aquilo vinha sempre do nada. Num segundo o padre estava a cantar ou a dar sermões e no outro já eu tinha duas velhas a lambuzarem-me a cara com baba e buços tipo velcro meio gasto. Nunca me conseguia safar dessa parte. Mas nem sei se ainda se faz isso. Agora, e voltando à indignação cristã face à estátua, só se aquilo ofende porque Jesus está nu. Só se é isso. Mas, em termos legais, também não vão longe com essa argumentação. Nas regras que Deus estabeleceu aqui há coisa de mais de mil anos e tal, não há nada sobre ocorrências deste género. Há, isso sim, coisas que os cristãos têm seguido à risca, destacando-se dos demais o célebre “Não matarás” ou o “Não roubarás”. Cristão a matar e a roubar nunca se viu, claro. Mas nada de “Pá, não esculpirás uma estátua do meu filho todo nu da cintura para baixo e em chocolate de leite”. Isso não vem no livro das regras. Mas isto pode ter um outro prisma, completamente distinto. A questão é que as regras foram escritas em tábuas de pedra e, Deus ou comum mortal, isso é tarefa para nos dar cabo dum pulso. Eu, formado oficiosamente em direito – vi algumas séries de advogados, inclusive uma nacional que dava na SIC quase de manhã –, acho que as associações de cristãos podiam pegar por aqui. Deus não escreveu a parte do “Pá, não esculpirás uma estátua do meu filho todo nu da cintura para baixo e em chocolate de leite” porque já estava todo apanhadinho do pulso e aquilo já lhe estava a chegar ao ombro. Sim, pela minha experiência em termos de tribunais e casos da mais variada índole, julgo que a defesa das organizações cristãs passará inteiramente pela suposição que Deus terá dito “Moisés, olha, ficam dez, pá, que já ‘tou cansado. O resto fica subentendido, vá. Queres boleia para baixo?”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-2987125922688269404?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/2987125922688269404/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=2987125922688269404&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2987125922688269404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2987125922688269404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/chocolate-jesus.html' title='Chocolate Jesus'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rg0rovnecsI/AAAAAAAAACQ/9_szY2jueNk/s72-c/888880.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-7286869587805838625</id><published>2007-03-30T01:45:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:26.660Z</updated><title type='text'>O orgulho de Comte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgxsCPnecrI/AAAAAAAAACI/fDex6fe8Hvc/s1600-h/080808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgxsCPnecrI/AAAAAAAAACI/fDex6fe8Hvc/s320/080808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047528068183126706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se muito em altruísmo e isso. Mas, a maior parte das vezes, refere-se o conceito sem saber o que é, afinal, o verdadeiro e puro altruísmo. Eu, desde miúdo que bem sei o que é. Para ser mais exacto, desde que, no 6º ano, o meu colega Paulo, um gajo que tinha um dente da frente lascado e que chorou baba e ranho quando ouviu que a gaja dos 4 Non Blondes tinha morrido, me ofereceu um bocado de Kit Kat. Mas, atenção, estamos a falar dum senhor bocado. Eu, quando disse “ó Paulo, dás-me um conhe de chocolate?”, estava longe de imaginar o que se iria passar a seguir. O Paulo não só anuiu, como, acto quase contínuo, parte uma barra de Kit Kat para mim. Uma barra. Sendo que o chocolate em questão tem apenas quatro. Vinte e cinco pontos percentuais do chocolate para um mero colega de turma. Fiquei estarrecido. E o Paulo, no meu coração, será sempre o exemplo supremo de altruísmo. Sim, que as Madres Teresas e as Princesas Dianas nunca me deram nada. E o que há mais para aí são invejosos que ficam muito ofendidos quando pedimos para tirar um M&amp;M e acabamos por tirar uns quatro, e abusadores que tiram quatro M&amp;amp;M quando nos pediram só um. Canalhice há muita. Paulos é que há poucos. Vem isto a propósito de, muito recentemente, eu ter sentido uma espécie de urgência interior para brincar um bocadinho a isso de ajudar os menos afortunados e assim. Por duas razões. Primeiro, em jeito de homenagem ao Paulo e à barra de Kit Kat, como prova de que, para além dum bocado de chocolate, eu tinha sacado uma importante lição de vida. Segundo, eu devo ser o indivíduo que mais vezes diz “eh pá, não tenho mesmo nada, juro” a mitras e afins para, nem cinco minutos passados, eles me apanharem em flagrante a comer um gelado dos grandes. Palavra de honra que já me deve ter acontecido algumas cem vezes. Portanto, comecei a sentir uma pequena impressão que me impelia a ajudar. E, depois de muito reflectir, concluí que a melhor ajuda que posso dar é deixar um par de conselhos aos sem-abrigo. Aqui, na Internet. Sim, não ia estar a ajudar um sem-abrigo mesmo na rua. Não fosse o gajo querer dar-me um passou-bem de agradecimento incontido. Não me vou arriscar a esse ponto. Mas deixarei dicas estupendamente válidas e revolucionárias. Começo por aconselhar a leitura do Diário Económico aos sem-abrigo. Faz-me confusão que não o façam já, mas enfim. Seria de esperar que eles fossem dos mais interessados no estado da economia, mas aparentemente tal não se verifica por aí além. Eu nunca vi nenhum sem abrigo a ler o Diário Económico e acho que terá que começar por aí. Em vez de lerem o Metro e o Destak, leiam o Diário Económico. Demonstra interesse e vontade em sair da rua. Têm que ser vocês a mostrar força de vontade, cambada. A economia não se vai interessar por vocês enquanto vocês não se interessarem por ela. O meu segundo engenhoso conselho diz respeito à mítica revista CAIS. A CAIS é a revista de, canta o slogan, “auxílio e apoio ao sem-abrigo”. Sim, isso é tudo muito bonito, mas que faz a CAIS? Para começar, a revista CAIS custa dois euros. Quatrocentos paus. Para ler uma revista que mais parece um livro, cheio de letras e assuntos para pensar. Assim não vão lá. Porque é que, em vez duma CAIS cara e chata, não vendem a Maria, que é tão mais barata e tem fotos de pessoas e notícias de calhandrices e novelas, e consultórios sexuais e até escolhem o bebé do mês que, por acaso, até é sempre feio como tudo e se chama constantemente Rafael, Micael ou Tomás? A Maria é coisa p’ra custar uns 250 paus e aposto que venderia bem mais que a CAIS. É altura de abrir os olhos, sem-abrigos. Ainda não perceberam que isto é uma economia de mercado, caramba? Tenham cabecinha. A CAIS não rende. É cara e ninguém compra. Vendam Marias, baratas e populares. É que, como se não bastasse já, a CAIS, que se diz de auxílio ao sem-abrigo, nem um anúncio de casas para arrendar apresenta nas suas páginas. Nem um. Nem para um T-0 &lt;st1:personname productid="em Pina Manique" st="on"&gt;em Pina Manique&lt;/st1:personname&gt; ou esses sítios. Que eu saiba, os sem-abrigo precisam é de casa. Não de artigos com muitas letras e palavras grandes, daquelas de ir ver ao dicionário. Mas a CAIS pensa nisso e publica anúncios? Uma porra é que publica! Pior! Uma vez que não trazem anúncios de casas, até podiam tentar compensar de outra forma. Por exemplo, revelando por onde estão espalhados os Ecopontos azuis. Não me parece complicado de perceber que os Ecopontos azuis, face à conjectura actual, são assim uma espécie de imobiliária dos sem-abrigo e acho que só ficava bem à CAIS informar os coitados relativamente à localização dos mesmos. Uma vez por outra, até revelar que Ecopontos são mais profícuos em termos de caixotes de frigoríficos ou arcas e uma ou outra máquina de lavar. Este tipo de informação poupava-lhes trabalho e maçadas, libertando tempo para outras tarefas de sem-abrigo. Inclusive para passatempos, sei lá, cenas variadas. Pronto, sinto que fiz a minha parte. Fossem todos como eu e este mundo seria um sítio bem preferível. Concordo, é o que eu acho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-7286869587805838625?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/7286869587805838625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=7286869587805838625&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/7286869587805838625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/7286869587805838625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/o-orgulho-de-comte.html' title='O orgulho de Comte'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgxsCPnecrI/AAAAAAAAACI/fDex6fe8Hvc/s72-c/080808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-904758177205322038</id><published>2007-03-29T00:31:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:26.800Z</updated><title type='text'>Factos da vida #11</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgsJWvnecqI/AAAAAAAAAB8/Sp6xEb-lFZk/s1600-h/80018.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgsJWvnecqI/AAAAAAAAAB8/Sp6xEb-lFZk/s320/80018.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047138093742584482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o Judas, sempre que queria limpar o cu, tinha que andar bastante. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-904758177205322038?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/904758177205322038/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=904758177205322038&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/904758177205322038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/904758177205322038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/factos-da-vida-11.html' title='Factos da vida #11'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgsJWvnecqI/AAAAAAAAAB8/Sp6xEb-lFZk/s72-c/80018.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-2118304235063483656</id><published>2007-03-26T18:09:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:26.985Z</updated><title type='text'>Bater, tocar, chamar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RggQSUYP-jI/AAAAAAAAAB0/wQliXgJewco/s1600-h/80001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RggQSUYP-jI/AAAAAAAAAB0/wQliXgJewco/s320/80001.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046301289362750002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é como em tudo, basicamente. Um gajo só dá por falta das coisas quando não as tem. É um rifão especialmente verdadeiro quando se trata de braços, pernas ou aqueles dentes laterais que só se vêem quando abrimos muito a boca a rir. Mas eu ainda tenho isso tudo. Estava só a dar um exemplo genérico, de mera, e até boçal, funcionalidade ilustrativa. E a colocar-me no lugar dessas pessoas, as que não têm braços, pernas ou aqueles dentes laterais que só se vêem quando abrimos muito a boca a rir, para criar alguma proximidade com aqueles que sofrem dessas intempéries. Só isso. Sou, como se as evidências não o demonstrassem e fosse necessária esta declaração, indivíduo com elevadas competências para lidar com pessoas diferentes. O que m’aconteceu, ainda recentemente, foi perceber que o apito do carro, essa funcionalidade que, todos os dias, todos nós tomamos como dado adquirido, estava avariado. Ora não produzia nenhum som, ora fazia aquele “fimmnheca” extremamente enconado. A princípio, não liguei. Para que preciso eu do apito? Vai para mais de dois anos que também não tenho piscas, com certeza que também consigo viver sem apito. Com os piscas, verificou-se o seguinte. Primeiro, começaram por se lixar ao nível da função que é comummente identificada como “o teu pisca desfaz?”; que, em traços gerais, consiste na capacidade do pisca se desligar quando se completou a mudança de direcção. Lixou-se o desfazer do pisca, e o que, não raras vezes, se verificava era eu fazer umas boas dezenas de quilómetros com o pisca do lado direito sempre ligado. Calhou ser sempre o direito porque, para entrar aqui na estrada principal ao pé de casa, eu mudo de direcção à direita. Mais tarde, o pisca deixou simplesmente de funcionar. Não me fez confusão nenhuma e até encarei aquilo como uma conquista por parte da minha liberdade individual. Afinal de contas, para que raio quero eu aquilo? Agora tenho que avisar quem vem atrás para onde vou? Devo-lhe satisfações, é? Era o que mais faltava. Não são minha mãe e metam o bedelho nas vossas vidas, alcoviteiras ao volante. Encarei isto como uma dádiva. Com o pisca lixado, eu escapava a mais um dos expedientes de controlo a que “eles” nos submetem. Quando se me escavacou o apito, lembrei-me disto. Que podia ser outra benesse. Porque, bem vistas as coisas, eu nem usava assim tanto o apito. De entre a tralha de utilidades ao apito associadas, nunca precisei de nenhuma por aí além. Já por várias vezes podia ter recorrido à função preventiva do apito, aquela que, defendem os técnicos, permite que se evitem acidentes. Mas, ao invés de apitar, há uma urgência interior que nos impede de o fazer e que a questão “Pá, este gajo não vai recuar até me bater, de certeza” define exemplarmente. A curiosidade é sempre mais forte. Depois vêm-me com coisas do género “Mas não me viu recuar? Porque é que não avisou?”. Não avisei porque queria ver se ia mesmo recuar até me bater. Nunca pensei que fosse tão parvo. Não se me está a perceber e “não, o pára-choques ainda não tinha estes arames antes de você me bater”. É que me parece sempre improvável que tal – o recuo até me bater - aconteça e, por isso, sinto-me sempre tentado a comprovar. Isto é como quando temos uma pedra na mão e, ao longe, vemos um velho de bicicleta. É claro que pensamos sempre “daqui, com o velho em movimento, nunca na vida eu lhe conseguia acertar na cabeça”. Mas atiramos sempre, como é óbvio. É por estas e por outras que a empiria abafa sempre qualquer teoria. Um gajo pode ler em muito lado que é quase impossível acertar com um calhau na cabeça dum velho de bicicleta. Mas, até experimentarmos, vamos ficar sempre na dúvida. Por isso é que o carácter preventivo do apito sempre foi inútil para mim. Mas o apito, segundo consta, serve para mais coisas. A questão é que, por exemplo, também nunca senti necessidade de recorrer ao apito para assinalar raparigas airosas que se pavoneiam nos passeios. Não acredito que seja um método eficaz e, para além disso, não alinho em estratagemas batoteiros. Quanto muito, sou gajo para usar uns óculos escuros para poder olhar para os decotes à vontade. Sim, porque o “olhar para o horizonte” dá muita barraca e, no que à eficiência diz respeito, ainda deixa bastante a desejar. Acho é que qualquer coisa para além disso, dos óculos escuros, já me cheira a violação. Depois temos as buzinadelas do “o meu clube ganhou” e “estamos num casamento e isto é muita giro, ‘bora apitar feitos parvinhos que ninguém vai achar que parecemos uns retardados mentais com a roupa do domingo”. Também nunca me deu para isso. É o meu feitio, pronto. Finalmente, temos as funções “Então, c******?!?!” que, para efeitos de está-me a apetecer e faço o que quiser, englobarão todas as manifestações de raiva. Aqui, nas manifestações de raiva, encontramos coisas como “então e o pisca, ò palhaço?”, “mas esta merda não anda porquê, f***-**?”, “’´tá verde é para nós, camelo da m****!” ou “olha-me para este coxo de óculos de sol a passear o cão no meio da estrada!”. Não concordo nada com o apito enquanto veículo de raiva acumulada. Quer dizer, não concordava com o apito enquanto vector de fúria. Até ao dia em que uma besta me trancou o carro. A situação é clássica. Carro com os quatro piscas ligados não me deixa sair. Mandam as regras do bom senso e boa educação que, qual sociopata, se mantenha o dedo enterrado no apito enquanto o gajo que tranca resolva aparecer. Eu bem queria, mas qual quê! Estar trancado e ter que esperar, pacientemente, sem poder buzinar como se tivéssemos cinco anos é horrível, digo-vos eu já aqui e agora. Ainda para mais, sabendo eu que, enquanto não apitasse feito demente, o dono do outro carro ia sempre estar a pensar “tenho a viatura em 2ª fila, mas ainda ninguém apitou, por isso posso estar aqui no paleio à vontade em vez de me despachar”. Eu, palavra de honra, por esta altura, daria uma nádega para ter um apito que funcionasse. Não minha, obviamente. Podia ser a nalga de qualquer um dos cerca de dez parvalhões que, enquanto eu esperava dentro do carro, me diziam “olhe que tem o cinto e o casaco entalados na porta”. Ai sim? E irem bardamerda mais os vossos avisos? Quero é um apito. Se faz favor, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;P.S:&lt;/span&gt; Para os mais dados a essas coisas das curiosidades, aproveito para esclarecer que o título deste coiso é um plágio descarado do título de uma cantiga dos Onda Choc, nomeadamente uma que está presente em “Passeando pela praia”, álbum de 1990 ou outro ano. O segundo facto digno de estupendo registo é a questão de algum asneiredo estar dissimulado entre astericos. Tal ocorrência vem no seguimento de um “não digas tantas asneiras, filho” emitido em tom de desespero pela minha mãe. E sim, consegui convencer a minha mãe que “enconado” e “bardamerda” não são asneiras. Desafio-vos a conseguirem o mesmo com as vossas mães. Ou, se forem órfãos, com o pároco da vossa freguesia.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-2118304235063483656?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/2118304235063483656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=2118304235063483656&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2118304235063483656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/2118304235063483656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/bater-tocar-chamar.html' title='Bater, tocar, chamar'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RggQSUYP-jI/AAAAAAAAAB0/wQliXgJewco/s72-c/80001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-8749132548739544734</id><published>2007-03-22T12:14:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:27.126Z</updated><title type='text'>Factos da vida #10</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgJ0iUYP-gI/AAAAAAAAABc/ExMuxllhCY8/s1600-h/80808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgJ0iUYP-gI/AAAAAAAAABc/ExMuxllhCY8/s200/80808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044722665543170562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;É natural que nenhuma criança goste de vegetais. Preferem pessoas mais animaditas, que joguem com elas à bola e isso.&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-8749132548739544734?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/8749132548739544734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=8749132548739544734&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8749132548739544734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8749132548739544734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/factos-da-vida-10.html' title='Factos da vida #10'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RgJ0iUYP-gI/AAAAAAAAABc/ExMuxllhCY8/s72-c/80808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-4270581611090957236</id><published>2007-03-20T02:30:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:27.324Z</updated><title type='text'>Gula</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf9JQUYP-eI/AAAAAAAAABM/etv70Cbvzsc/s1600-h/88808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf9JQUYP-eI/AAAAAAAAABM/etv70Cbvzsc/s320/88808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043830652375398882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Não vejo sempre. É às vezes, sem grande sistema ou método. E vejo porque vivo com a certeza que o Fernando Mendes vai, um dia, antes do Telejornal, ter um enfarte do miocárdio em pleno concurso. E, perdoem-me os puristas, mas eu acho que um enfarte do miocárdio entre cestas de chouriços e queijos e galhardetes de freguesias que acabam invariavelmente em “al” ou “eira”, é coisa com o seu interesse televisivo. Ontem vi. Como devem calcular, ainda não foi ontem que sucedeu tal espectáculo mediático. Mas, em compensação, vi pela primeira vez um concorrente preto. E, convém frisar, n’O Preço Certo nunca há concorrentes étnicos. Isto, claro, se não se considerar a extrema saloiice uma etnia. Extremamente simpático e incompreensível, o concorrente preto perdeu uma merda chamada vitogrill porque escolheu um 4 em vez dum 6. E fez 60 na roda. O gordo do Fernando Mendes é mas é um racista da merda. Já o vi a ajudar muita velha, que levam sistemas de Home Cinemas para casas de xisto na freguesia de não sei quê “al” ou “eira”. Um home cinema para se lixar todo com a humidade. Mas quando foi para dar um vitogrill ali para a Damaia, ‘tá quieto, ò mau. E eu, palavra de honra, nem detesto assim muito os gordos. Na minha infância, até aprendi algumas coisas interessantes com existências dessas. Sobretudo com um, que defendeu uma vez uma bolada dum grande do 9º ano com as fuças. E nós andávamos no 5º, caramba. Foi o herói da tarde. Não me lembro é do nome dele. Nem sei se tinha nome. Era o gordo, pronto. Foi esse gordo que, revelando uma sapiência muito particular, me ensinou que o Malteser que acabara de atravessar o chão do maior corredor da escola, ainda estava bom se, condição essencial, o assoprássemos com muita força e de olhos fechados. Muito Malteser me salvou este preceito. Dizia o gordo, “só sabe a pó e terra se quiseres, se acreditares nisso, Pedro”. E tinha razão. Também é verdade que esse gordo dizia, à boca cheia, que pão com tulicreme e frutas cristalizadas era muito bom. E ainda me lembro de, à pala das ideias dele, ter levado uma galheta porque fiz Cerelac com leite condensado cá &lt;st1:personname productid="em casa. De" st="on"&gt;em  casa. De&lt;/st1:PersonName&gt; lamparinas precisou ele, enquanto andou a ganhar massa adiposa. Há quem defenda que uma boa palmada na altura certa nunca fez mal a ninguém. Eu defendo que sim. Se calhar, fazia apenas um pequeno reparo. Ou dois. Um casal de reparos. No caso do gordo, esta sentença popular ganharia eficácia extrema se se substituísse “boa palmada” por “sova de mangueira” e “na altura certa” por “sempre que pedir uma bolacha”. Se uma campainha pôs aqueles cães russos a salivar, uma sova de mangueira é coisa para pôr um potencial gordo na linha. Esse gordo em particular, à laia de justificação, dizia que era assim, “forte”, porque tinha um problema glandular. Mais que serem gordos, suarem no Outono e respirarem muito alto, enervam-me as desculpas. Glandular? Só se glandular fosse alguma marca de chocolate que se comia na altura. No supermercado perto de casa só havia Táxi, Raider e sempre a mesma caixa de Bombocas, mas o gordo morava perto dum hiper. Nunca se sabe o que por lá se vendia. Cada vez que vejo um, lembro-me desse gordo. São estas coisas que perduram. Defender um remate dum grande do 9º. Com as fuças. E também me lembrei dele há dias, quando li uma notícia sobre obesidade mórbida. Obesidade mórbida é, está à vista de todos, um nome simpático. Como se exige, pouco pesado e nada agressivo. Dantes, tínhamos gordos. Depois obesos. Depois obesos mórbidos. A seguir, às tantas, vamos ter obesos mórbidos “eh pá, quantos urinóis ocupa este gajo?”. Mas é inegável que um gordo dá sempre jeito. Para ir à baliza, claro. Para o cão do vizinho morder em alguém primeiro e nós pudermos fugir, como é óbvio. Mas também noutros contextos. Em acidentes de aviação, por exemplo. Se, como naquele filme com aquele gajo que fez o coiso, o avião cair na neve e der a fome aos passageiros, come-se o gordo. Além de ter mais alimento, também come mais. É a lógica de mercado. Churrasco no gordo. Se a gula é pecado capital, ao menos que sirva para se poderem comer gordos quando pessoas normais estão presas na neve. Mas comer sem depois ter chatices com a polícia e assim. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-4270581611090957236?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/4270581611090957236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=4270581611090957236&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4270581611090957236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/4270581611090957236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/gula.html' title='Gula'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf9JQUYP-eI/AAAAAAAAABM/etv70Cbvzsc/s72-c/88808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-8025370575235759676</id><published>2007-03-18T12:52:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:27.502Z</updated><title type='text'>Factos da vida #9</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf02SRwSS3I/AAAAAAAAABE/e22Via_SJaY/s1600-h/0018.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf02SRwSS3I/AAAAAAAAABE/e22Via_SJaY/s320/0018.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5043246845356297074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Em Moçambique há incentivos para que os homens sejam realmente cavalheiros e a máxima “primeiro as senhoras” é seguida à risca. E, por incentivos, leia-se “minas terrestres”. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-8025370575235759676?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/8025370575235759676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=8025370575235759676&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8025370575235759676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8025370575235759676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/factos-da-vida-9.html' title='Factos da vida #9'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Rf02SRwSS3I/AAAAAAAAABE/e22Via_SJaY/s72-c/0018.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-6795959453522655412</id><published>2007-03-12T03:34:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:27.694Z</updated><title type='text'>Há dias assim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfTR_hwSS2I/AAAAAAAAAA8/ghx0yhQ4AlA/s1600-h/888.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfTR_hwSS2I/AAAAAAAAAA8/ghx0yhQ4AlA/s320/888.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040884772257287010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias fadados para alguma coisa que agora não me recorda. Um adjectivo, talvez. Coisas dessas assim gramaticais. Para mim, um dia que começa com o visionamento de uma daquelas reportagens sobre ataques de pitbulls é sempre um dia especial. Ainda mais especial se torna quando um dos intervenientes directos na peça noticiosa decide usar “pitbuis” como plural dessa simpática marca de bobis. Um dos meus sonhos, um daqueles por que mais anseio desde há considerável período temporal, é precisamente aquele que me permite ouvir, ao vivo, um destes gajos que diz coisas como “então é assim, tipo, os meus pitbuis são mansinhos e coiso”. Começar o dia a ouvir “pitbuis” é revigorante. Sabemos que algo de muito especial vai acontecer. Sente-se no ar. Antes de se avançar mais, convém lembrar que sou, estatística mais que oficial e de âmbito planetário, o indivíduo que mais pessoas famosas encontra no metro. Nem me esforço minimamente para manter tal registo. É um dom. Uma dádiva. Não se consegue explicar, muito menos ensinar aos menos dotados na área. Pois bem, sabendo eu que o dia ia ser especial, corri logo para o metro. Estava mais que visto que ia encontrar um famoso incomparável. Não m’enganei, mas, verdade, verdadinha, ainda penei. Entrei, olhei, esperançoso, e o máximo que vi foi uma Non Stop. Ainda por cima com remela. Às duas da tarde. Eu também tinha, mas eu tinha acordado há 15 minutos. E, para além disso, a pasta de dentes seca que costumo ter em cerca de 80% da bochecha tem tendência para desviar atenções das remelas e afins. Felizmente, o panorama melhorou. Melhorou e muito. Foi andar mais um bocadinho, olhar para o lado e pumbas! Rão Kyao. Vestindo apenas branco, claro. Parece que, tal como em todas as fotografias que alguma vez lhe tiraram e em todas as suas aparições televisivas, vinha do treino de capoeira ou o Raul Indipwo tinha-lhe entornado vinho num jantar lá em casa e emprestado uma das suas toilettes imaculadamente alvas. Quando era mai’ novo, à eterna vestimenta branca de Rão, eu associava ainda uma outra característica. Comer pevides. Não sei porquê, mas pevides e Rão eram realidades indissociáveis. De certa forma, ver Rão, e não ver pevides, foi uma pequena desilusão. Apesar disso, um momento para sempre recordar. Acabara de ver Rão Kyao, e a minha posição de líder incontestado na arte de encontrar pessoas famosas no metro estava ainda mais cimentada. Estava-me a correr bem o dia, e estava eu deserto para encontrar alguém para poder dizer “Eh pá, vi o Rão Kyao no metro”, quando o impensável acontece: sentado num daqueles bancos de três lugares, e quando fazíamos o trajecto Anjos – Arroios, avisto Júlio Pereira. Absolutamente assombroso. Rão Kyao e Júlio Pereira. No mesmo dia. O senhor flauta de bambu e o senhor cavaquinho no mesmo dia. No mesmo metro, na mesma linha. Não fosse o Rão ter saído no Martim Moniz e eu podia mesmo ter dito “Júlio, sabes quem está ali a ler o Destak? O Rão! O Rão, carago!”. Não se pode ter tudo e convenhamos que ver Rão e Júlio, seguramente dois dos ícones mais complicados de avistar em transportes subterrâneos, num mesmo dia e espaçados por um par de minutos, já é avaria para fazer corar muito gajo com a mania que é uma autoridade nesta cena de ver pessoas famosas no metro. O dia estava ganho. Andei mais orgulhoso que naquele dia em que, na primeira semana de aulas do 5º ano, levei a minha espada do He-man e decapitei um Skeletor que havia na sala de Ciências. Era um Skeletor todo nu, mas eu reconheci-o na mesma. O ingrato do professor é que me queria dar negativa porque, dizia ele, o material escolar não é para ser vandalizado. Os heróis sempre foram incompreendidos. Onde é que matar o Skeletor é vandalizar material escolar? Enfim. Por conseguinte, o dia estava-me a correr às mil maravilhas. O meu orgulho estava nos píncaros. Porque um gajo, mesmo quando já sabe que é o melhor, precisa destas provas. Um gajo precisa dum Rão Kyao e dum Júlio Pereira no mesmo dia. Como o Scorsese, apesar de saber que é bom a fazer filmes e que ainda há raparigas de vinte e poucos anos que não se importariam de o ver nu, precisava do Oscar. A moral desta história de vida é simples, mas arrebatadora. Pá, não subestimes um dia que começa com alguém a dizer "pitbuis" na televisão. São abençoados, esses caralhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-6795959453522655412?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/6795959453522655412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=6795959453522655412&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6795959453522655412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/6795959453522655412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/h-dias-assim.html' title='Há dias assim'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfTR_hwSS2I/AAAAAAAAAA8/ghx0yhQ4AlA/s72-c/888.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-8896153447060557092</id><published>2007-03-09T04:31:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:27.955Z</updated><title type='text'>Factos da vida #8</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfDmPRwSS1I/AAAAAAAAAA0/IhrwweeBASA/s1600-h/808.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfDmPRwSS1I/AAAAAAAAAA0/IhrwweeBASA/s320/808.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5039781133165939538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em caso de incêndio, não utilize o elevador. Utilize água.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-8896153447060557092?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/8896153447060557092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=8896153447060557092&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8896153447060557092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/8896153447060557092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/factos-da-vida-8.html' title='Factos da vida #8'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RfDmPRwSS1I/AAAAAAAAAA0/IhrwweeBASA/s72-c/808.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-1838929555290345865</id><published>2007-03-06T04:45:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:28.165Z</updated><title type='text'>A rua</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RezyyLDBX2I/AAAAAAAAAAs/l2FPz24HUWg/s1600-h/008.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RezyyLDBX2I/AAAAAAAAAAs/l2FPz24HUWg/s320/008.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038669026893586274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alturas em que a minha rua parece uma zona de guerra. Essas alturas podem-se, com absurda propriedade, apelidar de “quase sempre” ou, em termos mais científicos, “às vezes é favor, ò amigo”. Posso começar, como nota introdutória, por antecipar desde já que o racismo, a xenofobia e a intolerância religiosa me chocam. Chocam-me porque não sei como é que é possível detestar as pessoas apenas pela sua cor, nacionalidade ou credos, quando há milhentas razões para detestar as pessoas. A minha rua é uma zona de guerra nesse sentido. Há uma constante guerra de pessoas que me querem enervar, que querem que eu as deteste. Que lutam por isso. O dia na minha rua começa pela paragem num café qualquer. Seja ele qual for, há sempre um gajo que abana o saco do açúcar umas cinquenta vezes a mais que aquilo que é humanamente tolerável. O som dum pacote de açúcar a ser demasiadamente abanado torna-se aflitivo. Fica-se sempre a pensar “bem, o gajo só vai abanar mais esta vez, é impossível ir abanar uma outra vez”. E aquilo só pára quando já está tatuado no cérebro, quando já estamos a pensar se um lança-chamas é coisa para se encontrar numa loja de ferragens e, se sim, se nos emprestarão um só para ir ali ao café fazer uma coisa. Um destes indivíduos que abana muito o pacote de açúcar é normalmente acompanhado por mais dois virtuosos intérpretes dessa arte que é o meter nervos. Um que se insere na mesma família deste primeiro, porque opera ainda na ambiência da bica, e que insiste em mexer o café tantas, mas tantas vezes, que aquilo até faz remoinho. E aquele barulhinho constante da colher a bater na cerâmica da chávena é, para não ser ordinário, enervante com’ò caralho. Foda-se. Curiosamente, o urso que abana muito o pacote, mexe pouco o café, ao passo que o camelo que mexe muito o café, abana pouco o pacote. Curioso, no mínimo. O terceiro espécime, o que completa este maravilhoso trio das sonoridades, é aquele que está a fazer as palavras-cruzadas e carrega neuroticamente na caneta. Neuroticamente significa à volta de 200 cliques por minutos. Parece que a caneta está a ter uma dupla taquicardia. Seja qual for o café que eu escolha, estas três entidades, embora assumindo manifestações físicas diversas, estão sempre lá. A guerrear-se para ver quem enerva mais. Na rua, pode-se afirmar que, e recorrendo a um metaforismo excepcional, se as coisas que enervam forem encaradas como balas, está-se sob o maior fogo cruzado de que alguma vez há registo. Posso até destacar duas entidades que parece que fazem plantão na minha rua, a disparar feitos parvinhos. Por exemplo, o monhé que, todos os dias, me quer oferecer um panfleto do restaurante indiano que vende comida de basicamente todo o lado. É um monhé especialmente caricato porque veste sempre toilettes 100% ganga. Calça, casaco e camisa. Já o vi de chapéu de ganga e tudo, mas deve-o ter perdido, que já há uns tempos que não o usa. Todos os dias ele me tenta dar um panfleto e eu, todos os dias, abro os braços e faço uma expressão de “foda-se, Apu, eu moro aqui, porra! Temos que passar todos os dias por isto?”. Não vale de nada. É estar a abrir os braços e fazer expressões para o boneco. Depois, temos o pessoal das pranchetas. Para quem não é muito versado nesta coisa das coisas e afins, uma prancheta é um utensílio, quase sempre em cartão ou plástico rançoso, que permite colocar sobre si uma folha de papel e escrever sobre esta última. Muitas vezes tem até uma bodega em ferro que permite segurar a folha, para impedir que esta caia ou saia a esvoaçar. Definida a coisa, por certo que ninguém arrebitará cachimbo quando se disser que nunca, em qualquer ponto do planeta, alguém se sentiu melhor ou pensou que valeu a pena depois de ter sido abordado por um indivíduo com uma prancheta. Na minha rua há sempre pelo menos um destes. Driblá-los é lixado, mas eu sou o George Best desta cena. Seja como for, cansa. Também cansava o Best. E enerva. Oh, se enerva. Sobretudo quando os gajos nos tentam encurralar. Ou quando eles correm. Sim, porque se eu sou o Georgie Best do drible a pessoal das pranchetas, há deles que são o Hans-Peter Briegel. Correm e lutam. Saturam o alvo. Já houve bastas ocasiões em que, ultrapassado este cenário de guerra, constato que me havia esquecido de algo imprescindível &lt;st1:personname productid="em casa. Sorte" st="on"&gt;em casa.  Sorte&lt;/st1:personname&gt; a minha que nunca calças e coisas dessas. Mas, ainda assim, coisas que m’obrigam a voltar. E voltar significa ter que fintar as pranchetas e ter que manifestar o meu desagrado mudo ao monhé da ganga mais duas vezes. É um castigo demasiado cruel para um pobre homem cujo único pecado foi ter-se esquecido de algo &lt;st1:personname productid="em casa. Numa" st="on"&gt;em casa. Numa&lt;/st1:personname&gt; dessas ocasiões, enquanto metia a chave na ranhura, presenciei mítica interacção entre António Feio e um utente de esplanada. Após confirmar com um seu companheiro se seria mesmo o actor quem tinha acabado de entrar, o utente de esplanada, quando Tó Feio saia do café, dispara um “Eh pá, és mesmo feio”. Ao que António Feio, habituado a estas andanças do dar satisfações ao público que o idolatra, responde com um “Sou feio, mas tu és parvo”. A próxima tirada sai do lado do utente de esplanada. Diz ele que “Pois, mas és feio”. António Feio, durante toda este intercâmbio argumentativo, nunca abrandou sequer o passo, virando apenas a cabeça para responder ao utente. Depois do “Pois, mas és feio”, Tó envia um “E tu és parvo”. Neste momento, a interacção entra num período de loop. De um lado o “mas és feio”, do outro o “mas és parvo”. Isto até o argumento de António Feio, em progressivo fade-out, se ter desvanecido por completo. O utente, olhando em volta, sorriu, como que procurando felicitações alheias. Esperei que ele olhasse para mim e disse: “quem era aquele?”. Antes que ele tivesse tempo de responder, meti-me dentro do prédio. Não se pode dar trela a esta gentalha. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-1838929555290345865?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/1838929555290345865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=1838929555290345865&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1838929555290345865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/1838929555290345865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/rua.html' title='A rua'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/RezyyLDBX2I/AAAAAAAAAAs/l2FPz24HUWg/s72-c/008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-5739728059423391265</id><published>2007-03-02T04:40:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:28.348Z</updated><title type='text'>Factos da vida #7</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Reeq-Z5S99I/AAAAAAAAAAg/v42ozjYslIE/s1600-h/001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5037182697317005266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Reeq-Z5S99I/AAAAAAAAAAg/v42ozjYslIE/s320/001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;As mulheres cegas têm um quinto sentido&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-5739728059423391265?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/5739728059423391265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=5739728059423391265&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5739728059423391265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/5739728059423391265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/03/factos-da-vida-7.html' title='Factos da vida #7'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/Reeq-Z5S99I/AAAAAAAAAAg/v42ozjYslIE/s72-c/001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-7360340733233809800</id><published>2007-02-27T23:44:00.000Z</published><updated>2008-12-12T23:24:28.445Z</updated><title type='text'>Avareza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/ReTK2Yq9WRI/AAAAAAAAAAM/wXq7VtpXFr4/s1600-h/800.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036373318991436050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/ReTK2Yq9WRI/AAAAAAAAAAM/wXq7VtpXFr4/s320/800.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir ao supermercado é sempre descobrir algo mais sobre nós próprios. Fui ontem. Pouco depois de entrar, vi, em estreia mundial, um corcunda às compras. Finalmente. Sempre quis confirmar determinado aspecto. É que a melhor parte da vida de um corcunda, pensava eu e pude comprová-lo &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt;, é quando eles têm que se deslocar a espaços comerciais. É impossível um corcunda ir ao supermercado e as pessoas não ficarem a pensar que é apenas um indivíduo que está a tentar levar coisas debaixo do casaco, tentando-se furtar a pagamentos. A questão é que, apesar disso, ninguém tem coragem de confrontar o corcunda e dissipar, de vez, essas fortes desconfianças. Logo, os corcundas podem levar sempre coisas ali na zona da bossa, que ninguém os vai obrigar a tirar o casaco. E eles aproveitam esta inacção, que eu bem sei. Eu faço ideia a quantidade de Bollycaos que aquele corcunda levava debaixo do casaco. Faz ele bem, têm que se aproveitar esses vazios legais. À pala deste esquema milenar é que o Quasímodo sempre foi indivíduo muito bem alimentado. O corcunda meteu-se na bicha da chamada caixa prioritária. E foi nesse instante que m’apercebi de algo absolutamente coiso. Esta caixa, diz o desenho, dá prioridade a três entidades. Entidade primeira: grávidas. Faz sentido. Estão sempre cansadas, com fome e vontade de lançar fluidos cá para fora. Quase sempre urina ou vomitado. Além disso, palavra de honra, rebentamento de águas deve ser a antepenúltima coisa que quero ver na bicha do supermercado. Entidade segunda: senhoras com bebés ao colo. E também faz sentido. Nada a apontar. Os bebés, quando choram, produzem um som particularmente enervante. E, quando não choram, obrigam as criaturas de supermercado a fingir um sorriso, a fingir que têm coração e que são pessoas. Uma chatice. Assim, há que dar prioridade à senhora que tem o bebé, para ver se se põem a andar e o supermercado poder voltar à sua acústica natural e à sua dinâmica de total ausência de sorrisos e felicidade. Entidade última e terceira: indivíduos em cadeiras de rodas. Mau, aqui é que me cheira a incoerência. É verdade que é melhor que daquela vez que me cheirou a incontinência, mas, ainda assim, é coisa para gerar desconfiança junto da minha individualidade. Mas desde quando é que esperar sentado é pior que esperar em pé? Que lógica distorcida é esta? Se está sentado, muita sorte tem esse sujeito em não lhe passarem todos à frente. Aliás, se for uma grávida em cadeira de rodas e com um bebé ao colo, devia mais é esperar na bicha como toda a gente. Se está sentada, o que estiver no colo e no útero deixa de contar como desvantagem. Cadeira de rodas anula bebés. Se está sentada, seja onde for, temos pena, mas a vida custa a todos e temos todos pressa, ò camarada. Assim com'assim, a descoberta pessoal de que falei lá mais acima, em nada está relacionada com estas ocorrências. Está, isso sim, relacionada com a constatação inequívoca de um facto. Não nego que já desconfiava ter uma muito peculiar natureza avarenta. Não avarenta no sentido mesquinho do termo, não no sentido do apego doentio ao carcanhol. Isso não tenho. É outra coisa. Tenho é algo que me, por exemplo, e entre outras coisas, me leva a que, quando sai demasiada pasta de dentes do tubo, eu tente meter o excesso lá dentro outra vez. Nunca consegui, é certo, mas pode ser que um dia consiga, senhores Colgate e Pepsodent e isso assim. Sim, porque eu bem sei que a vossa opção pelas bisnagas não é inocente. Nunca ninguém se questionou relativamente ao monopólio dos tubos no que aos dentífricos diz respeito, mas eu já. Esta indústria sabe bem que, mais dia, menos dia, vai acabar por sair pasta a mais e, com isso, está a privar o cliente daquilo que pagou e, claro, a obrigá-lo a comprar outro tubo mais cedo do que era suposto. Eu conheço bem os vossos subterfúgios que visam somente o lucro exploratório, Colgate e Pepsodent e assim isso. Portanto, quando sai pasta a mais, tento meter lá dentro a pasta que sobra. Sempre. Algum dia hei-de conseguir, senhores da indústria dentífrica, e depois logo vemos quem é que se ri. Vemos, vemos. Ora, pensava eu, a minha avareza operava apenas neste género de iniciativa, de que a pasta de dentes é mero exemplo ilustrativo. Mas não. Vai muito para além disso. A epifania no supermercado tornou-se visível na forma de uma caixa de Milfarin. Sim, eu estava com uma caixa de Milfarin na mão. Para quem não conhece tal realidade, adiante-se que a Milfarin é – nome científico – “uma Cerelac das baratas”. E, rai’s parta, quando a avareza dum indivíduo vai ao ponto da sua mente se convencer que a Milfarian, da Miluvit, é melhor que a Cerelac, da Nestlé, algo de muito forte o move. Algo que vai muito para além da tentativa desesperada de meter a pasta de dentes outra vez no tubo. Se consigo, sem sequer hesitar, levar Milfarin em vez de Cerelac, torna-se óbvio que tenho um brutal super-poder. Mais um, aliás. Estava o dia ganho. Abalei do supermercado, de punho em riste. Fui fazer uma capa. É o que me falta, que collants sempre usei. Já na rua, a caminho de casa, vejo o corcunda. Está a comer uma torta Dan Cake. Mas eu bem vi que só comprou uma caixa de fósforos. Assim é que é, malandro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-7360340733233809800?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/7360340733233809800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=7360340733233809800&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/7360340733233809800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/7360340733233809800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/avareza.html' title='Avareza'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/ReTK2Yq9WRI/AAAAAAAAAAM/wXq7VtpXFr4/s72-c/800.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117218445591162775</id><published>2007-02-22T22:47:00.000Z</published><updated>2007-02-23T11:55:53.503Z</updated><title type='text'>Factos da vida #6</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/802269/Sala.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/82681/Sala.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo da Vinci é o mais carismático homem da Renascença. Logo a seguir a António Sala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117218445591162775?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117218445591162775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117218445591162775&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117218445591162775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117218445591162775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/factos-da-vida-6.html' title='Factos da vida #6'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117190064298302961</id><published>2007-02-19T15:27:00.000Z</published><updated>2007-02-19T19:47:04.016Z</updated><title type='text'>Preguiça</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/685477/08.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/443370/08.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Assim em termos de características de carácter mais terreno, por oposição àquelas de natureza mais sobrenatural que formigam na minha mui humilde pessoa, diria que sou um tudo-nada calão. Embora se trate de um dos sete pecados capitais, acaba por não ser nada de muito notório e vê-se facilmente diluído no mar de qualidades que banha a minha personalidade. É unânime que a preguiça é um conceito sempre discutível. Por exemplo, há quem defenda que deixar o rolo de papel higiénico com uma amostra ínfima de papel é razão suficiente para não ter que o trocar. Eu sou, objectiva e declaradamente, apologista desta tese. Porquê? Simples. A regra social dita, apenas e só, que quem acabar o papel é obrigado a trocá-lo por um rolo novo. Só isto. Não refere quantidades de papel. Menciona apenas um momento: o fim do rolo. Fim é fim. É nada. Nicles. Zero. O vazio. Se há papel, mesmo que mínimo, não é fim. Há pessoas que não percebem isto. Não percebem que não cabe ao indivíduo decidir, a seu bel-prazer, a existência de uma quantidade mínima aceitável de papel para se não ter a obrigação moral de trocar o rolo. Deixar isto ao critério de qualquer um seria a barbárie. E ninguém deve pactuar com barbáries que gravitem à volta de rolos de papel higiénico. A regra é clara. Ainda em relação ao fenómeno que algumas entidades apelidam de “preguiça”, é verdade que já me aconteceu, e bem mais que uma vez, ter que apanhar umas boas horas de má televisão porque não tinha o comando à mão. O erro foi meu, claro. Sentar-me sem certificar que o comando ficara alcançável pelo braço, ou pé, é erro de principiante. Mas, de quando em vez, lá calha. E não há outro remédio se não aguentar até que alguém venha e eu possa, finalmente, dizer “porra, ainda bem que chegaste! Passa-me o comando ou muda-me aí de canal.”. Se, quem entrou, inquirir, incrédulo, há quanto tempo estava eu à espera, digo “há pouquinho, há pouquinho. Ia-me levantar mesmo agora, mas ouvi-te chegar…”. É mentira, claro, mas já percebi que há para aí muito boa gente que gosta de atirar logo com a expressão “preguiçoso da merda” à mais pequenina coisa. E eu não estou para  ser metralhado com ofensas gratuitas só por causa dos meus credos. Já agora, é bom que se diga que, bem pior que não ter o comando à mão, é aquela situação em que pegamos nesse genial utensílio, sentamo-nos e, quando tentamos ligar a TV, percebemos que alguém desligou a porcaria da caixa que mudou o mundo no botão. Isto não se faz a ninguém. Já há muito que devia ser uma alínea na Declaração Universal dos Direitos Humanos: a televisão é para deixar no stand-by! Não vá um indivíduo fazer tudo bem – ou seja, sentar-se munido do comando, sem mácula, sem erros de principiante, confiante –, e depois, desprovido de qualquer partícula de culpa, ver-se obrigado a sofrer daquela forma. Poucas sensações serão piores que a de carregar num comando à distância e perceber que a televisão está desligada no botão. Mas, vá lá, isto acontece-me muito excepcionalmente. A outra hipótese é mais recorrente. Lembro-me que, à espera que alguém viesse para me passar o comando, fui obrigado a ver um documentário, de absurda duração temporal, sobre o Michael Bolton. Até não foi tão pavoroso como se esperaria. Sempre deu para eu perceber que, durante uma boa meia dúzia de anos, andei a trocar o nome do Michael Bolton com o do Kenny G e vice-versa. Só se o documentário foi sobre o Kenny G e, nesse caso, ainda os confundo. Recordo ainda, com saudade putrefacta e auto-mutilativa, um “70x7” que vi de alto a baixo, onde se discutiram os novos caminhos do Ecumenismo. Numa outra ocasião, vi uma Taça Ibérica de hipismo inteirinha. Curioso é que, se me perguntassem antes, diria que não aguentava mais de cinco segundos a ver qualquer desporto equestre. O que, em certa medida, até se poderá considerar estranho, quanto mais não seja porque um desporto que consiste num gajo montado num cavalo a saltar muros, sebes e poças tem tudo para ser idolatrado. Uns cinco segundos, dizia eu, era o que aguentaria a ver hipismo. Mas naquele dia, com o comando a exigir locomoção, testei as minhas capacidades. E, já se sabe, um gajo, quando se lhe disparam os instintos mais básicos, faz coisas que nunca julgara serem possíveis. Isto é um bocadinho como aqueles indivíduos em África que não se importam que a ajuda alimentar seja sempre aquele milho ou não sei quê em pó em sacos de serapilheira ou um qualquer material sintético de funcionalidade idêntica. Nunca os vi torcer o nariz e dizer “porra, outra vez isto? Quando é que é bitoque?”. Ou gambas, vá. E porquê? Porque a necessidade, a carência e a míngua, isso fortalece as pessoas. Leva-nos a estádios comportamentais, níveis de sofrimento, que nunca julgáramos alcançáveis. É que, da mesma maneira que os africanos com fome têm que gramar com sacos e sacos daquele granulado amarelo, eu tive que aturar o hipismo, o “70x7” e o Kenny G. Num caso, temos a fome. No outro, a total ausência de vontade em me levantar para ir buscar o comando. Em ambos, o drama. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117190064298302961?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117190064298302961/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117190064298302961&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117190064298302961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117190064298302961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/preguia.html' title='Preguiça'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117174533365057175</id><published>2007-02-17T20:48:00.000Z</published><updated>2007-02-18T14:10:03.200Z</updated><title type='text'>Factos da vida #5</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/545063/Mulher.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/758623/Mulher.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova suprema que Deus é um homem assenta no facto de os homens nunca terem que gerir estas três realidades em simultâneo: mijar muito, mijar sentado e casas de banho públicas. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117174533365057175?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117174533365057175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117174533365057175&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117174533365057175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117174533365057175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/factos-da-vida-5.html' title='Factos da vida #5'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117096398274724313</id><published>2007-02-08T19:46:00.000Z</published><updated>2007-02-08T19:54:19.400Z</updated><title type='text'>Dez cores</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/956621/800.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/193322/800.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É verdade que, de certa forma, já se poderá, nesta era de tamanha hibridez e frequentes “que caralho era aquilo?”, considerar um truísmo quando se diz que a identificação de um homem é acção que extravasa em muito a posse ou não de uma pila. Mas é. Clara e inquestionavelmente, é. Há indivíduos que têm pilas e não são homens. Os exemplos são por de mais conhecidos e enumerá-los seria um fastio para todos nós. Mas, pronto, aponte-se só um, para não deixar ninguém completamente à nora. Dina. Realce-se, também para que se evitem desde já boatos caluniadores a respeito de como adquiri esta informação, que eu e o urologista de Dina registamos o Euromilhões no mesmo sítio. E quem partilha frases como “olhe, meta-me aí dois da máquina”, acaba sempre por partilhar também estas coisas. Tal como existem indivíduos que, não tendo pilas, são homens. Gajos que tiveram acidentes e assim. Por isso é que nunca usei uma rebarbadora nu. Nem um berbequim. Mesmo lixadeiras, no máximo, só de cuecas. E já só uso calças com botões. Não confio em fechos-éclair e, até acaba por ser mais isto, não tenho grande confiança na minha capacidade de discernimento enquanto garante de “arrumar tudo antes de puxar o dito fecho para cima com toda a força”. É uma questão de cautela. Para lá dos acidentes, há que contar ainda com gajos que insistem em fazer apostas quando estão bêbados. Um bêbado acha que consegue sempre tudo. Um bêbado acha que consegue sempre tudo com a pila. Perante este encadeamento lógico de pressupostos, é fácil concluir que se perde muito falo em apostas de bêbados. Portanto, indivíduos sem pila podem perfeitamente ser homens no sentido ideológico do termo. Como indivíduos sem tomates também o podem ser, claro. Aliás, diga-se em abono da verdade que, e louvando ao mais alto nível, que é aqui, a coragem destes infligidos em particular, é preciso ter tomates para ser castrado. Literalmente. O desafio de, em pleno século XXI, definir hOmem, com “o” grande à Pinto da Costa versão João Domingos Silva Pinto, assentará com certeza numa série de critérios ou directrizes, mas, ficou patente, não se trata tão somente de uma questão de posse de pila ou privação da mesma. Isso é demasiado redutor. Mais que ter ou não ter, um homem define-se, e só para citar a forma mais perfeita de o fazer, pela sua erudição e sensibilidade quando se trata de lidar com o pitoresco mundo das cores. Falta delas, entenda-se, claro está, como é óbvio e logicamente. Delas, sensibilidade e erudição, logicamente, como é óbvio, claro está e entenda-se. Há algo no homem que o impede de processar mais que dez cores. Sendo elas, as tais processáveis, o verde, o vermelho, o branco, o preto, azul, amarelo, castanho, laranja, rosa e cinzento. É esta a discriminação de cores que o código masculino possibilita e admite. E isto é no máximo, embora existam homens cuja faculdade discriminatória relativamente a cores roce números bem abaixo da dezena. Bem, para além das dez, grená ainda é aceitável, devido ao lendário Desportivo de Chaves e ao seu equivalente espanhol, um tal de Barcelona. Roxo e lilás, por exemplo, já são cores que não encontram consenso entre os teóricos quando se trata de estabelecer uma relação causal entre o seu reconhecimento e a natureza masculina. Mas, se se tratar de algo para além destas, já de si rebuscadas, excepções, há muito que deixámos território masculino para entrar em condados femininos. Um homem, quando confrontado perante supostas cores como “azul furtivo”, “ciano”, “magenta” ou “turquesa”, dirá sempre, e respectivamente, “furtivo!?!? mas é azul na mesma, n’é?”, “hã?”, “hã?” e “hã?”. Ao passo que uma mulher, não só saberá de imediato que aquilo são cores, como ainda saberá facilmente de que cores se trata. E, pior que isso, até as conseguem definir por palavras. Os homens preferem, em tudo, as definições por “vou apontar para uma coisa que seja mais ou menos parecida”. Ora então, mais que decretar número de hormonas e outras balelas de suposto suporte científico, importa esclarecer que um homem saberá tanto o que raio é coral, carmesim, lavanda ou alfazema, como uma mulher alguma vez saberá realmente o que é um fora de jogo e todas as suas particularidades. É uma questão de tento. As cores e a Lei XI sempre disseram mais que qualquer laboratório alguma vez dirá.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117096398274724313?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117096398274724313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117096398274724313&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117096398274724313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117096398274724313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/dez-cores.html' title='Dez cores'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117080413966746252</id><published>2007-02-06T23:19:00.000Z</published><updated>2007-02-06T23:23:16.083Z</updated><title type='text'>Factos da vida #4</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/90668/Rio%20de%20lava.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/828236/Rio%20de%20lava.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém tem pé num rio de lava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117080413966746252?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117080413966746252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117080413966746252&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117080413966746252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117080413966746252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/02/factos-da-vida-4_06.html' title='Factos da vida #4'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-117017508364366400</id><published>2007-01-30T16:19:00.000Z</published><updated>2007-02-01T11:58:56.816Z</updated><title type='text'>É tudo uma questão de coiso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/608624/8.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/41870/8.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;É a segunda vez que cá venho. Mas a primeira para ser realmente atendido. No caminho para o consultório, há um elevador. Uso-o, claro. Ainda bem que é dos modernos. Nos velhos, aqueles com uma porta de correr em madeira, esqueço-me sempre disso e ainda fico uns bons segundos, dentro do elevador, à espera que aquilo arranque, sem perceber por que raio ainda não arrancámos. Quem diz segundos, diz minutos. E quem diz minutos, diz tardes inteiras. Mas eu tenho que adivinhar que fechar a porta de correr é decisivo no arranque do elevador? E, para além de adivinhar, ainda tenho que me lembrar disso sempre que apanho com um elevador destes? Vá lá que aquele é dos modernos. Entro e já lá está um indivíduo de fato. Deve ter vindo das garagens. Marco o andar para onde vou. Que é o primeiro. Depois de carregar no número um, noto uma certa expressão no indivíduo de fato. Uma expressão de “mas este gajo vai usar o elevador só para subir um andar? Francamente!”. Sim, vou. Você, indivíduo de fato, não sabe se eu posso subir escadas. Se eu não puder subir escadas, é igual se se trata de um andar ou de mil milhões de andares. Processo a expressão dele e, só para provar que não sou de guardar rancores, ao sair, carrego nos botões todos e ainda finjo um coxear absurdamente bem interpretado. Material de Óscar, se fosse num filme. A porta do consultório é daquelas que chia. Logo, está mais que visto que vou ter um monte de gente a olhar para mim quando entrar. Gente a olhar é das coisas mais irritantes que existe. Enerva mais que aquelas pessoas que andam na rua com um monte de moedas a ouvirem-se nos bolsos. Mas ninguém lhes troca aquilo por uma nota? Então usem calças com bolsos mais pequenos e menos largueirões, olha a porra! Tenho que andar a ouvir mealheiros humanos a abanarem-se ao meu lado? Abri a porta devagar, para aquilo chiar menos. Como se fosse um assassino. Caraças, como era bom ter-me lembrado de trazer um facalhão de cozinha ou um cutelo. Só para ver a reacção daquela gente que tanto gosta de olhar para quem aí vem. A verdade é que nunca conheci ninguém que tivesse um cutelo em  casa. Os assassinos usam cutelos. Logo, nunca conheci um assassino. Isto da lógica é realmente fascinante. Acaba é por dar vontade de aparar as cartilagens de quem a inventou com uma tesoura de podar. Mas, se exceptuarmos isso, até é jovial. Atravesso a sala de espera do consultório e sento-me num lugar que me permite alcançar as revistas sem ter que me levantar. Assim, evito que esta gente que adora olhar olhe para mim outra vez. Fico suficientemente perto dum casal para lhes ouvir a ligeiríssima discussão. Querelam num tom calmo, mas nem por isso menos assanhado. Noto isso pela forma como rangem os dentes. Já com uma Nova Gente no colo, oiço o elemento feminino do casal. Mas eu sabia lá que os enchidos caíam mal à tua mãe, Vasco? (disse ela) Não são os enchidos, é a farinheira. Morcelas ela come. E de chouriço não gosta muito, mas não lhe cai mal. É só a farinheira. (disse ele) Ficaram-se por ali. Mas o assunto claramente não ficou. Fito a capa da Nova Gente. Serenella Andrade. A impressão de que seria a Nova Gente a ilustrar a sua primeira página com uma moça descascada e em idade parideira invade-me a mente e passo logo para lá. Para a primeira página. Cá está, é mesmo a Nova Gente que faz isso. A moça em questão diz que é inglesa e sonha em ser actriz ou apresentadora de televisão. Tem uma espécie de top transparente em rede e tons de camuflado e com uns guizos. Um bocado confuso. Tenho que desfocar o olhar para lhe apreciar as formas. Simpáticas. Mas desfocar o olhar ainda cansa. Preciso de coisas mais objectivas. Deixa cá ver as outras páginas. Nada de jeito. O Rod Stewart em tronco nu num iate e um Príncipe Alberto do Mónaco a dizer que o filho da emigrante subsariana não deve ser dele. E eis que me vejo chegado à reportagem sobre a Serenella Andrade. Que, fiquei a saber logo ali, tem a família mais feia a já ter marcado presença numa revista. Um marido, dois filhos e uma filha. Diz a revista, que eu nem consegui distinguir géneros, nem funções. Há mais quatro pessoas na sala de espera do consultório. Uma mãe com um filho pequeno. Quando olhei para eles, a mãe estava a lamber um dedo e logo tentou tirar um bocado de chocolate seco da cara do filho. Há coisas que só com cuspo, realmente. E a casa de banho do consultório ainda era longe. Um bom par de metros ou coisa que a valha. Os outros são, também eles, uma mãe e um filho. Mas este filho já é grandinho. Está a brincar com o telemóvel. Está naquela idade em que estão sempre maldispostos. Treze, catorze anos. Aquela altura em que ser visto em público com os pais é a melhor coisa do mundo. Faz questão de ter som nas teclas, este púbere enjoado. Questiono-me. Haverá homicídio mais em legítima defesa que isto? Alguém me condenará, até moralmente, se eu atirar a mesa onde estão as Nova Gente contra a cara desta criatura? Distraio-me e fico com o pasmo por momentos. Lembro-me que nunca paguei uma multa por não ter rebobinado as cassetes de vídeo. Isto é profundamente meritório. Elemento biográfico digno de figurar num Curriculum Vitae de craveira mundial como é o meu. Os gajos do videoclube até são malta para me dar um certificado ou pôr um carimbo. De certeza que mantêm registos destas coisas. Não faz sentido que não tenham. Não sei é o meu número de sócio de cor. Nem sei do cartão. Será que basta o nome? Ou aquilo já fechou? Ainda se alugam cassetes de vídeo sequer? Saio do pasmo porque toca o telemóvel do elemento masculino do casal. Percebi que estive este tempo todo com a Nova Gente aberta na primeira página, onde está a tal rapariga britânica de vestes apertadas, transparentes, rendilhadas, camufladas e com guizos. Nem sei se alguém reparou. Giro era eu agora ir à casa de banho com a revista. Será que se pode levar a revista para a casa de banho? Será que se eu me deslocar na direcção da casa de banho com a Nova Gente debaixo do braço, alguém me vai dizer que não posso? Bem, fica como um dos grandes mistérios da vida. O casal que discute interrompe-me mais um pensamento extraordinário. Era a minha mãe. Ainda está mal do estômago. (disse ele) Telefonou-te para te dizer que está na mesma? (estranhou ela) Que queres que te diga? É da farinheira. (isto foi ele que disse) Se não podia comer, não comesse, não é? Não viu logo que era farinheira? Por amor de Deus, Vasco. (agora foi ela) Ela não distingue farinheiras de morcelas. Quando fores operada às cataratas quero ver se consegues. (partiu dele, este desafio) Pois, pelos vistos as coisas devem passar a ter o mesmo sabor e tudo. (lá resmungou ela, já muito entre dentes) A recepcionista do consultório chama-me. Sou eu. Ganhei a esta gente e vou ser atendido primeiro. Faço um ar triunfante quanto atravesso a sala de espera. Pode entrar. O Doutor está à sua espera. (sorriu-me a recepcionista) É feia. Não sorri de volta. Não quero cá psicopatas a olhar para mim porque pensam que têm hipótese. Já me basta aquela gente que olha porque a porta chiou. Dirijo-me ao consultório propriamente dito. Reparo que recepcionista feia se referiu ao dentista como o doutor. Um homem, portanto. Mau presságio. Preferia que fosse uma senhora. Mais sensível e, enfim, essencialmente sem mãos de homem. Prefiro que quem me cuida dos dentes não consiga partir um frango com as mãos e peça sempre ajuda para abrir frascos. Entro e, olha, o indivíduo de fato que estava no elevador. Está cá dentro. Mas agora está de bata. Se calhar devia-me ter logo arrependido de não ter sido muito simpático para ele no elevador. Mas achei melhor deitar-lhe um olhar de tal forma eloquente que ele percebeu perfeitamente que se me aleijasse um bocadinho que fosse por despeito, eu arrancava-lhe a mão à dentada. Aliás, não lhe lancei olhar expressivo nenhum. Disse-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-117017508364366400?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/117017508364366400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=117017508364366400&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117017508364366400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/117017508364366400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/01/tudo-uma-questo-de-coiso.html' title='É tudo uma questão de coiso'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116991602952965486</id><published>2007-01-27T16:39:00.000Z</published><updated>2007-02-05T22:38:19.166Z</updated><title type='text'>Factos da vida #3</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/681713/Barbie.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/200/287723/Barbie.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linha que separa o romantismo da depravação é muito ténue. Atente-se no exemplo prático. Se dissermos que a nossa namorada é uma bonequinha, as pessoas sorriem e chamam-nos românticos. Junte-se “insuflável” à equação e já somos depravados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116991602952965486?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116991602952965486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116991602952965486&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116991602952965486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116991602952965486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/01/factos-da-vida-3.html' title='Factos da vida #3'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116908539006111485</id><published>2007-01-18T01:52:00.000Z</published><updated>2007-01-18T04:58:49.836Z</updated><title type='text'>Outra vez aquilo do Português de Sempre</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/277813/Top%20ten.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/400/338892/Top%20ten.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é então conhecida a dezena de nomes de onde vai sair o Maior Português de Sempre. De fora, comprovando que isto de não ter um grupo de pressão é a morte do artista, ficou o inventor da maior harmonia que o mundo já testemunhou, os já anterior e muito justamente vangloriados jaquinzinhos com arroz de tomate. O facto de não se saber quem raio inventou tal iguaria também pode ter pesado na altura de o nomear como Melhor Português de Sempre. Percebo que as pessoas, quando se trata de nomear, precisem de um nome. As pessoas precisam destas facilidades. Por isso, e só por isso, não me escandaliza que o pioneiro na arte de juntar jaquinzinhos a arroz de tomate tenha ficado arredado da luta. Apartada que foi a minha primeira preferência, passo para o meu segundo favorito. Aquele que, objectivamente, mais fez e, sobretudo isso, continua a fazer pelos portugueses. Por este prisma, apenas uma leitura é válida. Leve-se isto realmente a sério e, pura e simplesmente, apure-se quem nos deu mais feriados. Ora, seguindo uma ordem essencialmente genial dos dez finalistas, comece-se por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;D. Afonso Henriques&lt;/span&gt;. Ao foder Espanha, Afonso tornou-se o pai da pátria portuguesa. Supõe-se que Espanha será a mãe. Não é lá muito claro, mas deve ser isso. A irmã de Afonso, Sancha Henriques, é a tia da pátria portuguesa. O filho dela será o primo de Portugal e por aí fora. Isso vale o que vale. É verdade que, se não existisse país, não existiam feriados. É a sua, de Afonso, grande virtude, mas não chega. A sede por feriados cega-nos e não nos permite fazer essas desconstruções lógicas. É tudo muito simples e directo. Não há feriados? Então adeusinho, obrigadinho, saudinha, mas isto não é concurso para o teu bico, Afonso. Passe-se desde já para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Álvaro Cunhal&lt;/span&gt;. Ajudou a que o vinte e cinco de Abril fosse um feriado e, uns belos anos antes, alguns camaradas proletários conseguiram sacar o primeiro de Maio. Com a boa vontade que me caracteriza, e juntando as duas semi-participações, vou considerar que nos deu um feriado. Nada mau, fossem todos assim, Álvaro. Porque a vida é cheia de ironias, segue-se-lhe o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Salazar&lt;/span&gt;. Conquanto o já supradito vinte e cinco de Abril tenha, enfim, também alguma coisa de Salazar, o que há a reter da acção deste indivíduo é que, em quarenta anos a mandar vir, nem um feriado impulsionou por vontade própria. E isso é, numa palavra, francamente fodido. Foi um homem ruim e, li algures, ou sonhei, é-me igual e em termos de factualidade a segunda hipótese até é mais factível que a que lhe precede, que o senhor chegou a querer transformar o sábado numa segunda-feira. Era um indivíduo belzebútico. O próximo atleta dá pelo nome de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aristides de Sousa Mendes&lt;/span&gt;. Consta que o grande feito deste senhor foi passar vistos a Judeus. A Lista de Schindler era para ser sobre ele, mas “Mendes’s List” soava mal e isto, ao fim e ao cabo, é tudo fonética. E feriados, Aristides? Nem vê-los. A culpa não será só dele. O mínimo que os Judeus podiam ter feito era dar-nos um dos seus feriados. Mas já se sabe como essa gente é só unhas-de-fome e não dá nada a ninguém. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fernando Pessoa&lt;/span&gt; é o nome que se segue. Parece que se ajeitava com as rimas e tinha um bigode e amigos imaginários, com apelidos e tudo. A estátua dele tem a pena cruzada à homenzinho, é certo, mas aquilo é posição para a deixar dormente em pouco tempo. Não é sinal de grande inteligência. Toda a gente sabe que convém ir trocando, e ele, bem vistas as coisas, acaba por ter sempre a mesma perna cruzada. Mas, mais importante que tudo isso, Pessoa, ler até distrai, amigo, mas feriados dá para ir à praia a meio da semana. Lamento, Nando. Siga-se para o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Infante D. Henrique&lt;/span&gt;, o mentor dos descobrimentos. Há quem diga que foi o pioneiro dessa beleza que é a globalização. A verdade é que não passava dum beato com um chapéu ridículo que mandava os outros andar de barco. Tinha medo que se pelava do escorbuto, por isso está explicado o facto de tresandar sempre a laranjas. Não nos deu feriados e andar de barco enjoa. Na melhor das hipóteses, é um concorrente chocho. Aproxima-se outro rei. Desta vez, o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;D. João II&lt;/span&gt;. Nos filmes, a sequela só excepcionalmente vence o original e com os reis deve ser igual. Diz que esta sequela do D. João era o príncipe perfeito e é lembrado por ter deixado a sua rubrica no tratado de Tordesilhas. Com isso, garantiu-nos o Brasil. A parte positiva disto é que, se não tivéssemos ficado com o Brasil naquela altura, hoje ninguém se entendia quando fosse à Telepizza. Porque, apesar de tudo, português do Brasil ainda se compreende melhor que castelhano, obrigado, João II. Mas, ainda assim, não é um feriado. E eu até sei dizer queijo e fiambre em castelhano. Jamón e queso. E eles devem perceber “mucha cebolla” e “mucho atuno, gracias”. Logo, não me serviste de muito. E eis que se chega ao &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Camões&lt;/span&gt;. Os Lusíadas deram-nos algum feriado? Não. Embora o dez de Junho, data da morte de Camões, seja feriado. Neste sentido, é complicado não encarar o “bater as botas” como o maior feito de Camões, relegando “Os Lusíadas” para um patamar de absurda secundariedade. Camões, não é nada de pessoal, mas, caraças, em vida, dás-nos um livro. E dos grossos, de poesias. Quando morres, dás-nos um feriado. É suposto valorizarmos o quê, Luís Vaz? Até tu compreendes, vá. Aproximemo-nos do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Marquês de Pombal&lt;/span&gt;. É perto da estátua dele que se festejam as vitórias, portanto, deve ter sido uma figura importante na História do futebol português. Mas não gerou feriados. E acho que usava capachinho. Finalmente, o décimo sujeito. O &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Vasco da Gama&lt;/span&gt;. Descobriu o caminho marítimo para a Índia. Que, pasme-se, parece que era pelo mar. Ele há coisas que não lembram ao diabo, realmente. Não deu feriados a ninguém e o caril faz-me dor de cabeça. Estar nos “dez mais” já é exagero suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conseguinte, o que sobressai desta inatacável decomposição é o facto de nenhum dos dez finalistas se ter destacado grande coisa nessa arte de nos presentear com feriados. E a revolta é o único sentimento válido quando se torna óbvio que, fora dos nomeados, ficou um indivíduo que, em termos de feriados, arrasa com os dez finalistas todos juntos e multiplicados por um número não maior que três. Exactamente! Jesus! Português, natural de Belém, terra dos pastéis, e Messias de profissão, parece que passava as férias de verão na Nazaré. Só assim se percebe que muitas vezes se refiram a ele como “Jesus de Nazaré”. Eu lembro-me de chamarem Chico da Caparica a um amigo do meu pai, e era porque ele passava as férias na Costa. Pois bem, Jesus, nascido em Belém, veraneante na Nazaré, era filho de Maria e o seu padrasto respondia pelo nome de José. Mais nacional que isto é complicado e, à luz dos factos, Jesus foi inequivocamente o melhor português de sempre. Repare-se só nesta categoria a arranjar feriados. Deixa-nos um feriado porque nasceu. Deixa-nos um feriado porque o mataram na cruz. Deixa-nos mais um feriado porque faltam não sei quantos dias para essa altura em que o crucificaram. Mas há mais! Há mais. Para além disso, Jesus conseguiu ainda, e se isto não é revelador de grandeza, eu não sei o que será, fomentar alguns feriados que nunca, mas nunca mesmo, calham ao fim-de-semana. Isto é absolutamente magnânimo! Isto sim, capta a essência que se exige a um feriado. O Carnaval é sempre a uma terça e a sexta-feira santa é sempre num dia de semana que agora não me lembra. Mas sei que não é ao fim-de-semana. Há um outro feriado, por causa do pai biológico de Jesus, que é sempre a uma quinta-feira algures no Verão. Sim, porque, a juntar aos feriados de Jesus, ainda há uma série de feriados que devemos agradecer aos seus amigos e família. O quinze de Agosto e o oito de Dezembro, por causa da mãe de Jesus, e o primeiro de Novembro, por causa dos seus amigos de sempre, os santos. Isto é que é ser grande. Isto é que ser melhor. A única coisa que se lhe pode apontar, porque Jesus, como todos os grandes e melhores também teve falhas, foi o de ter ressuscitado a um domingo. Agora a Páscoa é sempre nesse dia e é um feriado desperdiçado. É pena. E com uma segunda-feira ali tão perto, Jesus. Tão perto, chiça.&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116908539006111485?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116908539006111485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116908539006111485&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116908539006111485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116908539006111485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/01/outra-vez-aquilo-do-portugus-de-sempre.html' title='Outra vez aquilo do Português de Sempre'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116897206399674495</id><published>2007-01-16T18:22:00.000Z</published><updated>2007-01-16T18:27:44.360Z</updated><title type='text'>Factos da vida #2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/504063/acordeao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/200/589036/acordeao.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem diz que nunca é demasiado tarde para aprender, nunca teve um vizinho a dar os primeiros toques de acordeão às cinco da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116897206399674495?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116897206399674495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116897206399674495&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116897206399674495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116897206399674495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/01/factos-da-vida-2.html' title='Factos da vida #2'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116878414174915553</id><published>2007-01-14T14:13:00.000Z</published><updated>2007-01-14T20:39:41.430Z</updated><title type='text'>Aquilo do Português de Sempre</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/514359/Portugueses.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/400/766430/Portugueses.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;E diz que é já hoje que se ficam a conhecer os dez finalistas desse animado certame que é a eleição d’O Maior Português de Sempre. Maior ou melhor, sei lá. Por princípio, deve ganhar um indivíduo que já tenha morrido. Quem já morreu sabe sempre mais do quem cá fica. As pinturas valem mais, os livros, os filmes e as cantigas são sempre melhores. É lixado, mas é assim que funciona desde há muito. Por exemplo, se eu fizesse uma directa e escrevesse “Os Lusíadas”, aposto que o maior elogio que me faziam era um “olha, que giro, isto rima sempre linha sim, linha não”. E, no máximo dos máximos, era só isto. Mas se for escrito por um gajo que já morreu, ah, aí já toda a gente diz que é muito bom e que é um marco inigualável na nossa literatura e, óbvia, clara e objectivamente, também na do mundo. Pois bem, Camões, ficas a saber que, independentemente do quão bom, grande ou melhor tenhas sido enquanto português, eu consigo, sem grande esforço de qualquer espécie, encontrar dez coisas em que sou bem melhor que tu. E o mesmo se aplica a todos os nomeados dessa corrida do melhor português de sempre. Ou maior, seja lá o que for. E, portanto, tu, Camões, és garantidamente pior que eu nos seguintes aspectos: jogar à bola; ter um nome mais lixado para se fazerem trocadilhos fáceis com o equivalente carroceiro da palavra testículos; fazer torradas quando a manteiga está mole; acertar as horas do vídeo; fazer contas de mais sem vírgulas; conseguir convencer pessoas que é “Diabo da Tanzânia” que se diz e não “Diabo da Tasmânia”; saber de cor todos os jogos do Sporting desde 89/90 e, sobretudo isso, em que lances fomos roubados; sacar prémios bons em quermesses e nunca peças de cerâmica ou sapatos; transformar, com uma celeridade absurda para um ser humano, o chefe dos transformers bons em camião e vice-versa; e, finalmente, cheirar, para ver se está estragado, desde que não se trate de produtos lácteos ou pudins. E digo só estas dez coisas, não porque sejam as únicas coisas, mas porque penso ser número suficiente para demonstrar que nada devo ao Camões em termos de tudo. Além de que, a eleger alguém, dificilmente faria recair a minha preferência num gajo que escreveu umas folhas ou, por outra, um fulano que mandou barcos ir ver se havia coisas lá além ao fundo. Eu escolhia alguém que tivesse feito realmente a diferença. Contextualizo a questão. Por exemplo, quando falo com estrangeiros, costumo dizer que são duas as principais características do nosso país. Uma delas é que temos muitas pessoas, quase sempre homens, a quem faltam dedos das mãos. Este aspecto, de natureza fortemente cultural e de acentuado conteúdo antropológico, descende do facto de cá, em Portugal, gostarmos muito de pirotecnia de festas de freguesia em honra de uma santa. Quando o assunto é chegar um isqueiro a uma cana que tem pólvora agarrada, os dedos passam logo para segundo plano. Interessa é ver a cana a voar e a fazer barulho. É uma coisa cá nossa, pronto. Por seu turno, a outra característica, embora sendo mais um feito que propriamente uma característica, atulha-me ainda mais de orgulho. É que foi cá que se juntou o arroz de tomate aos jaquinzinhos e que, com esse gesto à partida tão prosaico e vazio de significado, se criou a maior harmonia que o mundo já conheceu e alguma vez conhecerá. Isto também merece um pequeno apontamento prévio de contextualização. Não sei como é com os comuns mortais, mas comigo a refeição é sobretudo um momento de equidades e harmonias. Não sou lambareiro, pelo menos não no sentido mais desarrazoado do termo. Não se trata disso. Em qualquer altura, troco a lambarice pela harmonia processual. E, por harmonia processual, não me refiro a haute cuisine ou fantochadas dessas que redundam sempre em “eh pá, ainda comia ali uma bifana nas roulottes do Campo Grande”. A questão é que, digamos, num prato de arroz com bife, não quero mais deste último que do primeiro ou o inverso. Quero, isso sim, que cada garfada de arroz leve também um bom naco de bife. Não quero que sobre arroz para comer sem nada. Ou carne, também para comer sem nada. Assim, optimiza-se a harmonia que em princípio o prato possuirá. Com os jaquinzinhos, esta questão da simetria sempre foi ainda mais premente. Porque um jaquinzinho não passa de carapau raquítico e ressequido que, e embora veja o seu nível gastronómico subir a pique se a este cenário adicionarmos a variante molho de escabeche, nunca se apresentou, convenhamos, como algo que, por si só, fosse alguma vez capaz de fazer história ou deixar marcas profundas. É, enfim, bom, mas não deslumbrava. Em situação idêntica tínhamos o arroz de tomate. Bom, claro, mas faltava-lhe algo. E, tenha-se sempre a certeza disto, até porque está muito e bem documentado, é extremamente rara a ocasião em que duas entidades banais ou, com alguma boa vontade, assim-assim ou, se se preferir, porrerinhas ou que até fazem o jeito, se unem para dar origem a uma simbiose que roça a perfeição de tal modo que até deixa ferida. Se levarmos em consideração aquilo que são sozinhos, ou, para o efeito, aquilo que são com outras hipóteses, e contrapusermos esse considerando com aquilo que são em conjunto, está mais que visto que jaquinzinhos com arroz de tomate é seguramente a maior combinação, não só alimentar mas de tudo o que existe, de sempre. Não é que seja o melhor prato de sempre, não é disso que se trata. É, isso sim, a melhor combinação alimentar de sempre. São coisas distintas. Trata-se do emparelhamento que mais benefícios trouxe a todos os envolvidos. Comer uma garfada de arroz de tomate sem um jaquinzinho devia ser pecado. Tal como comer um jaquinzinho sem uma garfada de arroz de tomate. E foi um português que inventou. É por isso que seria sempre ele, ou ela, até porque é de cozinhas que se trata, a receber o meu voto. Também lhe ganho, está claro, num mínimo de dez coisas, mas quem se lembrou de juntar jaquinzinhos ao arroz de tomate joga noutro campeonato, Camões. E tu sabes disso. Comer jaquinzinhos com arroz de tomate banaliza "Os Lusíadas" de tal forma que até parece mal.  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116878414174915553?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116878414174915553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116878414174915553&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116878414174915553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116878414174915553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2007/01/aquilo-do-portugus-de-sempre.html' title='Aquilo do Português de Sempre'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116681119111808416</id><published>2006-12-22T18:10:00.000Z</published><updated>2006-12-22T18:14:40.073Z</updated><title type='text'>Factos da vida #1</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/336500/naperon.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/200/159466/naperon.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais, em tempo algum, foi ou será viril qualquer frase que inclua a palavra naperon.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116681119111808416?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116681119111808416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116681119111808416&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116681119111808416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116681119111808416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/12/factos-da-vida-1.html' title='Factos da vida #1'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116671813535994642</id><published>2006-12-21T16:19:00.000Z</published><updated>2006-12-21T16:24:50.586Z</updated><title type='text'>Telhados de vidro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/461821/barba%20negra.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/101453/barba%20negra.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homossexuais não gostam de estereótipos. Estão fartos dessas generalizações medievais e da homofobia que ainda grassa nas sociedades industriais, pós-industriais, modernas, pós-modernas, ou, como eu gosto de lhes chamar, “sociedades d’agora”. Toda a gente tem direito à indignação e ao protesto. Só lhes é, ou deve ser, exigida coerência nas reivindicações. E, se não querem ser alvo de estereótipos, não façam de outros alvo dessas imposições. Portanto, a próxima vez que virem um homossexual a queixar-se disso, peçam-lhe para desenhar um pirata. Se, no resultado do desafio, não estiver lá pelo menos uma de cinco características – lenço na cabeça, gancho em vez de mão, pala no olho, perna de pau e papagaio no ombro –, acho que sim, que devíamos mesmo parar com os estereótipos que circundam a espécie rabeta. Enquanto isso não sucede, é ir abusando. Que eles fazem o mesmo. Pelo menos com os piratas. Malta velhaca, a paneleiragem, hã? &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116671813535994642?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116671813535994642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116671813535994642&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116671813535994642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116671813535994642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/12/telhados-de-vidro.html' title='Telhados de vidro'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116649890388849021</id><published>2006-12-19T03:07:00.000Z</published><updated>2007-05-19T13:24:26.876Z</updated><title type='text'>Vacâncias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/8.2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/843597/8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem dias que, enquanto espero que A Bola vague lá no café, me entretenho com outros jornais. E fico logo pior que estragado quando vejo que as palavras-cruzadas e aqueles bonecos das diferenças já estão feitos. Não que os queira fazer eu. Não quero nada disso. Até porque os bonecos das diferenças fazem-me dor de cabeça e passado um bocado começo a ver tudo desfocado e a ouvir zumbidos que me dizem para fazer coisas más às pessoas. Não gosto daquilo. Mas, sendo sincero, até gostava de ser o indivíduo que, na redacção do jornal, é responsável por essa área. Desafiaria sempre o leitor para descobrir mais diferenças que aquelas que realmente lá estavam. “Descubra as 7 diferenças”. E depois só havia seis. E daquelas muito fáceis. Ia dar com toda a gente &lt;st1:personname st="on" productid="em maluca. Iam"&gt;em maluca. Iam&lt;/st1:personname&gt; levar o jornal para todo o lado, perguntar a toda a gente se via aqui mais alguma diferença além das seis que já tinha assinaladas. Pararia um país, enlouqueceria uma nação. Seria uma marcha consideravelmente poética para a demência. Também não gosto de palavras-cruzadas. Não gosto que um passatempo me obrigue a saber símbolos químicos. E, cada vez que anunciam o prémio Nobel da Química, eu não consigo deixar de pensar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é assim, este gajo deve jogar, tipo, bué da bem às palavras-cruzadas&lt;/span&gt;”. E, pelo que me chegou aos ouvidos, em mais de cem edições, ainda não me enganei. Quando me deparo com aquilo feito, as palavras-cruzadas e os bonecos das diferenças, não consigo deixar de pensar que o jornal já não é puro, que já está no estádio final da sua existência enquanto publicação de papel. Que já andou na casa de banho, por exemplo, e que pode muito bem já ter sido usado para limpar vidros ou como cartucho de castanhas. Se há coisa que aprecio, é imaculabilidade na papelada que leio. Por acaso, a última vez que lá fui e tive que esperar que A Bola vagasse, não estava nada feito. Apreciei o gesto. E, embalado, certa notícia acabou por aliciar minha atenção. Uma coisa qualquer sobre uns reféns não sei aonde. Sempre achei que a catalogação dos reféns como vítimas, no sentido “ai aleijaram-me aqui tanto” do termo, era demasiado forçada. E os factos não mentem. Quando são assaltos a bancos, os reféns comem sempre pizza à borla. E, que eu saiba, comer à borla ainda é das melhores coisas do mundo. Quando dizem que o melhor do mundo são as crianças, eu pergunto sempre “Então e comer à borla?”. Calo-os sempre com esta. Já vi pessoas a dizer que não gostam de crianças, mas nunca vi ninguém dizer que não gosta de comer de graça. É um dado estatístico, ainda que - mera trivialidade - não quantificado na sua expressão mais básica, inatacável do ponto de vista empírico.Eu até percebia que se classificassem os reféns como vítimas caso não houvesse comida ou o prato fosse outro assim menos perfeito. Mas, que se saiba, ainda está para vir o dia em que o raptor diz ao negociador “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E traga aí umas sopas de nabiças, que os reféns estão a ficar com fome&lt;/span&gt;”. É sempre pizza. Nunca é uma malga de sopa cheia de talos. Já vi uma vez ser hambúrgueres, mas, abaixo disso, nunca. Fico sempre com uma inveja do caraças, quando estou a ver um filme com reféns e os gajos vão comer pizza à borla. Fico agoniado, não sei. Angustiado até. Estão comer pizza. E eu ali, a ver. Quem é o verdadeiro refém afinal? Eles não são, com certeza. Claro, o lobby dos reféns de assaltos a bancos irá logo apregoar aos quatro ventos que a pressão psicológica foi enorme, o medo e o stress únicos e altamente traumatizantes. Não passam de cantigas para encobrir o facto de terem comido à pala. Cambada de mariquinhas. Valha a verdade que existem sequestros sem pizzas iluminadas pela bênção da gratuitidade. Aqueles lá no médio oriente e isso no meio do pó. Mas, mesmo esses, acabam por, regra geral, ter um final feliz e, vai-se a ver, conseguiram mesmo fazer maravilhas pela linha dos indivíduos. Ficam sempre muito mais elegantes. E o que sai mais barato ao Sistema Nacional de Saúde? Uma banda gástrica ou umas semanas fechado numa capoeira com os olhos vendados? Vou mandar este exemplo de desperdício de dinheiros públicos para aquele programa da Conceição Lino. Aquele das pessoas a queixarem-se de erros nos sinais de trânsito e dos aparelhos de rega da Câmara que só molham a estrada e assim é uma estragação de água que faz tanta falta. Alguém tem que se mexer para isto andar para a frente. &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116649890388849021?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116649890388849021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116649890388849021&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116649890388849021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116649890388849021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/12/vacncias.html' title='Vacâncias'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116586064509583890</id><published>2006-12-11T18:02:00.000Z</published><updated>2006-12-11T19:06:19.070Z</updated><title type='text'>É que chego a preferir o jornal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/176343/12.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/947384/12.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicissitudes da mais variada espécie impeliram-me para uma vida de jornadas e andanças. Que, deixando-se de literalices, é como quem diz foi uma vida a andar em expressos da rodoviária. É de certa forma injusto, mas há palavras e expressões que, sabemo-lo todos de antemão, nunca marcarão presença em qualquer peça literária de relevo. Expressos da rodoviária é seguramente uma delas. Adaptem-se as palavras de certo autor, não por acaso possuidor de um dos bigodes mais bigode da sua era, e é ver como a expressão arruína qualquer seriedade que este tenha pretendido manter. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aos trinta anos apartou-se Zaratustra da sua pátria e do lado da sua pátria, e foi-se até à montanha num expresso da rodoviária.&lt;/span&gt;” Enfie-se ainda a expressão na versão literária d’A Mosca, o – e sim, vou levantar polémica – melhor filme da carreira de todos os seus intervenientes, e o resultado é igualmente pavoroso. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco expresso da rodoviária.&lt;/span&gt;” Também, valha a verdade, que os expressos da rodoviária pouco ou nada merecem nesta vida. Nem sequer menção honrosa numa cantiga de amigo, que é, garantidamente, o pior nome que já se deu a uma composição literária. Os expressos da rodoviária não passam de pequenos laboratórios onde criaturas inqualificáveis revelam a sua verdadeira essência. Que é a de selvagem, caso não me tenha feito já entender. Eu, que nem primo pela civilidade dos meus actos ou pensamentos, quanto ando num expresso da rodoviária, pareço um norueguês no Congo. Muito do que lá se passa é pavoroso e funciona num limbo qualquer onde até a mais pequena prática se desenvolve contra a lógica, a decência e sobretudo o bom senso. Como aquilo, enfim, é um serviço, é imperativo tirar bilhete. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tirar bilhete&lt;/span&gt;” é, se alguma coisa, sinónimo automático de enfado extremo. Nunca a expressão tirar bilhete é portadora de alegria e boa-disposição. É quase sempre “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já tiraste bilhete?&lt;/span&gt;”, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Xi, ainda não, caralho!&lt;/span&gt;”. Ou, quanto muito, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já tiraste bilhete?&lt;/span&gt;”, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já, foda-se, que seca que foi, chiça!&lt;/span&gt;”. Para tirar bilhete há filas. Ou, como era até há pouco tempo, bichas. O que mais me enerva nos maricas extravasa em muito o universo da sida, doença que, facto científico divulgado recentemente por entidades, foram mesmo eles que inventaram lá com as folganças deles. E, antes que isto descambe, refira-se que me chateia a sida, não enquanto doença, mas enquanto dia mundial que enche as televisões com documentários e debates de merda sobre preservativos. E em dia de Sporting x Benfica. Já em relação à mariquice propriamente dita, chateia-me bem mais o facto de eles terem arruinado substantivos muito valorosos, de que “bicha” será o exemplo mais célebre. Agora, por causa da paneleiragem, deixou de haver bicha no IC19. Já só há filas. E eu não posso dizer que estava uma bicha do caneco ali na variante sem que meia dúzia de amebóides emitam pequenos risinhos ou simianas gargalhadas. Obrigadinho, homossexualidade, sim senhoras! Só por isso é que sou contra tudo o que vocês querem. Para ver se também gostam. Querem casar? Azar. Estragassem palavras chatas, como alguidar ou bule. Porquê bicha, que se usava tanto? Eu nunca usei as palavras alguidar ou bule. Quando precisava de alguma dessas coisas, dizia sempre “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;olha, passa aí isso&lt;/span&gt;” e apontava para o bule ou o alguidar. E nunca há histórias para contar sobre bules ou alguidares. Sobre bichas há. Imensas. Mas tirar bilhete é mau no sentido de haver bichas, e, havendo bichas, há velhos. Eu até acho que só há bichas no mundo porque há velhos. A função dos velhos nas sociedades modernas é criar e manter bichas durante o maior período de tempo possível. Aliás, é pegar no país com a mais baixa esperança de vida do mundo, que é para aí Moçambique, e ver se há lá bichas. Mostrem-me uma bicha em Moçambique e eu mostro-vos um equívoco. Se não há velhos, não há bichas. Um conselho para a vida: seja em que ocasião for, prefiram uma bicha de vinte pessoas a uma bicha com dois velhos. Outro conselho para a vida: não esfreguem a ponta da língua no céu-da-boca. A sério. Depois não conseguem parar. Das vezes que comecei com isso, só para ver se depois já conseguia parar, tive que correr até desmaiar. Só assim consegui parar. A questão é que havendo velhos, há procura por bilhetes para dias que ainda hão-de vir. Nunca para o imediato. Se há procura por bilhetes para dias que hão-de vir, há pouca pressa. Se há pouca pressa, há questiúnculas muito particulares. Há a necessidade de saber todos os horários disponíveis, sendo certo que acabam sempre por ir no primeiro porque se levantam quando ainda é noite. Depois, há que saber em que linha estará o expresso da rodoviária. Se pára perto de casa da irmã. Se lá faz frio. Olhe, e a que horas chega?, para saber se devia levar mais agasalho porque à noitinha arrefece. Mas lá se acaba por tirar bilhete e se vai para o expresso da rodoviária propriamente dito. Lá, já junto ao expresso da rodoviária, processa-se o atafulhamento da bagagem e passa-se para a próxima etapa: cortar o bilhete. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já cortou o bilhete? Deixe cá ver então.&lt;/span&gt;” Isto consiste em mostrar o bilhete ao motorista que, altamente especializado, o corta. Cortar o bilhete, no universo dos expressos da rodoviária, é dobrar um bocadinho da ponta inferior, vincar mesmo, com afinco e precisão, e depois rasgar e dar o que sobrou ao utente. E eis que, por fim, se está dentro do expresso da rodoviária. Alguns velhos procuram o lugar exacto que os bilhetes lhes garantem. Mesmo que existam quarenta lugares vagos, e existem quase sempre, os velhos procuram o lugar que está no bilhete. Para depois não haver chatice, dizem eles. Já sabem como é que é, arrematam sempre. Depois é vê-los, desde o início do corredor, que nem tartarugas de patas para o ar. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Onde é que estão os números dos lugares?&lt;/span&gt;” “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É em cima.&lt;/span&gt;” “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É em baixo.&lt;/span&gt;” “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas aonde?&lt;/span&gt;” “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não vejo cá nada.&lt;/span&gt;” “Chame aí o chauffeur, que isto assim não pode ser.” “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Será aqui? É que não vejo cá nada.&lt;/span&gt;” Óbvio que todas estas, e muitas outras, expressões indagadoras são intercaladas com um novo visionamento do número que está escrito no bilhete. Eventualmente, os velhos lá decidem desentupir o corredor do expresso da rodoviária e, se forem dez velhos, ocupam os dez primeiros lugares. Procurem muito, procurem pouco, isto acontece sempre assim. Mas, pronto, a terceira idade ainda é com’ò outro. Até os compreendo e simpatizo com quase todos eles menos cerca de dez. Eu, quando chegar a velho, vou ser bem pior. Vou ser velho, quero lá saber. Se ser velho serve de desculpa para tudo, esperem por mim que vai chegar o apocalipse. Eu, com tudo isto, queria mesmo é dizer mal das pessoas que põem o banco todo para trás. Não gosto deles, pronto. &lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116586064509583890?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116586064509583890/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116586064509583890&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116586064509583890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116586064509583890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/12/que-chego-preferir-o-jornal.html' title='É que chego a preferir o jornal'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116525930533429618</id><published>2006-12-04T18:50:00.000Z</published><updated>2006-12-04T19:12:32.863Z</updated><title type='text'>Diz que foi de repente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/293580/3434.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/301271/3434.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante-se desde já, em abono da verdade, que ainda ontem ouvi um indivíduo dizer que a sua banda preferida é o Phil Collins. E, num ápice, percebi de que se trata afinal a combustão espontânea, esse fenómeno que lá vai mantendo a ciência moderna num estado de obscurantismo medieval. A combustão espontânea dá-se quando alguém verbaliza, ou simplesmente cogita, atrocidades do naipe de um “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a minha banda de eleição é o Phil Collins&lt;/span&gt;”. É Deus que simplesmente se farta e manda arder a pessoa. Logo ali! Nem está para se preocupar com explicações lógicas, como doenças ou acidentes, que justifiquem o final de uma qualquer existência individual. Manda arder a pessoa e pronto. Não está para se chatear mais! Não foi para ouvir escabrosos dizer que o Phil Collins é uma banda que Deus criou o universo e mandou o filho vir morrer pelos nossos pecados. Ainda eu me queixo quando a minha mãe me manda ir à mercearia comprar couves. Bem mais severo foi Deus, que mandou o filho ir morrer pelos pecados dos outros. Se bem que ir buscar couves não é só a cena de ter que me mexer e interagir socialmente. Isso já me custa de sobremodo. A questão passa também por, indo buscar couves, já saber que, o mais tardar no dia seguinte, apanho com sopa ou migas ao jantar. Não é morrer na cruz, convenhamos, mas eu não gosto nada de sopa. Nem de migas. Agora, sempre que ouvir falar em combustão espontânea, já sei do que se trata. E, se chamado para investigar o fenómeno, vou tentar saber se a vítima tinha acabado de proferir alguma barbaridade ou se, por exemplo, tinha vestida uma t-shirt de gola alta. Vestir uma t-shirt de gola alta é coisa para enervar Deus ao ponto d’Ele nos combustar espontaneamente. Também já vi uma, em tempos idos. Branca. Ou branco deslavado, a caminhar para uma espécie de cinza. Manga curta e gola alta. Nunca vi um eclipse total, nem um mamute ou um pterodáctilo, mas é um facto que uma t-shirt de gola alta é igualmente deslumbrante. Quando os não crentes dizem “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ai sim? Deus existe? Então onde está Ele quando morrem aquelas pessoas em África e naquelas ondas grandes lá na terra daquele miúdo que recebeu uma camisola da selecção?&lt;/span&gt;”, eu acho que deviam é dizer “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ai sim? Então onde está Deus quando se vestem t-shirts de gola alta e se diz que o Phil Collins é a banda preferida?&lt;/span&gt;”. Não sei onde está. Sei que demora, mas não tarda. Vide explicação derradeira que formulei para a combustão espontânea. Para além do que já foi dito, muitas outras injustiças atulham este mundo que compartimos. Eu não sei até quando vou ter que apanhar com pessoas que andam na rua exactamente à mesma velocidade que eu. Decerto que tal ocorrência já se verificou com todos vós. Estão no passeio, a andar a uma velocidade constante e sã. Eis que percebem que, a vosso lado, seja imediatamente ali ao pé ou a escassos metros de distância, está uma besta que parece que faz questão de ir à mesma velocidade que vocês. Por momentos, parece que vão acompanhados. Por momentos, cria-se ali um clima de mau estar insuportável e, por momentos, o ideal de justiça que sustenta a civilização clama por uma combustão espontânea. Mas quem é este gajo? Eu não quero parecer que estou contigo, pá! Desaparece! Desopila! Ala daqui para fora! Andor! Uma vez que, nestas ocasiões, a combustão espontânea tarda em dar sinal, sou sempre eu que acelero o passo e ganho. Já tive que correr, mas paciência. Também nunca quebrei um contacto visual. Mas isso é porque não tenho nada para fazer e normalmente a outra pessoa tem que ir para o emprego e buscar os filhos e assim. Seja como for, apanho com cada chanfrado, daqueles que ficam minutos inteiros a olhar. Que cambada de sociopatas do raio. Sou muito forte em cenas de paciência e isso. Também nunca perdi um jogo de xadrez porque, logo que o adversário mexe o peão, eu fico a pensar na minha jogada durante horas a fio. Quando começam a dizer “então?”, eu, num misto de irritação e paternalismo, profiro um “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;shhhhta!&lt;/span&gt;”, para, acto contínuo, adoptar uma posição ainda mais absorta. Por norma, emulo na perfeição a posição d’O Pensador. Na perfeição implica, claro está, requintar a perfomance com a nudez que se exige. Para terminar, e porque isto é um coiso cultural, uma efeméride. Camarate faz 26 anos. Aproveito e transcrevo as palavras de um senhor que, também ontem, quando ficou a saber mais pormenores relativos ao trágico acontecimento, deu a seguinte materialização verbal à sua revolta: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O quê? O gajo ia de avião de Lisboa para o Porto?!?!? Fazer 300 quilómetros de avião? Olha qu’isto, hã? Fosse de autocarro, como toda a gente!&lt;/span&gt;”. Faltou concluir com o “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Então foi bem feita!&lt;/span&gt;”, mas aquela expressão não enganava. Como diria um Dias da Cunha fundido com o Marx, é a luta de classes no seu esplendor. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116525930533429618?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116525930533429618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116525930533429618&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116525930533429618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116525930533429618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/12/diz-que-foi-de-repente.html' title='Diz que foi de repente'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116438492804382392</id><published>2006-11-24T16:12:00.000Z</published><updated>2006-11-24T16:34:56.160Z</updated><title type='text'>A caneta é mais poderosa que a espada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/1600/551623/BIC.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1573/370/320/902202/BIC.png" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há sítio onde prezaria de sobremaneira ver aplicado este milenar adágio, esse sítio seria precisamente n’Os Imortais. A série ou o filme, é-me igual que eu até os confundo. Em vez de espadas, canetas. Em vez de duelos de espadaria, que invariavelmente acabavam com uma decapitação e decorrente trovoada com aquela música dos Queen, podiam-se passar a assinar cheques ou petições e apontar números de telefone e endereços. Ou até ver quem é que acabava primeiro um Sudoku, por exemplo. Quem sabe um joguinho de stop ou até uma batalha naval. Mais variedade haveria, com certeza. Já para não falar em termos de conforto e bem-estar, onde as vantagens chegam a ser absurdas. Os Imortais tinham que andar sempre com uns casacos enormes de cabedal, só porque tinham um espadagão medieval que urgia alapar dos meros mortais. É lixado usar sempre grandes sobretudos, sobretudo quando começa a ficar assim mais abafado. Finalmente consegui usar o sobretudo na sua forma adverbial e na sua manifestação substantiva numa mesma frase. Já tinha usado mas foi a falar a sério &lt;st1:personname productid="em conversas. Perguntaram-me" st="on"&gt;em conversas. Perguntaram-me&lt;/st1:personname&gt; o que é que eu gostava mais de usar no Inverno e eu disse “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobretudo o sobretudo&lt;/span&gt;”. Menti, eu é mais jaquetas de camurcina, mas valeu a pena. São estas pequeninas coisas que dão sentido ao nosso viver. Os Imortais é que tinham que estar sempre preparados para jogar à luta entre si. Eles, tal como os homossexuais com os da sua laia rabiló, possuem uma qualquer faculdade interior que lhes permite saber quem é como eles, id est, Imortal. Um Imortal maricas será, portanto, um gajo com assinaláveis capacidades psíquicas e sensoriais. Os duelos de espada podiam acontecer a qualquer momento, embora se acabassem todos por realizar no cimo de prédios consideravelmente altos em noites de nevoeiro. Eu, se fosse Imortal, nunca iria a telhados à noite, mas eles lá sabem. Se ainda não identificaram um padrão, se calhar é porque também não merecem viver descansados e em sossego para sempre. E, pronto, sendo a espada imprescindível em todos os momentos da vida de um Imortal, assome-se como natural o facto de eles a quererem esconder dessa escória que são os meros mortais. Assim numa primeira análise pode não parecer, mas andar com uma espada de metro e meio na bainha é coisa para levar logo outras pessoas a fazer queixa. Que aquilo é um perigo, até para eles. Que se caem, ainda se cortam e depois como é que por causa do tétano e da sida e infecções e coisas dessas que fazem ferida e deixam marca. Logo, esconde-se a espada no casaco comprido de cabedal e evitam-se chatices. Mas por isso é que nunca se vêem Imortais de calções, Imortais na praia, Imortais no ginásio ou &lt;st1:personname productid="em saunas. Em" st="on"&gt;em saunas. Em&lt;/st1:personname&gt; festas de pijamas ou a jogar à bola. Com a aplicação deste anexim da caneta, abrir-se-ia um novo mundo de possibilidades. O único senão regista-se mesmo ao nível da decapitação propriamente dita, ocorrência que, ao que julgo saber, revela suma importância ao nível de manutenção da dinâmica do “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;there can be only one&lt;/span&gt;”. E decapitar um gajo com uma Bic tem ar de ser coisa para demorar. Se calhar é serviço para demorar até mais de uma hora e depois lá se ia um episódio inteiro só de volta disso. Com uma Parker deve ser mais fácil. Têm aquela parte na tampa que é meio flecha. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116438492804382392?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116438492804382392/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116438492804382392&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116438492804382392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116438492804382392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/caneta-mais-poderosa-que-espada.html' title='A caneta é mais poderosa que a espada'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116404620777074438</id><published>2006-11-20T17:27:00.000Z</published><updated>2007-02-11T21:57:15.393Z</updated><title type='text'>Flushed from the bathroom of your heart</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/4545.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/4545.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que seja obcecado com sanitas. Que não sou. E nem é assim por nenhuma razão &lt;st1:personname productid="em especial. At￩" st="on"&gt;em  especial. Até&lt;/st1:personname&gt; acho que é salutar discutir estas coisas das obsessões em público, seja em paragens de autocarro ou em jantares de família. Certa vez, precisamente num jantar de família, assim só porque não havia tema de cavaqueira a não ser o arroz de míscaros e eu não sei grande coisa sobre arroz de míscaros e queria participar na conversa dos adultos, decidi confessar que, quando deixasse de estar vivo, queria ser embalsamado e trabalhar numa montra. Mas não é daquelas porcarias à múmia. Ou aquilo está muito mal feito ou as pessoas no Egipto eram feias como’ò raio. É um bocadinho das duas coisas, às tantas, que aquilo é norte de África. Mas esgrimi argumentos à mesa e tudo. Primeiro, não percebo porque é que a embalsamação há-de ser um privilégio do Lenine e das cabeças de alce. Segundo, estou farto de ver montras com manequins sem braços e com bronzeados de ir à neve &lt;st1:personname productid="em Fevereiro. E" st="on"&gt;em Fevereiro. E&lt;/st1:personname&gt; uns sem cabeça também. Quero ver pessoas. É suposto sentirmo-nos relacionados com o que se vê numa montra, acho eu. De que raio me serve olhar para uma montra e pensar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eh lá, que aquele colete em cetim é coisa para me cair bem&lt;/span&gt;”, se, logo a seguir, tenho que voltar à realidade e constatar que “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;oh, mas eu tenho cabeça e braços… aquilo de certeza que só fica bem humanóides amputados, esses sortudos do caraças&lt;/span&gt;”? Intimamente, cá no meu âmago, considero que faz tudo parte de uma grande esquema. Um embuste organizado entre o pessoal que faz manequins e o pessoal que vende próteses. Assim uma coisa ao estilo dos restaurantes moerem a carne que as pessoas deixam no prato para fazerem rissóis e croquetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E empadas. E também devem fazer folhados. Basicamente tudo o que tenha carne moída ou picada. Lasanha. Empadão. Há muitas coisas. Bolonhesa. Chamuças. Aliás, tudo o que é feito com carne moída foi inventado por donos de restaurantes e do grande capital que queriam aproveitar os restos que outros clientes deixavam nos pratos. Não pensem que foi para agradar ao povo. Eles é que querem que a gente goste de rissóis. Nunca se esqueçam disto. Seguindo o mesmo prisma ideológico, não m’admira nada que o pessoal que faz manequins desvie braços e pernas para o pessoal que vende próteses. Andam os utentes de próteses a pensar que as suas peças artificiais foram desenvolvidas em laboratórios e isso e depois vai-se a ver e não passam de plásticos cortados de um manequim com um serrote ou uma faca dentada daquelas caras dos anúncios que cortam panelas de alumínio e sapatos. Às tantas até é com uma solda, que aquilo até costuma estar bem aparadinho e pouco ou nada denteado. Depois, vá, se calhar metem uns arames para aquilo dobrar e dar uns ares de tecnologia biónica. Não deixa de ser uma trafulhice. Tudo argumentos para convencer até os mais cépticos relativamente às maravilhas da embalsamação e da sua afinidade simbiótica com a indústria das montras, noviços. Sei do que falo. Só para terem uma ideia, a minha avó, que se benzeu logo quando eu disse que queria ser embalsamado e trabalhar numa montra, no final desta minha suprema argumentação já me estava a aconselhar a lã de vidro em vez do habitué algodão como material de recheio. Faz sentido porque diz que o algodão é coisa para apanhar assim muito piolho do algodão. O piolho do algodão é a lepra dos embalsamados, disse-me um dia um vizinho assim mais versado em necrofilia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, já na altura, tinha uma colecção admirável de cassetes, ainda que Beta, sobre a temática. Com lã de vidro o piolho do algodão já pia fininho porque ele não é piolho de lã de vidro. Nem sei se, em termos sindicais e isso, o piolho do algodão pode meter o bedelho em lã de vidro. Deve haver uma ordem que superintenda essas coisas, como aquela dos advogados que só deixa ser advogado quem tem estudos e assim cursos. Só se existir um piolho da lã de vidro. Mas duvido. A lã de vidro não é, nem de perto nem de longe, tão popular como o algodão ao ponto de existir na fauna animal um piolho que se ocupe exclusivamente da lã de vidro. Mas estava-se a falar de sanitas. E isto vem a propósito de um interessante debate que desenvolvi recentemente com um meu conhecido. Dizia o citado, com um orgulho parvo, que, uns dias antes, tinha usado uma sanita de latrina pública, no máximo dos máximos, dois ou três minutos depois do Carlos do Carmo lá ter estado sentado. Insurgi-me de imediato, claro está. A questão de usar a sanita depois de alguém sempre me fascinou enquanto fenómeno portador de significações que extravasam em muito a simples necessidade fisiológica. Na minha forma de considerar a matéria, o usufruto da sanita imediatamente a seguir a outro indivíduo revela em que pé está o grau de intimidade que se mantém com o mesmo. Colocando a questão de outro modo, digamos que a maior prova de intimidade e consideração perante alguém revela-se ao mundo quando nos sentamos numa sanita que acabaram de usar. Como é óbvio, quanto menor o tempo de espera, maior a intimidade e consideração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressalvando desde já que sentar-se quando a outra pessoa ainda nem se levantou arrebita logo teses completamente distintas, o cerne de discussão aqui é o tempo de espera quando se trata de sujeitos com os quais até nem se possui qualquer vínculo, seja ele de natureza intimista ou de apreço. Nestes casos, perante desconhecidos ou pessoas com quem não se tem grande confiança, a coisa varia bastante. Há pessoas que esperam um mínimo de uma hora. Para outras bastam alguns minutos, quase sempre uma dezena ou duas. O importante é esclarecer que ninguém vai logo a seguir. Ninguém vai logo a seguir e deixa escapar um “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;hmmm, quentinho, mesmo como eu gosto&lt;/span&gt;” de satisfação. Só se estiver mesmo muito frio. Como naquela reportagem que eu vi uma vez dum indivíduo que tinha tido um acidente e tinha ficado preso debaixo do carro numa vala durante uns dias e depois disse aos jornalistas que o melhor era quando mijava e sentia o quentinho pelas pernas abaixo. Está bem que aquilo até foi no Inverno e eu não duvido que esses momentos fossem o melhor do seu dia. Afinal, preso debaixo de um carro, nem devia haver assim tanta coisa para se distrair. Mas, se fosse comigo, não tinha dito a ninguém. Eu quereria ser conhecido como o gajo que sobreviveu a uma desgraça das grandes e não como o gajo que gostava de se mijar todo pelas pernas abaixo. São opções. Se calhar, até era coisa para as pessoas dizerem “milagre, milagre”, mas dificilmente se será canonizado quando se admite que o melhor era quando se mijava todo. É que não se trata de eu renegar a ideia da sanita quentinha, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá jeito, dou isso de barato. Aquilo, sanita, está sempre muito quente no Verão e muito frio no Inverno. Deviam usar o sistema que usam nos prédios, na parte das escadas. Não sei como é que raio fazem nos prédios, mas a verdade é que os sacanas são frescos no Verão e quentinhos no Inverno. Apliquem lá isso às sanitas, que também não custa nada. Mas esse meu amigo dizia aquilo de ter usado a sanita do Carlos do Carmo como se fosse uma coisa boa. Como se fosse algo de que se orgulhar. Além desta sua postura beliscar ao de leve a teoria da sanita enquanto vector de intimidades e estimas pessoais, bem como, evidentemente, da intensidade das mesmas, fiz-lhe logo ver que o Carlos do Carmo nem é assim tão famoso. Com alguma boa vontade, até se perceberia se tivesse sido assim com alguém mais ilustre. Um Luís Represas. Ou então aquele senhor dos Xutos que não é o Tim, nem o Zé Pedro, nem o outro. Ou, olha, um Tozé Martinho. Nesse caso, admito, até era uma coisa porreira para se dizer &lt;st1:personname productid="em festas. Eu" st="on"&gt;em festas. Eu&lt;/st1:personname&gt; uma vez andei no mesmo elevador que aquele senhor dos UHF e esta acaba por ser das poucas histórias interessantes que tenho para contar envolvendo pessoas conhecidas. Nesse sentido, um usar a sanita depois de alguém famoso até é detentor de alguma carga positiva e de afirmação pessoal perante o grupo. Mas não com o Carlos do Carmo. Além de não ser suficientemente famoso, é senhor para, em virtude da considerável vetustez, já apresentar muito mais prática com arrastadeiras e penicos, e, por causa disso, deixar as sanitas com mais um ou outro adjectivo para além de "quentinhas". Pensando bem, já nem me lembro se esta ocorrência da sanita envolvia o Carlos do Carmo ou o Ruy de Carvalho. Assim como assim, vai dar ao mesmo.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116404620777074438?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116404620777074438/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116404620777074438&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116404620777074438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116404620777074438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/flushed-from-bathroom-of-your-heart.html' title='Flushed from the bathroom of your heart'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116372460187019225</id><published>2006-11-17T00:40:00.000Z</published><updated>2006-11-24T16:49:13.560Z</updated><title type='text'>Músicas do Sempre (IV)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Frei%20predilecto.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Frei%20predilecto.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frei Hermano da Câmara sempre foi o meu frei preferido. Prefiro-o ao Frei Luís de Sousa e até ao Frei, o esforçado avançado suíço que defende actualmente as cores do fluorescente Borussia de Dortmund. E digo já porquê. Entrementes, para deleite de quem quiser e souber apreciar o saber no seu estado mais puro, fica uma assombrosa miscelânea de História Biográfica, Musicologia, Moda, Teologia, Antropologia, Etnografia e Sociologia. Porque discorrer sobre Frei Hermano assim o exige. Algures não sei quando, Hermano Vasco Villar Cabral da Câmara resolve, qual Cat Stevens da Mouraria, tornar-se monge. Na altura, deve-se ter falado em epifanias e nos chamamentos divinos do costume, mas, a meu ver, a opção reveste-se de contornos muito mais terrenos. As pessoas que vão para monge não passam de indivíduos que gostam muito de andar de fato de treino. Que, portanto, prezam bastante o conforto das vestimentas e menos as imposições sociais que gravitam à volta do traje, esse símbolo da pós-modernidade decadente e cheia de humidade e bolores nos cantos. Se tamanha temeridade me for permitida, até posso aprofundar esta minha tese. Escarafunchar, portanto. Ora então, indo lá a isso, é óbvio que toda a gente preferia andar de fato de treino ou robe o dia inteiro. São as vestes mais confortáveis que existem e ponto final. Eu, sempre que vou a algum lado e não preciso de sair do carro, vou de cuecas e tem dias que nem visto sequer uma camisa e deixo-me ir muito mais confortável com a minha camisola interior da Stucomat é uma grande tinta, Stucomat é da Robialac. Mas mais que isso também não sou capaz. E porquê? A questão aqui é que há regras, socialmente estruturadas e, até ver, inabaláveis, que impelem as pessoas para o uso de roupagens muito menos confortáveis, mas, em contrapartida, bem mais aprazíveis do ponto de vista do consenso e aceitação social que, por exemplo, um fato de treino de pele de pêssego. Mas há pessoas que não se vergam perante qualquer tipo de imposição à qual não reconhecem autoridade. Que, só porque a sociedade assim lhes ordena, não estão para andar desconfortáveis. Este sentimento, de rebelião contra a roupagem imposta, revela-se bastante cedo e tem-se bifurcado em dois comportamentos bastante específicos. Uma vez que são pessoas que gostam bastante de andar de fato de treino ou, se possível, até robe, o que se verifica é que, das duas, uma: ou eram bons a educação física e vão para professores de ginástica, ou eram bons a Religião e Moral e vão para catequistas ou coisas dessas assim de ensinar a ser Deus. Ou seja, e como se terá já por esta altura compreendido, a rebelião destes elementos contra a ordem social imposta nunca se manifesta como total ou absoluta. Ao invés disso, estes grupos sociais optaram por encontrar e desenvolver nichos sociais onde lhes é possível andar de robe ou fato de treino sem que ninguém os proscreva e condene. Frei Hermano é um deles. Sempre preferiu estar confortável e, apenas por isso, foi para monge. Não se trata de vocação, mas sim de preferência. Ninguém tem vocação para nada. Isso são cantigas de neoliberais que falam com o bandulho cheio. Temos é preferências. Frei Hermano teve a sua. Andar confortável o resto da sua vida. Ser monge é isso. É poder andar de robe para sempre. Sempre! Convenhamos que é uma oferta aliciante e, por isso, mas só por isso, é que a profissão de monge apresenta alguns pontos negativos. Explicitando melhor a coisa, adiante-se que o código deontológico dos monges estipula, como regra essencial, a ascese. O mesmo é dizer nada de Playstation e de carnalidades. E tem que ser assim. É que, se assim não fosse, se houvesse Playstation e bambochatas nos mosteiros, toda a gente ia para monge. Porque toda a gente prefere andar todo o santo dia de robe, claro. A estipulação destas regras funciona como medida preventiva e pretende que vá para monge apenas aqueles para quem a liberdade de vestuário é tudo. Mesmo que, à primeira vista, o hábito dos monges pareça que tem uma textura um pouco semelhante à serapilheira, convém lembrar que, tal como se fazia com aquelas camisolas de lã que picava como tudo, basta usar uma camisola por baixo para tudo voltar ao ponto máximo da confortabilidade. Sim, aquilo não é para usar em cima da pele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não obstante tudo o que foi pronunciado, a razão por que prefiro o Frei Hermano ao Frei Luís e ao Frei é de natureza distinta. Hermano, além de monge, é um afamado intérprete de melodias tradicionais e sacras. Logo aqui, há que destacar Frei Hermano da Câmara. Destacar porque no ranking de nome mais porreiro do mundo da música, Frei só perde para Ney Matogrosso. Mas, ainda acima disso, surge o facto de, no seu imenso repertório, existir uma cantiga que, por si só, é coisa para cristalizar eternamente o carácter visionário de Frei Hermano. É nesta canção que se percebe, de forma inequívoca e irreversível, como seria um desperdício ignorar o absurdo potencial que Jesus possui enquanto clube de futebol. O título é, precisamente, “Jesus” e faz parte de “Suave Milagre – O Melhor de Frei Hermano”, uma obra imprescindível em todas as fonotecas e até videotecas. Se houver teledisco disto. Não sei se há. É capaz de haver. Frei Hermano, não de forma directa e prosaica, mas, antes pelo contrário, de forma rebuçada e profunda, procura mostrar ao mundo, e sobretudo às ordens instituídas, como Jesus precisa de se adaptar aos novos tempos. Jesus precisa de ser um clube de futebol. Sim, outros teóricos já tinham pensado nisso e até tecido considerandos. Mas algum se chegou à frente e criou um cântico para usar no estádio? Não. Foi o Hermano. Foi o Hermano que rompeu com o carácter monocórdico e sem ritmo de estádio que populares cânticos como o Pai-nosso e o Ave-maria sempre tiveram. Populares, mas que impediam Jesus de ser um clube de futebol. Hermano já fez a sua parte. Para quando um Sporting x Jesus?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É favor acompanhar as palmas com ritmo condizente e gritar a parte do “Jesus!” com força!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;embed src="http://utilizadores.leirianet.pt/%7Eyazalde71/19%20-%20Jesus%20-%20Frei%20Hermano%20Da%20C%E2mara.mp3" autostart="false" height="50" width="300"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras músicas&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/05/msicas-do-sempre-i.html"&gt;Wind of change&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/msicas-do-sempre-ii.html"&gt;Amor d'água fresca&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2006/05/msicas-do-sempre-iii.html"&gt;Umbadá&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116372460187019225?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116372460187019225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116372460187019225&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116372460187019225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116372460187019225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/msicas-do-sempre-iv.html' title='Músicas do Sempre (IV)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116343332997857735</id><published>2006-11-13T15:51:00.000Z</published><updated>2006-11-13T15:57:59.423Z</updated><title type='text'>Se</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/23.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/23.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considero-me um admirador da informação televisiva, e, não só por isso, mas também porque faço o que m’apetece, estou à vontade para afirmar que há lacunas a cauterizar em tão nobre área. Mas, amansem lá, que não vou dizer que telejornal é o meu preferido. O motivo é simples, mas ao mesmo tempo revelador da minha magnificência a todos níveis analíticos. Não quero que, daqui a uns dias, esteja o país inteiro a ver o mesmo que eu. É que depois os outros telejornais não têm audiências e aquele pessoal das redacções é todo despedido. E depois é mais um fluxo brutal de pedintes a cair nas ruas. E eu já apanho alguns bem lixados nas rotas que normalmente sou obrigado a usar para ir tratar de assuntos e assim isso que se faz quando se é crescido. Tenho alguns mendigos bem tramados, tenho. Daqueles que usam truques para olharmos para eles. O contacto visual é a grande arma dos madraços e eles sabem disso. Os sacanas sabem. Mas eu também não nasci ontem. Também tenho artimanhas, camaradas esmolantes. Um exemplo? Até dou dois, que comigo é tudo aos pares, inclusive, e sobretudo, as cabeçadas. Mormente por uma questão de balanço, mas a estética do movimento também acaba por ter o seu peso se quisermos avaliar a coisa como deve ser. Quanto aos truques que prometi desvendar, posso adiantar que, primeiro, sou mestre na arte de bem coordenar o passo, abrandando ou acelerando a locomoção, de modo a que, quando passar pelo vosso raio de acção, vocês, mendicantes, estejam precisamente a interpelar outros indivíduos. Além do mais, e segundo, não cometo o erro primário de vos dar moedas ali ao pé de minha casa ou nos sítios que mais frequento. Porque, com mendigos, a história é sempre a mesma. É como dar comida a um gato vadio. Depois já se sabe que no outro dia o gajo está lá outra vez a miar e depois quem ouve bocas nas reuniões de condomínio sou eu só porque dei um bocado de paio a um gato uma vez ou várias e agora o gajo passa lá o dia inteiro a miar perto da porta do prédio e faz eco lá dentro porque o prédio foi mal isolado pelo empreiteiro que era um trafulha que só metia ao bolso e enganava as pessoas e depois o barulho do eco, assim fininho, mesmo fininho, caramba, assim tipo ventaneira mas em miado de animal, acordou o enteado não sei de quem que sofre de problemas desde que se pôs à bulha com o padrinho do crisma por causa duns terrenos e das partilhas. E eu não estou para me chatear. Por isso, como disse, é melhor não desvendar a minha preferência em termos de telejornais. Só dou uma pista, vá. O pivot mais habitual do dito programa informativo é um daqueles indivíduos cuja voz não corresponde lá muito bem à cara que tem. Sabem que gente é esta? Nunca vos aconteceu verem uma pessoa, a cara dela e assim, e depois ela fala e a voz não faz sentido nenhum naquela cara? Que nervos que esta gente mete. Essa porcaria para mim é uma doença, como o lúpus ou os bigodes, só para deixar mais um par de exemplos. Não peço harmonia total entre cara e voz, mas também ninguém me paga para aturar exageros. A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros, sim senhoras, mas só desde que a cara e voz dos outros mantenham uma relação com um pingo de harmonia. Caso contrário, chapéu! &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nos telejornais, e, portanto, também no meu preferido, é frequente a cisma de dividir as notícias em boas e más. A boa notícia pode ser, para o efeito, ilustrada pelo modelo teórico “O Papa foi ali a um país e disse isto para haver paz”. A má, “Há fome em África e o pouco que há está um bocado insonso”. Sou contra esta divisão tão gritante entre notícias boas e notícias más. Não concordo. Exceptuando as ocasiões em que digo o oposto, considero que nada neste mundo é apenas uma só coisa. Nada é uno. Sim, acabaram de presenciar Filosofia do mais alto requinte. Daí a letra capital e tudo. E não é requinte como em “Ferrero Rocher…satisfaz o desejo de requinte”. Isto é aqui é a sério. Não são lambarices, é filosofia ao vivo. Concluo então, e sem mais demoras, a argumentação aflorada mesmo agorinha. Primeiro, a suposta boa notícia. O Papa foi ali a um país e disse isto? Sim, mas foi a ler um papel, por isso, grande coisa, assim também eu falava línguas em estrangeiro e dizia para as pessoas se portarem bem e serem amigas. Agora a má. Há fome em África? Sim, há, mas ao menos nunca é preciso levar casaco ou agasalho. E toda a gente sabe como é uma chatice sair para algum lado e depois ficar cheio de frio a lamentar-se a noite toda só porque se não lembrou de trazer um casaco. Viram como nada é apenas isto ou aquilo? Mas, pronto, isto, esta divisão absolutista entre notícias boas e notícias más, ainda é o menos. O pior mesmo, o auge da imbecilidade dos telejornais – programas que eu, como é sabido, até aprecio, até considero, prezo e respeito –, é quando eles nos dão informações do gabarito de um “Se fosse vivo, Mozart faria hoje trezentos anos”. Isto faz-me confusão por um conjunto de motivos, sendo os mais chocantes exactamente os que se seguem – e embora eu tenha acabado de usar um plural é bem provável que se trate apenas de um único motivo. Paciência. Ora então, com licença, faz favor, mas a hipótese do Mozart, por ocasião do seu trecentésimo aniversário, poder estar em Salzburgo a tocar o “Parabéns” num órgão da Casio é assim tão real? Será que só não está vivo para festejar o seu terceiro século de existência porque ocorreu um daqueles azares da vida que dão que pensar e que ceifam a vida de jovens à beira dos trezentos anos? O homem lá teve a sua época, os toques que inventou para telemóveis tiveram também a sua era e os seus quinze minutos de fama, mas não queiram fazer das pessoas parvas, hã? Não há pessoas com trezentos anos. Portanto, se tiverem essa delicadeza e essa atenção, era favor pararem com essa merda do “Mozart fazer trezentos anos se ainda estivesse vivo”. Não nos tentem iludir com os vossos esquemas subterrâneos de dimensão semântica e aplicações um tudo-nada científicas de lógicas e semióticas de pacotilha. Vejo telejornais para ser regalado com notícias a sério e não com fantochadas. Para mais, num país onde há um potencial absurdo do ponto de vista noticioso, num país onde, mais coisa, menos coisa, dia sim, dia não, deve entrar um gajo nas urgências com um pionés ou um agrafo no olho, não estou para apanhar com “Mozarts se fossem vivos faziam trezentos anos”. Por conseguinte, é ter mais cuidado e pode ser que a gente não se chateie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116343332997857735?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116343332997857735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116343332997857735&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116343332997857735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116343332997857735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/se.html' title='Se'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116317345261779386</id><published>2006-11-10T15:25:00.000Z</published><updated>2006-11-10T19:56:11.356Z</updated><title type='text'>Aprende por arte e irás por diante</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/vertigo_04.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/vertigo_04.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje rodopiei até ficar tonto. É, em mim, costumeira a arte de rodopiar até ficar tonto. Domino-a eximiamente e pratico-a com frequência assinalável. É uma arte que se está a inexplicavelmente a perder no turbilhão de progresso impessoal a que eles, os arteiros da maçonaria que mandam nisto tudo, nos condenaram. Já ninguém quer saber de rodopiar até ficar tonto. Os jovens não lhe pegam. Agora só querem andar na cadelice, na estragação e na gandulagem. Já que o assunto até coiso, e só assim em laivo de curiosidade e isso, é com pesar que registo ainda que um outro valoroso ofício está pelas ruas da amargura. A outrora majestosa arte de gritar números ao acaso quanto alguém está a contar alguma coisa. Claro que, quanto mais importante for a contagem, de maior importância e adequabilidade se reveste também a arte de gritar números ao calha. O que é inadmissível é que, por exemplo, eu vá registar o Euromilhões e, quando me ponho a gritar números à balda enquanto as outras pessoas preenchem os boletins, olhem para mim como se fosse algum maluquinho da cabeça. Palavra de honra que francamente. E já nem faço isto em alguns sítios. Sim, porque já se percebeu que, para a polícia, ir fazer isto para as Finanças parece que é o mesmo que andar a roubar ou a matar. E o que mais me revolta nisto tudo é que há quem insista em manter tradições medievais como o folclore ou os anões, mas depois ninguém quer saber de costumes bem mais admiráveis. Enfim, e antes que fique pior dos meus nervos, reporte-se que vejo no rodopiar até ficar tonto muito mais que uma vertiginosa experiência. Sim, é uma vertiginosa experiência, mas não é apenas e só uma vertiginosa experiência. Custa-me, dói-me o coração, que em pleno século XXI ainda exista quem ignore o potencial terapêutico do rodopiar até ficar tonto. Ou, por outra, a sua extraordinária capacidade de resolver problemas. Quanto sou confrontado com uma dificuldade, simplesmente rodopio até ficar tonto. Rodopio tanto até ficar tão tonto que, quando recupero o que quer que seja que me vai mantendo em pé no quotidiano e em comunidade durante o sábado em que me calha ir levar o lixo e ao mercado comprar película aderente ou papel de alumínio se não houver película aderente da marca que nós gostamos, o problema já se foi embora. Às vezes até já é outro dia. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116317345261779386?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116317345261779386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116317345261779386&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116317345261779386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116317345261779386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/aprende-por-arte-e-irs-por-diante.html' title='Aprende por arte e irás por diante'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116312637347321651</id><published>2006-11-09T02:32:00.000Z</published><updated>2006-11-10T15:49:10.230Z</updated><title type='text'>Esquimó, rim e jangada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/8.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/8.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Estão assim eleitos, pela maior autoridade do planeta em assuntos em geral, questões em particular e conclusões com maior índice de propriedade focalizadas em toda e qualquer prática libidinosa entre mamíferos menos os elefantes-marinhos e a Júlia Pinheiro que essa gente mete nojo, os três piores nomes de bolos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Obrigadinho, até mai’ logo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116312637347321651?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116312637347321651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116312637347321651&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116312637347321651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116312637347321651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/11/esquim-rim-e-jangada.html' title='Esquimó, rim e jangada'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116217764254858600</id><published>2006-10-30T02:43:00.000Z</published><updated>2006-11-04T01:50:17.263Z</updated><title type='text'>É ou não é como te digo, rapaz?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/51196842.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/51196842.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quando em vez, ocorre-me abordar assuntos delicados aqui nesta pasquinada de bons costumes e barregãs de alto calibre. E, por assuntos delicados, eu entendo algo mais que seda ou rabos de bebés, daqueles que assam sempre, mesmo quando se compram cremes dos caros que nem há nas farmácias de cá. Além de que, como é sabido, falar de assuntos delicados faz parte de crescer. De ser adulto. Um homenzinho. Nem é das piores partes de crescer. Para mim, a pior parte é não haver champô que não arde nos olhos para adultos. Eu, agora que sou fisicamente crescido, já posso ter os olhos a arder enquanto me lavo? Tenho que sofrer só porque cresci? É despótico, sinceramente. Os meus olhos ainda ardem quando vai para lá champô. Não se registou evolução nenhuma nessa área. Não me desenvolvi num ser com olhos que não ardem quando vai para lá champô, lamento. Até ardem mais agora, que tomo banho sozinho. Parece que só vão ligar às clemências de quem exige um champô que não arda nos olhos para adultos quando acontecer uma desgraça. Está-se mesmo a ver. É como aquelas pessoas que vêm para os telejornais dizer que está um canavial cheio de drogados perto duma escola de crianças. Só quando acontece alguma desgraça com as crianças no canavial de drogados é que alguém faz alguma coisa. É mesmo preciso uma desgraça para meterem a porcaria do champô a não arder nos olhos, hã? Velhacos do raio. É que ainda por cima nós sabemos que dá para não arder nos olhos! Não é obrigatório que arda nos olhos! Não é um mal menor intrínseco aos champôs, raios parta! Sádicos da merda, é o que é. Assim como assim, era outro o assunto delicado que hoje queria focar aqui hoje com força. E é um assunto, não só delicado, como actual. Dois adjectivos. Delicado e actual. Poucos assuntos conseguem isto. O aborto consegue. Sem mais demoras, e ao que julgo saber, a lei actual diz o seguinte: pode-se fazer isso, do aborto e não sei quê, se o feto for deficiente ou for resultado de uma violação e isso assim que acontece quando as mulheres vão para a rua com mini-saias e decotes e depois admiram-se. Não me parece que a lei actual faça grande nexo. O que me parece que estão a dizer é que, sim senhoras, um feto é uma criatura viva e, como tal, não pode ser aleijada e assassinada e coisas dessas; mas, se, por acaso, esse mesmo feto for de um deficiente ou se o pai desse feto for um indivíduo com pouca saída entre as mulheres e com acesso a uma arma coactiva, já não é vida. Quer dizer, é vida, sim. Mas é aleijada ou filho de má rês. E vida dessa não interessa nem ao Menino Jesus. Nesse caso, o Menino Jesus não se importa que a gente lhe bata com aqueles ferros.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o “sim” vai ganhar ao “não”. O “sim” deve achar que sim. Mas o “não” pode muito bem achar que não. É raro o “sim” e o “não” estarem de acordo. O que sei é que a secção de Marketing do Aborto se devia debruçar sobre alguns aspectos que, a meu ver, lhes pode custar uma vitória no referendo de sei lá eu bem quando. Pois bem, a minha opinião sobre o aborto é que seria bem mais fácil de legalizar, de ganhar referendos e corridas, se tivesse um nome assim mai’ bonito. Aborto é agressivo com’ò raio. Acho que é triste quando, logo à partida, e porque alguém decidiu presenteá-las um nome feio, as coisas ficam sentenciadas para o resto da sua existência. Os exemplos são vários e por de mais conhecidos. Botijas. Holocausto. Torresmos. Brotoejas. Bjork. Gambozinos. Pasteleiras, que até nem eram as bicicletas mais feias que se podia ter. Bichas-de-rabear. Pêpê Rapazote. Enfim, eu podia ficar aqui até amanhã, tal é o chorreiro de pobres coitados que, Pêpê Rapazote à parte, não foram, e não são, tão maus como os pintam. Mas que sofrem, sofrem muito, com o nome horrível que lhes calhou em sorte. E depois, para tornar ainda mais ridículo este cenário, ainda existem coisas com nomes bonitinhos mas que são atrozes. O ex libris deste fenómeno? O algodão-doce, claro está. Essa porcaria hiper valorizada que nem dá para comer sem ficar todo peganhento na cara e no cabelo e nas sobrancelhas. De que me serves tu e o teu nome bonito, algodão-doce? É justo este status quo? Não me cheira. Não me cheira mesmo nada. E, alerta!, não estou com isto a tomar uma posição. Estou apenas a constatar um facto. Mas, se querem mesmo saber, sou um sujeito moderno nestas coisas dos assuntos. Só para verem, até nem sou contra a adopção de homossexuais. Se as pessoas querem ter um homossexual em casa, isso é lá com elas. Adoptem homossexuais à vontade. Está à vista de todos que são uma ajuda preciosa no que toca à decoração de interiores e conjugação de cores. Só acho é que, se pensarmos numa linha de prioridades ideal, se devia adoptar primeiro os chineses e esses assim que há mais e têm mais fome. Ciganos também, que já chateia andarem a sujar os pára-brisas com aqueles rodos um tudo-nada ensebados e a terem casamentos que duram uma semana. A verdade é que, e voltando ao assunto aqui central, eufemiza-se tanta coisa hoje em dia, não é? Acho que é a vez do aborto. Raios, há muito que acho que quem se devia chamar aborto era o algodão-doce! Aquilo sim, é uma nojeira amoral a quem um nome malparido como aborto caía que nem ginjas. A questão agora é: deveria, por seu turno, o aborto chamar-se algodão-doce? Cabe aos portugueses decidir. Não sei é quando. Deve ser entretanto. Aviso já é que se houver bola não vou. E escusam de adiar os jogos, para ver se nos enganam. Vejo da estrangeira.       &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116217764254858600?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116217764254858600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116217764254858600&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116217764254858600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116217764254858600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/10/ou-no-como-te-digo-rapaz.html' title='É ou não é como te digo, rapaz?'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-116183228142418193</id><published>2006-10-25T15:04:00.000Z</published><updated>2006-10-30T04:56:38.013Z</updated><title type='text'>Choveu, pronto.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/51239840.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/51239840.1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, pela primeira vez em meses, despertei antes da hora em que começam a dar as notícias de futebol nos telejornais. Ora bem, quer isto dizer que comecei logo mal o dia. Não gosto mesmo nada de esperar pelas notícias de futebol. Mas a verdade é que hoje lá calhou. Acordei ainda antes da uma. Faltava uma vintena de minutos para os telejornais começarem e mais umas boas duas ou três dezenas para as notícias de futebol. Tinha que arranjar entretém para um período que podia muito rondar uma hora inteira. Tinha três grandes hipóteses. Cortar as unhas foi logo posta de lado porque, desde há uns meses a esta parte, só o faço dentro do polibã. Sim, estava farto de andar à procura de unhas. Não faz sentido termos Internet e essas coisas e depois, quando se trata de cortar as unhas, aquilo saltar para tudo quanto é lado. É o caos. É medieval. Podia acontecer eu ser um indivíduo ocupado e ter mais que fazer que andar à procura de unhas. Por acaso não tenho, mas, mesmo dentro da decadência, é de bom-tom manter alguns princípios. Eu sou desses. Se fosse mendigo, até era gajo para nem cheirar a mijo nem nada. Ou então fingia que não era eu. Às vezes está tudo na atitude. E corto as unhas dentro do polibã porque assim elas ficam ali na zona. Não as tenho que procurar, feito parvinho. Não andamos a meter pessoas no espaço para agora andar eu aqui, que nem um selvagem, à procura de unhas. Já no polibã, também não as apanho, mas ao menos sei onde elas estão. Experimentem, mas é. E, aquietai, se não morarem sozinhos, cedo vão perceber que a questiúncula “Olha lá, meu porco da merda, por que é que raio o polibã está cheio de unhas?” só soa estranha as primeiras vezes. Além do mais, eventualmente, deixar-se-á de ouvir. A outra hipótese de entretém era ler um livro, que eles dizem naqueles programas de falar que faz bem e isso. Só que eu estava no quarto. E o catálogo da Worten que ando a ler há uns meses está no bidé. Importa desde já adiantar que vai sendo assim, com pequenos truques, que eu me vou livrando da angústia da escolha kierkegaardiana. São pequenas manigâncias que, quem sabe um dia, reunirei numa brochura ou escreverei numa parede de minha casa com as minhas próprias fezes. Posso até dar um exemplo. Pois bem, pegando no que já se referiu para não confundir as vossas mentes enfezadas, como escolher entre ler Kierkegaard e o catálogo da Worten? Simples, basta pensar qual dos dois autores, Kierkegaard ou Worten, usava um balde para cagar. E eu, santa franqueza, alguma vez me vou pôr a ler coisas escritas por um gajo que usava um balde, provavelmente nem de plástico ou PVC, para cagar? Não senhoras! Estabeleço a sanita como critério mínimo. É que eu, como disse, tenho princípios. Um gajo que caga num balde não me pode ensinar nada. Por outro lado, um gajo que sabe quantas cabeças tem um vídeo é um poço de sabença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restava-me a última hipótese. Ver televisão. E vi. Meti na SIC. O comando está com pilhas fracas e, sabe-se lá porquê, só no 3 é que ainda não tenho que carregar com muita força. Daí a escolha. Como já disse, angústia na escolha é retórica de quem caga em baldes. Estavam pessoas a falar, como é costume. Eram umas poucas. Uma delas era a Floribella Queirós, que eu não via há séculos, mas que parece que tem uma telenovela nova na SIC que os miúdos gostam e cantam as músicas e tudo. Estavam a anunciar ao mundo que a Elsa Raposo já não andava com um gajo chamado Mário. Fiquei, logo a partir daquele momento, a pensar quem seria este Mário. Deve ser famoso. Afinal, estavam a falar dele na televisão. Quantos Mários conheço eu que são famosos? Mário Jardel. Mário Laginha. Mário de Sá-Carneiro. Mario Puzo. Mário Henrique-Leiria. Super Mário. Mário Cesariny. Mário Soares. Mário Crespo. Mário Vargas Llosa. Mário Viegas. Mário Zambujal. Mário Sérgio. Reparo que, por incrível que pareça, o Mário Sérgio não conseguiria escrever “A Crónica dos Bons Malandros”, mas o Mário Zambujal já era capaz de mandar centenas de cruzamentos para as bancadas de Alvalade. Coisas da vida. Esqueci-me por que raio estava a dizer nomes de Mários famosos em voz alta e, olha, já está a dar o telejornal. Parece que esta noite choveu que Deus a deu. Preocupo-me com estas coisas do ambiente e da natureza, mas não o suficiente para não ficar com o pasmo quando estão a dar coisas sobre isso na televisão, na rádio ou em conversas. Mas até sou um gajo ecológico e tudo. Fecho a porta do frigorífico por causa da camada do ozono e assim. Da camada ou do buraco. É aquela parte que está estragada porque nós não fechamos a porta do frigorífico e usamos desodorizantes de spray e lacas e Raid e Mafu. Eu uso roll-on. Para tudo. Até em vez do Raid e do Mafu. Dá mais trabalho, mas enfim, é pelo bem comum e do buraco ou da camada. A pior parte é, quando lá calha, ter que tirar moscas esmagadas dos sovacos. Pode não parecer, mas explicar porque é que se têm moscas esmagadas nos sovacos não é assim tão fácil. E não fico com a porta aberta enquanto tiro uma fatia de fiambre do tupperware. Não, eu tiro o tupperware cá para fora, tiro o fiambre e depois é que volto a abrir o frigorífico. Bem, e não é que a porra das notícias sobre a chuva não parecia ter maneira de acabar? Só quase às duas é que pude saber quem treinou com os colegas e quem ficou no ginásio a fazer trabalho específico. Já durante o Verão é a mesma coisa. Se é fogo é porque é quente e queima pinheiros, se é água é porque é fria e encharca alcatifas. Esta gente nunca está é contente com nada.&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-116183228142418193?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/116183228142418193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=116183228142418193&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116183228142418193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/116183228142418193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/10/choveu-pronto.html' title='Choveu, pronto.'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115999111869127491</id><published>2006-10-04T19:45:00.000Z</published><updated>2006-10-04T22:30:03.033Z</updated><title type='text'>A negação da Roda - O veredicto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/leonardo-da-vinci.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/leonardo-da-vinci.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Na visão de leigos, e parvos de um modo mais geral, o facto de o título de pior invenção de todos os tempos estar, neste preciso momento, a ser disputado entre duas peças de vestuário, pode parecer curioso. É um erro natural e até cândido. É como pensar que aquele livro do Miguel Sousa Tavares, o “Não te deixarei morrer, David Crockett”, era sobre o gajo do Miami Vice. Parece que não é. Folheei-o há dias no Continente. Aliás, cheguei a ler qualquer coisinha e tudo. Levei-o da secção dos livros e assim até à secção dos enchidos. Queria ver se tinham aquelas amostras de chouriço com um bocadinho de broa. Ou pão, não me importo mesmo nada se forem de pão. Gosto é de comer à pala. Não gosto é quando as amostras são todas da mesma iguaria. Assim só posso comer uma. Quando são de várias, posso-me armar em connaisseur e provar todas. Se são todas iguais, e como mais que uma, vou parecer apenas um gajo que quer é almoçar amostras de enchidos. E sou. Mas não quero que se note. Seja como for, aqueles ordinários nem tinham amostras. No caminho, passei pela secção dos congelados. Por sistema, tento sempre evitar a secção dos congelados. É lixado estar vestido à Verão e depois ter que atravessar uma zona que exige que se vista um Kispo. Mas, no Continente, tenho que passar pelos congelados. Ou isso, ou a zona dos pensos higiénicos e coisas da L’Oréal para pintar o cabelo. A outra hipótese é a dos tampos de sanita. Prefiro passar nos congelados, e rapar frio, a passar na zona dos pensos higiénicos ou dos tampos de sanita e parecer que preciso de pensos higiénicos ou um tampo de sanita. Eu sou muito homem. Nem sei para que raio serve o tampo da sanita. É isso e o bidé. Parece um sidecar da sanita. Passo nos congelados, mas a correr. Nesse dia, passei nos congelados a correr e com o “Não te deixarei morrer, David Crockett” na mão. Logo quando peguei no livro, estranhei o facto do Don Johnson não estar na capa, mas pensei que fosse por causa dos direitos de imagem e essas coisas. Parece que, afinal, o livro não passa de um florilégio de opiniões e pensamentos do Miguel Sousa Tavares. O título engana com’ò caraças. Nem consegui perceber o que ameaçava o gajo do Miami Vice em concreto e como é que raio o Miguel Sousa Tavares tencionava salvá-lo dessa morte iminente. Só por causa da tosse, deixei o livro na zona dos enchidos. Com uma alheira a marcar a página.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Mas sim, o título de pior invenção de sempre decide-se mesmo entre duas peças de vestuário. De um lado, os calções de ganga em homens. Nada tenho contra a ganga. Acho que, sim senhoras, é um tecido com qualidades. Mas só serve para calças. Não vale a pena meterem-se com invenções e desatar a aplicar a ganga a tudo. Mas eles desataram. Depois do sucesso que foram as calças de ganga, eles logo promoveram selvajarias como os coletes de ganga ou as camisas de ganga. Levaram o conceito muito para além dos limites do imaginável, e até cortinados e sofás de ganga fizeram. Eu já vi um sofá de ganga. E até me sentei nele. É tal e qual como sentarmo-nos num monte de casacos de ganga. Não me lembro de, em toda a minha vida, ter sentido que o que me apetecia mesmo era enterrar os ananases num monte de casacos de ganga. Quer dizer, agora até m’apetece, mas só porque me pus a falar nisso. Eu percebo que, uma vez descoberto um tecido inovador e que tinha feito tanto sucesso na sua versão calça, se tenha a urgência de aplicar aquilo a tudo. Mas há que ter tento. Não se vai agora aplicar uma boa invenção a tudo. A palhinha também é uma invenção toda pimpona e não é por isso que se vai agora tentar convencer o mundo que também serve para comer geleia, marmelada ou salpicão. Não dá mesmo. Temos que fazer muita força e ficamos com aquela impressão que os nossos tímpanos ficaram maiores e o cérebro mais pequeno. Ora, por muito boas que sejam as invenções, o seu espaço de aplicação será sempre finito. Há que optimizar os recursos e não aplicá-los à balda. Nestas coisas, lembro-me sempre do Michael Kinght e da forma como geria o Turbo Boost do KITT. O Michael usava o Turbo Boost uma única vez por episódio. Havia uma racionalização do recurso em questão e, consequentemente, a sua utilização foi sempre optimizada. Não ia usar o Turbo Boost para saltar poças ou cercas. Passava era por cima das poças e levava as cercas à frente, era o que era! E usava sempre o Turbo Boost da melhor forma. Quando precisava de saltar rios grandes e coisas assim. Ou rios que tinham pontes daquelas que se levantam para passar um barco e no preciso momento em que o KITT ia a passar se tinham levantado. E o mau já estava do outro lado do rio, claro. Se o KITT não tivesse com pressa, esperava que o barco passasse e a ponte descesse outra vez. Sim, porque o KITT não é como aqueles polícias que, só porque estão atrasados para o torneio de sueca lá na esquadra, ligam as luzinhas para passar à frente de toda a gente.   Assim como assim, tivesse-se o mercado da ganga lembrado do Michael Knight e do KITT e, provavelmente, hoje estaríamos livres dos calções de ganga em homens. Depois verifica-se a chatice de ver a ganga – que, reitero, é uma invenção com carácter - associada a uma das piores invenções de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como concorrente directo dos calções de ganga em homens, temos os bonés com rabo-de-cavalo incluído. Neste particular, alguns incautos poderão dizer “oh, mas ninguém usa isso.” Lérias. Usa, que eu já vi. É como dizerem que aquilo de pisar um ancinho que está no chão e levar com o cabo nas trombas só acontece nos desenhos animados. Acontece o tanas! Também já vi. Foi ontem e tudo. O senhor não ia perseguir o rato do Tom e Jerry, nem o Bip Bip, mas teve piada na mesma. Em termos de boné com rabo de cavalo incluído, o que custa realmente a crer é que, a determinada altura da História, num determinado ponto do nosso imenso planeta, alguém tenha estruturado um pensamento em tudo semelhante a “chiça, pá, o que me faz mesmo falta, assim no que concerne à apresentação pessoal e coiso, é parecer que, quando uso boné, tenho cabelo comprido enrabichado”. Eu fico parvo quando oiço gente de fato a falar na televisão e dizer que o paleio do Hitler era pasmoso, até porque convenceu o povo alemão a apoiá-lo. E a lábia do gajo que inventou o boné com rabo-de-cavalo incluído, hã? Pá, há judeus chatos com'à potassa. Eu, que não sou nenhum Hitler, não demoro mais de cinco minutos a convencer meia dúzia de reformados a limpar o sebo a judeus com as malhas de chinquilho. Agora, fazê-los usar um boné com rabo-de-cavalo incluído? Queria ver o Hitler a tentar essa, queria. Mas com legendas, que eu não falo alemão. É, então, sem nenhum critério objectivo e argumento válido, que me decido pelo boné com rabo-de-cavalo na corrida para o título de pior invenção de sempre. Porquê? Porque, há bocado, quando andava à procura de pornografia com a temática "moças de signo Sagitário", encontrei isto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/38630.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/38630.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Relega os chapéus com rabo-de-cavalo incluído para um plano absurdamente secundário, mas mostra que no porfiado combate destes últimos com os calções de ganga em homens, há aliados de peso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115999111869127491?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115999111869127491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115999111869127491&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115999111869127491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115999111869127491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/10/negao-da-roda-o-veredicto.html' title='A negação da Roda - O veredicto'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115764628269906954</id><published>2006-09-07T16:24:00.000Z</published><updated>2006-09-08T13:58:41.333Z</updated><title type='text'>A negação da Roda</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/70000501.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/70000501.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter certezas é muito positivo. Acho eu, pelo menos. E eu tenho algumas. Aliás, muitas. Sendo sincero, existe apenas uma única interrogação à qual ainda não consegui associar uma resposta que, humildemente, reconheço como verdade absoluta a nível mundial. Essa questão é, na sua essência, simples e directa, mas, na procura de uma resposta definitiva, o mundo tem-se dividido. E, atenção, não me refiro aqui à eterna contenda de tentar saber o que é que a Maria João Avilez tem mais: se voz rouca, se laca. Essa questão, já se percebeu, toca universos exactamente proporcionais. Pode parecer que ela tem a voz mais rouca que laca no cabelo, ou vice-versa, mas não. É igual. Ambos os fenómenos em quantidades absurdas, é certo, mas enigmaticamente iguais. Isto já foi comprovado por estudos e tudo. O que nem percebo bem é como é que deixam, ou deixavam até há pouco tempo, a Maria João Avilez conduzir entrevistas. Ainda por cima quando o tempo se encarregou de dispensar talentos do calibre de um Joaquim Letria. Fazem falta mais entrevistadores que não se consigam levantar da cadeira e suem em barda, como o Joaquim. Fazem falta entrevistadores visivelmente desconfortáveis. Para se centrarem no essencial, e nunca no acessório. Além do mais, a laca apeçonhenta o ar e isso inibe as pessoas de abrirem a boca, facto que, claro, afecta a dinâmica que se quer em qualquer entrevista. Eu sei disso porque, uma vez, no Metro, fiquei atrás duma daquelas velhotas que mete muita laca e, porque estava constipado, respirei pela boca. Constipado ou com o pasmo, não me lembro. A verdade é que a laca começa a conspurcar as papilas gustativas e, num ápice, ficamos com um azedume de natureza química na boca que é uma coisa parva. É por isso que imagino que, ao ser-se entrevistado pela Maria João Avilez, baste fechar os olhos – o que, mais tarde ou mais cedo, vai acontecer, que laca naquelas quantidades é pior que gás lacrimogéneo ou Raid – para parecer que se está a ser entrevistado pelo Olavo Bilac no meio duma vinha que está a ser sulfatada. Uma vinha a ser sulfatada em Chernobyl, para ser mais exacto. Pessoalmente, não me parece que, estando no meio duma vinha a ser sulfatada em Chernobyl, o que mais m’apeteça fazer seja responder às perguntas do Olavo Bilac. E depois quem sofre é a própria entrevista, está claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e sem mais rodeios, centremo-nos na única questão para a qual não possuo ainda uma resposta irrepreensível de todos os pontos de vista: Afinal, qual é a pior invenção de todos os tempos? Aquela coisa que não tem qualquer tipo de utilidade, seja de natureza funcional ou estética? Após uma metódica e científica reflexão, eu, e, por arrasto, a própria humanidade, concluímos que a resposta para esta questão está, ainda e até ver, bifurcada. Por um lado, temos aqueles chapéus que, por alguma razão que escapa à sanidade, trazem um rabo-de-cavalo incorporado. Por outro, temos os calções de ganga em homens. E, para aqueles, que armados já aos cucos, estão a pensar “então, mas não é pior um daqueles fatos de empregada francesa, com espanador e tudo, num homem?” ou “então, mas não são piores aquelas decorações em alcatifa cor-de-rosa ou azul-canário para cobrir o tampo da sanita?”, eu respondo apenas com um irrefutável “Não, caralho.” E, acto contínuo, ainda enfio uma lamparina no idiota que usou a expressão “azul-canário” ao pé de mim. É óbvio que, para as mentes mais distraídas, muitas outras coisas parecerão estar ao nível dos calções de ganga em homens e dos chapéus com um rabo-de-cavalo incorporado, mas nada está. Há coisas que se aproximam, claro, como também há coisas que se aproximam da betoneira no ranking de “pior coisa para nos cair em cima quando passamos perto de uma obra”. Aproximam-se, mas a betoneira é a betoneira. Aqui é igual. Por exemplo, até admito que aquelas camisas que traziam enchumaços de esponja nos ombros se aproximem dos chapéus com rabo-de-cavalo e dos calções de ganga em homens, mas, porra, alguém no seu perfeito juízo é capaz de colocar estas coisas num mesmo patamar avaliativo? Seria um despautério. Seja como for, em breve, colocarei por aqui aquilo que, dentro dos limites da razoabilidade, se poderá chamar de “evolução e características” destas duas invenções. Para poderem opinar e assim. Enfim, participar activamente neste sufrágio essencial. Claro que, depois, vou cagar nas vossas opiniões e decidir sozinho. Mas também é bonito dessa forma. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115764628269906954?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115764628269906954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115764628269906954&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115764628269906954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115764628269906954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/09/negao-da-roda.html' title='A negação da Roda'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115336015755410991</id><published>2006-07-20T01:44:00.000Z</published><updated>2006-11-22T11:47:03.486Z</updated><title type='text'>Corrença e pirexia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/isosp4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10px 0pt 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/isosp4.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há dias apanhei um anúncio televisivo cuja frase inicial, aquela que deve prender logo o telespectador ao aparelho, rezava mais ou menos assim: “A diarreia ataca sempre nas piores alturas.” É preciso coragem para iniciar um anúncio com um vocábulo tão pouco consistente, mas as verdades têm que ser ditas. E sim, realmente é verídico. Quem nunca desabafou tal coisa em público, como que a dar o lamiré para o interessante debate que sempre se seguirá, que atire a primeira pedra. Eu, indivíduo com vasto conhecimento em todas as áreas que não implicam estudo ou formação, confirmo que sim, que a diarreia ataca sempre nas piores alturas. Também tem, claro, coisas boas. Sendo a mais flagrante o facto de, findo o ataque, nunca implicar o uso do piassaba nas cândidas paredes de louça da sanita. O autoclismo é sempre mais que suficiente. E isso é bastante porreiro. Mas, lá está, não há dúvida que a diarreia ataca sempre nas piores alturas. Partilha essa inconveniência temporal com muitas outras coisas. Levar com uma bigorna no dedo grande do pé. Uma tijoleira na cara também ataca sempre na pior altura. Sobretudo se estivermos de fato, até porque o barro cozido ainda deixa bastante pó quando se parte. E, como provavelmente o impacto ainda nos parte o nariz, é sempre aborrecido tirar uma mistura de sangue com pó de barro cozido do casaco. Outra coisa que ataca sempre na pior altura é ser raptado por um bando de leste, ver-se privado das maravilhas que é ter um par de rins e ser mantido numa arca cheia de papel celofane durante meia dúzia de meses. Não gosto do barulho daquilo. Rebolar em grandes quantidades de celofane pode parecer uma coisa fixe de se fazer, mas não é. Não se deixem enganar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ou, e que já se fala em coisas com péssimo timing, é sempre imperiosa a referência à corriqueira situação em que, estando nós postados na fila para pagar um serviço, alguém, que não olhou para nós durante todo aquele tempo de espera, se vira na nossa direcção no exacto momento em que estamos a palitar os dentes com a ponta do envelope onde temos a factura da TV Cabo. Porque, caraças, há bocados de bacalhau que não podem esperar por um palito! São muito incomodativos. Pior! Há bocados de bacalhau que parece que se camuflam quando há um palito e depois aparecem quando o acesso a palitos já está comprometido. São aqueles bocados de bacalhau que, uma vez retirados, nos fazem sentir uma espécie de renascimento. Parece que tomámos um daqueles banhos que correram mesmo bem. Daqueles em que não ficamos com espuma nos ouvidos e na cabeça. Mas, enfim, essa pessoa, a que nos apanha a palitar os dentes com o envelope da factura da TV Cabo, também olha para nós sempre na pior altura. É, nesse sentido, bastante como a diarreia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais me impressionou neste anúncio foi uma outra particularidade. Parece que quando se avizinha o inoportuno ataque de diarreia basta, ao afectado, a ingestão de um comprimido. Algo está mal. Aqui há não muitos anos, para se medir a febre, havia quem recorresse a uma maravilha denominada – e poucos nomes são tão directos como este – termómetro rectal. Que eu saiba, a febre é na cabeça. Na testa, mais exactamente. Porque era lá que a minha mãe punha a mão para saber se eu estava febril. Se é na cabeça, porque é que raio existe um termómetro tão exclusivo? Não fazia sentido. Não faz. Quão perversa tem que ser uma ciência para estabelecer as relações diarreia/comprimido e febre/termómetro no cu? Muito, no mínimo. Uma ciência normal e altruísta desenvolveria produtos aplicáveis no cóccix apenas e só quando a área atingida fosse essa. Ou, vá lá, nos seus arrabaldes. Mas não. Parece que andam a gozar com as pessoas. Eu até confrontava o meu médico de família com tamanha contradição. Só que tenho medo que ele embezerre, murmure qualquer coisa, e, para tratar aftas, me receite meia dúzia de embalagens de supositórios. Já lá diz o adágio popular, “a doença é o celeiro do médico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que isto quer dizer, mas queria acabar com um provérbio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115336015755410991?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115336015755410991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115336015755410991&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115336015755410991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115336015755410991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/07/correna-e-pirexia.html' title='Corrença e pirexia'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115222844921058565</id><published>2006-07-06T23:19:00.000Z</published><updated>2006-09-01T19:38:37.140Z</updated><title type='text'>Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (VII)</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ainda me lembro quando parti o candeeiro da sala e, dilacerado por uma angústia atroz, ter discorrido afincadamente sobre a melhor maneira de dar essa péssima notícia à minha mãe. Muito pensei, mas acabei por escolher o mítico “mãe, olha, aquilo partiu-se”; proferido, claro está, com a cara e entoação de quem parecia ter presenciado a combustão espontânea de um familiar próximo. Mas não muito próximo. Assim um primo em segundo grau, vá. Já há muito que se sabe que o “se”, na sua forma de partícula apassivante, parece sempre ser o plano perfeito para contar tragédias provocadas pelo próprio relator. Seja como for, nem isso, muito menos a expressão facial de espanto ignorante, alguma vez resultou por aí além. Pelo menos com mães. O problema é que as mães nunca se fiam na impessoalidade que, ao fim e ao cabo, é a grande – e única – força do “partiu-se”. E, desde sempre, todos os filhos deste mundo têm procurado melhorar os métodos de contar desgraças às suas mães. Sem grande sucesso, que as mães são lixadas de ludibriar. Mas, como em todas as áreas da vida, e quando menos se espera, eis que surge um visionário que revoluciona tudo e renova a fé de todos aqueles que já se viram perante o tormento que é contar à mãe que se fez asneira da grossa. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/jose_angel.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/jose_angel.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caso, o visionário, como é costume nestas coisas, tem um nome composto. Já se sabe que, invariavelmente, o talento desponta neste planeta sob a forma de um nome composto. José Ângelo é então o garboso rapaz desta capa. José desenvolveu, e muito bem, um método menos famoso que o “partiu-se”, mas que, bem vistas as coisas, sempre teve muito potencial. Refiro-me ao método de embelezar ou simplesmente realçar outros aspectos de forma a transformar a tragédia num mal menor. Um exemplo bastante usual era o de arrumar o quarto e, só depois de mostrar essa extraordinária façanha, contar a tragédia em causa. Mas volte-se um pouco atrás. Tal como muitos filhos em determinadas alturas das suas vidas, também José Ângelo tem algo para contar à sua mãe. Fez asneira. É verdade que é um homem feito, mas nem por isso parece ter menos tragédias para contar à sua genetriz. José Ângelo diz ser um cristão homossexual. É isto que quer contar à mãe. Um cristão homossexual, e não um homossexual cristão. Ou seja, José Ângelo não é, note-se bem, um maricas que vai à missa. José Ângelo é um gajo que sabe o Pai-nosso, mas que não passa sem que, num movimento de vai e vem, lhe violentem as nalgas. Ora então, José Ângelo não partiu o candeeiro da sala. Embora, por razões óbvias, o verbo partir se possa manter quando se aborda o segredo do senhor. Sim, José não partiu o candeeiro da sala, mas, ao que parece, têm-lhe partido a bilha. Não será, convenhamos, a mesma coisa que dizer à nossa mãe que partimos o candeeiro da sala. Só que, e é neste pequeno detalhe que assenta toda a genialidade deste visionário na arte de contar à mãe que fizemos asneira, José Ângelo opta por, ao invés de realçar aspectos mais positivos da sua vida, tornar dolorosamente evidente a montanha de defeitos que possui. Mais! José Ângelo, neste pout-pourri alicerçado numa assombrosa genialidade criativa e em três ou quatro lampejos de desenrascanço, tem a brilhante ideia de nem encarar directamente a sua mãe. É, sem dúvida, o plano perfeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Observe-se bem a capa deste disco. Observe-se, porque é uma oportunidade, quiçá única, de presenciar um talento também ele singular. José consegue transformar o acto de lhe partirem a bilha, e gostar, numa tragédia pouco mais que residual. Um pormenor que se dilui de forma instantânea num mar de desgraças. Pode-se começar pela decoração, pela enigmática disposição dos equipamentos. Não é por acaso que aquela planta selvagem está quase que a camuflar o nome de José Ângelo em  espanhol. Trata-se claramente de uma metáfora sobre o facto de o verdadeiro José Ângelo estar ainda enevoado pela selvajaria incapaz de reconhecer a diferença do próximo. Ou então não é nada disto e trata-se tão-somente de uma péssima opção gráfica. Seja como for, quer se trate de uma metáfora, quer se trate de uma opção em termos gráficos, estamos perante uma tragédia. Mas é a própria imagem de José a assumir protagonismo central nesta capa. Claramente. A camisa, semi-havaiana, semi-que merda de padrão é este que até parece ter para ali uns barcos à vela ao contrário e umas árvores de natal. O mocassin de cor café, secundado pela meia de marcado tom “encardido-deslavado”. Até a mítica calça branca lá está. Basicamente, uma conjugação de cores que faria corar o próprio Aquaman. E que dizer do relógio de José Ângelo? Já não se via um Casio desde que as pastilhas Gorila deixaram de ter aquela colecção dos capacetes de Fórmula 1. Aliás, estou equivocado. Vi um Casio recentemente, e se não era cuspido e escarrado do do José Ângelo, era um modelo parecido, numa daquelas pessoas que, feitas parvas, se vestem como um pica do metro. Sim, com camisa de manga curta, cor branca mas com ténues linhas vermelhas verticais, calça azul de “tecido”, sapato escuro e uma daquelas pastas que levam papéis, facturas e recibos da água. Esses gajos têm quase sempre um Casio.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Já o seu duplo queixo, de José Ângelo, entenda-se, não é ainda monstruoso, embora, e em compensação, José possua um daqueles vincos no pescoço que o fazem parecer estar a usar uma cabeça que não é sua. Aliás, a cabeça de José Ângelo é, também ela, enigmática. A cabeça do José Ângelo é tal e qual a do João Broncas, logo, tem o aspecto de um daqueles gajos capazes de arrotar e, acto contínuo, se deliciarem com o sabor das amêijoas que comeram há dois dias. Mas é um João Broncas em triste. Em meditabundo. A olhar para o infinito. Um João Broncas sofredor. A naturalidade da pose de José também tem que se lhe diga. É a pose padrão para se poder ocupar a montra de um daquele estúdios fotográficos com vitrinas atulhadas de fotografias da crisma e copos de água de desconhecidos. Pode não parecer, mas estas poses, de que a de José Ângelo é um exemplo, são criteriosamente ajustadas pelo fotógrafo. Eu bem me lembro de ir tirar fotografias tipo passe a estes estúdios e o fotógrafo fazer o caminho “eu-câmara fotográfica”, e vice-versa, vezes sem conta só para me ajustar a disposição do braço/mão/cabeça/perna. Repare-se que, na disposição corporal de José, está ainda presente o incompreensível “cruzar de pernas que aperta sem necessidade nenhuma”. Não faz sentido que, existindo um cruzar de pernas tão perfeito como aquele em que se apoia o tornozelo na rótula – sendo que o seu único senão é ao nível do rápido adormecimento da perna suspensa, mas, quanto a isso, basta ter cabecinha e gerir bem as trocas de membro apoiado/de apoio –, ainda haja uma canalha obscura que prefere um cruzamento de perna que, quer funcionalmente, quer visualmente, é terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por tudo isto que José Ângelo é um génio. Sim, porque se eu, quando parti o candeeiro da sala, tivesse sentado no sofá tal e qual como está o José, a minha mãe, quando chegasse, repararia em tudo menos no candeeiro. Por exemplo, desde que meti os olhos nesta capa, tenho pensado em tudo menos na opção de vida do José Ângelo. Pouco me importa. Estou abominado com outras coisas. Com a mãe de José Ângelo, está claro, ter-se-á passado o mesmo. Por exemplo, alguém no seu perfeito juízo é capaz de deixar de, nem que seja por uma meia horita, meditar com afinco sobre aquele aviso de Stereo, ali no canto esquerdo? Como em todo e qualquer pormenor desta capa, levantam-se logo uma enormidade de questões. Para que é que está lá? Será assim tão decisivo? Quem comprou isto, não compraria em Mono? Havia muita gente no posto de gasolina ou no café do campanário onde isto se vendia a dizer “Ah, caraças, se houvesse isto em Stereo!”? Ninguém sabe. E, pronto, verdade, verdadinha, é que o José Ângelo lá se safou dum ralhete dos grandes por ter aparecido em casa com a bilha partida. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115222844921058565?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115222844921058565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115222844921058565&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115222844921058565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115222844921058565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/07/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html' title='Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (VII)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115108656283630653</id><published>2006-06-23T18:13:00.000Z</published><updated>2006-07-29T19:55:23.256Z</updated><title type='text'>Vai-te fechando, Sésamo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Monstro%20das%20bolachas.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Monstro%20das%20bolachas.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acima dos vinte e poucos anos, não há quem não se lembre da Rua Sésamo. Faz parte do nosso imaginário colectivo e essas coisas assim. Será, tal como milhentas outras séries, uma daquelas coisas que marcou a infância de muito boa gente. Mas, e aqui é que a porca torce o rabo, o feito de marcar a infância de alguém não é automaticamente sinónimo de qualidade e gabarito. Por exemplo, quer-me parecer que os cintos de fivela também marcaram a infância de muita gente, e se sair agora uma edição especial de cintos de fivela não é provável que um considerável magote de sujeitos vá a correr comprar aquilo. Nem há gente que, com um brilho nos olhos e voz nostálgica ou, por outra, com um entusiasmo aparvalhado, ande para aí a relembrar os cintos de fivela em conversas intermináveis. E isso acontece por uma razão muito simples. Os cintos de fivela lembram sovas, coças e surras. Coisas más. Também deixava marca, mas era daquelas que doíam. Infelizmente, a Rua Sésamo, em muitos dos seus aspectos, marcou da mesma forma que um cinto de fivela. Doía. E, por isso, deixou marca. Marcou infâncias, portanto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui grande fã de interacções humanos/bonecos. Haverá, como em tudo nesta vida, excepções, mas, à partida, não é coisa que me faça lamber os beiços ou dançar sapateado apetrechado de um chapéu de feltro e uma bengala daquelas só para o estilo. Ou é com bonecos ou com pessoas. Já bastava quando metiam aquelas histórias horríveis sobre pessoas a sério nos livros do Tio Patinhas. Na Rua Sésamo, isso dos humanos na paródia com bonecos era costumeiro. No rol das chamadas “pessoas”, tínhamos por exemplo o André e a Guiomar que, juntos, protagonizaram a relação de vai-não-vai com menos tensão sexual de que tenho memória. Ele, André, interpretado por um Vítor Norte ainda longe de sucessos esmagadores como “Cluedo” ou “Esquadra de Polícia”, mas já com aquela cara de “eu quero é deboche a toda a hora e em todo o lado, mas queria ter na mesma qualquer coisa de Luís Miguel Cintra para não parecer que estou é sempre a pensar em cowboyadas”. Ela, Alexandra Lencastre, novinha, e, inexplicavelmente, sempre enfarpelada com grossas e largueironas camisas de flanela, para além dos inconvenientes livros e pastas que transportava sempre junto ao peito. Ora, até ver, Alexandra Lencastre é sinónimo de mamas. Se, por qualquer camisa de flanela largueirona e monte de cadernos, não há qualquer vestígio de mamas, não vale a pena haver Alexandre Lencastre. Se era para isso, punham uma actriz a sério, uma daquelas que diz que a sua grande paixão é fazer teatro experimental daquele só com choradeira, berros e pessoas feias em pelota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, por isso, por não ter qualquer memória das mamas da Alexandra Lencastre na Rua Sésamo, que estranhei quando o Fernando Lopes, o realizador que, na altura, era produtor da série, disse numa entrevista que, certo dia, tinha chamado a Xana ao seu gabinete para lhe passar a seguinte novidade, e passo a citar de cabeça: “&lt;i style=""&gt;Alexandra, não te posso ter mais aqui. Não quero ter os putos todos a masturbarem-se por tua causa&lt;/i&gt;”. Não me parece que fosse um problema assim tão real ou frequente. Não há, por exemplo, comparação possível entre a Alexandra Lencastre da Rua Sésamo e a Alexandra Lencastre do genérico da “Ana e os sete”. É a eterna diferença entre uma camisa de flanela grossa e um varão de clube de strip. Seja como for, já todos sabemos o que o Fernando Lopes fazia durante e/ou logo após a Rua Sésamo. Também já sabemos como é que o Fernando Lopes interpretava os primeiros versos da canção de abertura da Rua Sésamo que, relembro, consistia num até aqui puro e virginal “vem brincar, traz um amigo teu”. E, sim senhoras, aqui fica uma bela imagem mental. Daquelas reconfortantes, para adormecer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ora bem, chateavam-me os humanos numa série de bonecos. E chateavam-me alguns bonecos ou algumas coisas de alguns bonecos. O Egas e o Becas tinham demasiado tempo d’antena. Junto com eles, o seu hábito de tomar banho juntos e lutar constantemente pelo usufruto de um patinho de borracha de cor amarelo deslavado. Além disso, Becas é nome de mulher, que eu bem sei. É diminutivo de Rebeca ou qualquer coisa assim. Porque é que não se chamavam Egas e Rui, por exemplo? A sonoridade era menor, mas, caramba, Rui sempre é nome de homem. Becas não. Depois, o Ferrão metia um bocado de medo. Vivia num lagar, mas nunca o víamos pisar uvas, e parecia um daqueles desperdícios de oficina ensopados em mousse de chocolate ou, quem sabe, até cocó. Mas, uma coisa é certa, de entre muita porcaria que deixou marca de cinto de fivela, a Rua Sésamo também tinha coisas boas e com a sua graça. E quem nunca chateava ninguém era o Monstro das Bolachas. Era um gajo unânime. Daí que, quando aqui há tempos se disse que na versão americana o descontrolado mostrengo iria dosear a sua eterna avidez de biscoitos e até começar a comer espargos e sopa de nabiças, muita gente tenha ficado estarrecida. Roubavam a essência, a alma, a uma das grandes personagens da Rua Sésamo. Aparentemente, alguém achou que o Monstro das Bolachas não dava um bom exemplo para as crianças e poderia estar a contribuir para o aumento dos casos de obesidade infantil. É óbvio que é chato haver muitos gordos de tenra idade. Ninguém quer que grasse por aí uma epidemia de gordos. Ainda criam um exército revoltado e depois é uma chatice, sobretudo porque eles são lentos mas aguentam muitos murros, como o Zangief do Street Fighter. Percebe-se então o problema. A proporção de gordos necessária a qualquer sociedade saudável é de um para quatro putos normais. Em cinco putos, um pode, e deve, ser gordo. Para ir à baliza. E o problema, na América, é que já se estão a atingir números alarmantes: em cada três crianças, uma é gorda. Isto significar que, nos Estados Unidos, é mesmo bastante provável que uma equipa de cinco miúdos tenha dois gordos. Dois guarda-redes. Uma tragédia. Era, está visto, urgente intervir. &lt;/p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o cu nada tem a ver com as calças. E, antes de mais, deviam era agrafar às virilhas os testículos do gajo que encontrou uma relação entre ver o Monstro das Bolachas a enfardar e decidir começar a embuchar à maluca. Estas absurdas correspondências sempre me fizeram confusão. O exemplo mais comum é a da violência na televisão que provoca violência juvenil nas ruas. Com que então, há demasiada violência na TV e isso, ora bem, é que torna os jovens mais violentos? Faz perfeito sentido, faz. Mas, se assim é, tem que funcionar em todas as suas abrangências. E, vá lá ver, também há demasiado Manuel Luís Goucha na televisão, e, que se saiba, não é por isso que há para aí ranchos de adolescentes com fatos de cetim cor-de-rosa e camisas de seda com cores claras e leves a aterrorizar as ruas armados &lt;st1:personname productid="em galináceos. Com" st="on"&gt;em galináceos. Com&lt;/st1:personname&gt; o Monstro das Bolachas passa-se o mesmo. Além de que, como toda a gente sabe, ele nem come as bolachas. Parte-as todas e faz um estardalhaço do caraças, mas não come nem uma. Os gordos que imitem o Monstro na perfeição e deixa logo de haver problema. Se não emagrecerem por não chegar a comer as bolachas, emagrecem a limpar o chão que ficou cheio de migalhas, que sempre é exercício físico. A questão central aqui passa por tornar claro que o velhinho Monstro das Bolachas nunca foi, nem será, um mau exemplo. Por amor de Deus, na Rua Sésamo até um vampiro para lá têm. Um que conta muito bem até dez, é certo, mas um vampiro. Os vampiros sorvem sangue. Mas, aparentemente, desde que não engorde, não há problema. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Na versão Sul-Africana, aconteceu uma coisa do género. Por lá, como se sabe, não há muitos putos morfologicamente perfeitos para ir à baliza, mas há outros problemas a aterrorizar a população. E, há pouco tempo, decidiram introduzir uma nova personagem: Kami, um boneco que tem sida e que mostra a todos como a condição de seropositivo não deve ser nenhum estigma. Tudo isto será, porventura, um bocado confuso. Não se pode comer bolachas, mas pode-se ter sida? Então agora os miúdos já não vão todos querer imitar a Kami e desatar para aí a apanhar sida em tudo quanto é canto? Coerência é o mínimo que se pode exigir ao moldador de carácter que a Rua Sésamo diz ser. Enfim, independentemente disso, e nada tendo contra a Kami, à partida também não sou apologista da introdução de novas personagens em séries já cimentadas e com uma considerável e fiel base de fãs. Se tinha mesmo que ser, deviam ter aproveitado para aplicar os novos conceitos às personagens já existentes. E, já que nos tiraram o Monstro das Bolachas como sempre o conhecemos e admirámos, ao menos enfiassem com a sida no Poupas, por exemplo. Um Poupas com sida era um Poupas mais suportável. Era um Poupas com a esperança de vida que sempre mereceu.&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115108656283630653?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115108656283630653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115108656283630653&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115108656283630653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115108656283630653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/06/vai-te-fechando-ssamo.html' title='Vai-te fechando, Sésamo'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-115051370181377922</id><published>2006-06-16T02:52:00.000Z</published><updated>2006-06-23T04:01:39.193Z</updated><title type='text'>O corpo desumano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/10034414.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/10034414.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo humano é uma coisa fascinante, defende um dos mais sólidos e imemoriais chavões. Há mesmo quem diga que será a derradeira e inequívoca prova que Deus existe. A criação divina por excelência. Uma máquina portentosa onde duodeno, jejuno, sigmóide, epitélio supercial, cécum e exócrino, entre outros belos nomes para dar a um filho, coabitam e laboram, e onde se verificam ocorrências como gastroenteroanastomoses, vascularizações hepáticas ou anastomoses dos ramos jejunais.   É um sentimento bonito, o fascínio. Infelizmente, e por muito factual que seja, essa adjectivação – fascinante – não se poderá nunca estender a todo o corpo humano. Ou, pelo menos, não se estenderá num sentido totalmente positivo, de coisa racional ou que, enfim, acabe por dar jeito a alguém. Por exemplo, o corpo humano é um sítio onde, se não se tiver cautela, pode acontecer um corrimento mucoso ou mucopurulento pela uretra. Este é o mais comum sintoma da doença provocada pelo gonococo, esse biltre, que não tem outro nome. E mucopurulento quer dizer que tem muco e pus. Ao mesmo tempo. Com que então, fascinante, hã? Uma pila a pingar mucopurulências que, leio agora, podem assumir cores tão variadas e galhofeiras como o amarelado, o esverdeado ou mesmo uma tonalidade parecida com a da clara do ovo? Sim, até encerrará algum fascínio, mas sempre num sentido nauseante. Como ver um cão a comer o interior de uma fralda. O Tom Cruise a comer a placenta da filha. Ouvir, demasiado perto, uma daquelas pessoas que tem os cantos da boca sempre cobertos com uma espuma branca. Imaginar a Teresa Guilherme a desovar enquanto come chispes de coentrada empapados em mel e pasta de sapateira. Tudo isto também fascina, e a gente até olha, mas só porque mete nojo.&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Espurcícias à parte, muitas coisas há no normal funcionamento do corpo humano que não fazem sentido nenhum. E uma das coisas que me chateia a sério assume contornos mais que absurdos. Indo directo ao assunto: porque é que raio o corpo humano permite que se espirre quando se está, como dizer, a mijar? Isto não cabe na cabeça de ninguém. Porque é que o corpo humano, se é tão perfeito, divino e, lá está, fascinante, consente esta absurda ocorrência? Quando nos apercebemos que está para acontecer, bem, é das piores sensações que se pode ter, se não a pior. Barbaramente aflitivo, tomamos consciência que, afinal, somos de facto muito pequeninos e que nada temos sob controlo. A situação é simples e fácil de contextualizar. Sabemos que estamos a direccionar um jacto de urina para o local adequado. Concentrados, preocupados em nem pingar as bordas da sanita e, às vezes, sem sequer fazer pontaria ao desinfectante WC Pato. Tudo corre bem. Mas eis que surge a sensação única. Caraças, quer-me parecer que vem lá um espirro! Olha, vem mesmo! Eu vou espirrar! E eu ainda nem vou a meio disto, pá! Não vou conseguir acabar a tempo! Vai haver simultaneidade! Vai haver concomitância de acções de despejo que não têm qualquer tipo relação entre si a não ser a circunstância de, vá lá ver, serem ambos actos evacuatórios! São uns segundos do mais tormentoso que pode haver. Se bem que isto, que eu saiba, se aplica exclusivamente aos homens. Melhor: a homens que mijam em pé. Sim, porque há muitos homens que não mijam em  pé. Deficientes e assim. Convém ainda clarificar, porque muita gente não sabe isto, que direccionar a urina pode parecer uma tarefa mais fácil do que realmente é. Não é, confesso, nada de extraordinário, se, claro, nos cingirmos àquelas alturas em que o órgão expelente está numa dinâmica mais amorfa. Defensiva, vá. Porque se, por mero acaso, se estiver a falar do acto mictório enquanto o órgão encarregue de expelir a urina está em posições de ataque, a conversa será sempre completamente diferente. Nessas situações, não há domínio perfeito possível.  É um ver se te avias. É como uma daqueles mangueiras dos bombeiros que fica descontrolada. Só dá mesmo para tentar minorar os estragos o mais possível. Mais que isso será sempre um esforço inglório.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Seja como for, dizia eu, a ocorrência de um espirro enquanto se urina é um fenómeno angustiante e aflitivo para quem mija em pé. Sentado, este problema não se coloca. Essencialmente porque espirrar enquanto se mija é sinónimo de uma salganhada do caneco. Significa que perdemos sentido posicional e direccional. Não há hipótese de, durante aquele mísero segundo, durante o curtíssimo espaço de tempo que demora um espirro, a pila não se tornar - também aqui, embora de forma muito mais intensa e rápida - na tal mangueira dos bombeiros que fica descontrolada ou num daqueles aparelhos de rega dos jardins. Um espirro durante tão corriqueiro acto é como se, de repente, nos víssemos num rodeo, a tentar, do alto de um daqueles touros que estão sempre muito aborrecidos com qualquer coisa, acertar com o esguicho num balde. Como se depreenderá, “acertar” deixa de ser opção. Passa a ser uma completa utopia. Se isto não fosse já suficiente, o espirro é também um fenómeno que tem o condão de nos obrigar, sempre, a fechar os olhos. Ou seja, ainda por cima, esfuma-se logo aí qualquer hipótese de saber, nem que fosse assim por alto, para onde raio foi o mijo desgovernado. Como não sei para onde foi, por norma acabo por estabelecer um perímetro de verificação; isto é, uma zona que perscruto no sentido de encontrar poças desconexas ou mesmo simples pingos. De, convém não esquecer do que se está aqui a tratar, mijoca. A zona deliberada, não sendo rigorosa e adaptando-se sempre à envolvente em questão, deve andar pelo metro e meio para os lados e cerca de 90 cm para a frente (chão e, se for caso disso, paredes). É nesta zona que procuro e é esta zona que limpo. Sim, ignoro por completo tecto e retaguarda e posso orgulhosamente dizer que nunca me dei mal. E por falar em orgulho, eu, valha-me Deus, nem sou um daqueles que espirra compulsivamente, que não consegue só espirrar uma vez. Daqueles a quem vêm sempre uma dezena de espirros, em cadeia, tipo rajada de metralhadora. Esses, quer dizer, se calhar até têm que tomar banho quando isto lhes acontece enquanto mijam. Eu, até ver, ainda só tenho que limpar as zonas afectadas da casa de banho. Enfim, espirros enquanto mijo são sempre acontecimento que acabam por remeter para o dia em que tive a infeliz ideia de despachar a micção enquanto lavava os dentes. Foi a pior maneira de descobrir que, mesmo inconscientemente, o meu corpo tinha tendência para seguir os movimentos da escova.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-115051370181377922?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/115051370181377922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=115051370181377922&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115051370181377922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/115051370181377922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/06/o-corpo-desumano.html' title='O corpo desumano'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114978011790137231</id><published>2006-06-08T15:11:00.000Z</published><updated>2007-02-19T21:51:53.223Z</updated><title type='text'>Na ocidental praia lusitana II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/H0521.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/H0521.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No seguimento da última comunicação deste pardieiro, aqui ficam, sem nenhuma ordem em particular, as cinco pessoas para quem o princípio da autuação à beira-mar deveria ter sido criado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Pessoas que metem um emaranhado de algas e lixo na cabeça e fazem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;air guitar&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se o conceito que sustenta a prática do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;air guitar&lt;/span&gt; é próximo a toda a gente, mas aviso já quem nunca teve o infortúnio de apanhar alguém a fazer isto, que o melhor é deixar de ler agora mesmo e ir à sua vida, se é que tem uma. Por seu turno, quem quiser prosseguir, pode fazê-lo, mas a partir deste momento fica por sua própria conta e risco. Pois bem, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;air guitar&lt;/span&gt;, e vou dar a definição científica da coisa e tudo, é o “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;acto de fingir que se toca guitarra, imaginando que se tem o instrumento nas mãos, e desenvolvendo um exageradíssimo movimento de dedilhação, frequentemente acompanhada de cantoria em altos berros ou sincronização labial com uma qualquer canção, e/ou movimentos violentos de cabeça para baixo e para cima&lt;/span&gt;”. Ora, esta coisa do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;air guitar&lt;/span&gt;, por si só, é já, com muito boa vontade, estupidamente parva, mas consegue ganhar uma nova magnitude quando é perpetuada por um indivíduo que a desenvolve como complemento perfeito para o acto de enfiar com um monte algáceo na cabeça. Como é lógico, estes dois actos conjuntos, já deviam, quando isolados, dar direito a umas lamparinas bem encanadas naquelas fuças. Mas juntos merecem uma coisa mais próxima de, sei lá, uma pequena guilhotina para usar nos mindinhos dos pés. Sim, coisa leve, porque também não sou nenhuma besta sádica que para aqui anda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Pessoas que empinam papagaios&lt;/u&gt;     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim senhoras, empinar papagaios. Não é que, com tanto avanço tecnológico, não há maneira de se acabar com isto? Trata-se de um homem, crescido, que agarra por um fio de pesca um papagaio. Não é a ave, é de brincar. Parece que o papagaio é o seu animal de estimação e ele o está a passear, recorrendo-se da trela para que não fuja. Como se faz com os cães mais histéricos. É que, ainda por cima, este pessoal dos papagaios é quase sempre um pai a ensinar aquela milenar arte aos seus filhos. Como se fosse uma arte perdida, que se passa de geração em geração em segredo. Mas empinar papagaios é tão uma arte como dizer o nome inteiro com um arroto sem beber Coca-Cola é uma arte. É claro que o miúdo está sempre fascinado a olhar para o pai que empina papagaios. O pai é mágico! Um feiticeiro! O meu pai consegue fazer voar coisas, pensa o pirralho maravilhado. Eu também consigo parecer super poderoso à frente de um catraio. Basta-me ter uma caneta e fazer aquela coisa de a abanar para cima e para baixo até parecer que é agora, graças aos meus poderes, é um objecto super maleável. A verdade é que nunca empinei papagaios. Mas já vi disso vezes suficientes. Aliás, vezes de mais. E, ora bem, o papagaio é que está a voar. Quanto muito, é ele que se diverte. O gajo que empina limita-se a ver um bocado de plástico a planar. Eu, aqui ao pé de casa, já vi sacos de plástico do Intermarché e até bocados de esferovite a pairar, lá bem no alto. Não me senti minimamente maravilhado. Assim, onde é que está a emoção disto? É um desporto, uma prova de destreza? Então como é que se perde a empinar um papagaio? Como é que se ganha? É só metê-lo lá em cima, a levitar? A satisfação advém desse simples acontecimento? É que meter um bocado de papel ou plástico de forma poligonal a voar num terreno aberto debaixo duma ventania diabólica não me parece mesmo grande avaria. Aquilo cai, levanta e paira quando o vento quer. Empinem uma farinheira ou uns torresmos do redanho, mas é. Isso, sim, já me parece complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Pessoas que vão à água apenas e só para mijar&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma. Eu sei que, infelizmente, todas, ou quase todas as pessoas mijam na água. Toda a gente sabe. Isto é um facto. E toda a gente gosta de pensar que, por ser no mar, que é uma coisa assim até grande e com espaço, não há mal nenhum. Mas há, claro. É mijo. Sim, é verdade que, exceptuando o quentinho momentâneo, o mijo até acaba por passar despercebido na imensidão do oceano. Dilui-se. Claro que dilui, não duvido. E uma gota de urina na panela da sopa? Também se deve diluir. Não querem brincar a isso também? Aliás, se a lógica é essa, a de que, passando despercebido, se pode fazer porque não há mal nenhum, então que tal defecar num daqueles lagos onde se tomam banhos de lama, hã? Também devia ser jeitoso. Mas o que me faz confusão é quando se percebe que foram à água só para mijar. Pelo menos tenham a atenção de não se perceber que acabaram de ir mijar. Se eu não percebo que alguém está a mijar, é como se ninguém, alguma vez, tivesse mijado na água onde me estou a banhar. Não me passa pela cabeça e consigo-me divertir e abstrair do facto que ando a beber urina. Mas se percebo que mijaram, pronto, está o dia estragado. Porque é que vão lá de propósito? Porque é que não aguentam até irem tomar banho? Porque é que entram até a água lhes chegar à barriga, ficam quietos durante uns segundos, e vão logo embora, nitidamente mais aliviados? Toda a gente percebe! Fiquem mais um bocadinho. Disfarcem a micção. Mergulhem, andem, apanhem pedras, mexam na água, lavem o balde do vosso filho. Alguma coisa. É que até já vi senhoras a adoptar a posição fecal, ou seja, mijando ali, com a água pelo peito ou lá perto, como se estivessem em casa ou no mais recôndito matagal. Baixam-se, como se se estivessem a ambientar à água. Ficam assim uns segundos. E pumbas! Levantam-se e vão-se embora. Não se estava a ambientar à água! Foi só mijar! E essa gente deve pensar que não reparo que vão mijar a uma ponta e tomar banho noutra. Os patifes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Pessoas com um detector de metais à procura de coisas com valor&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem é esta gente?  Estão a brincar ao Indiana Jones e esperam encontrar o Santo Graal enterrado ali na praia de Carcavelos a uns míseros centímetros de profundidade? Além da parvoeira que é andar na praia com um instrumento que parece um aspirador e só encontra latas, garfos, pilhas e dentes chumbados, estas pessoas parece que têm um uniforme específico. São sempre representantes da classe etária que a ciência define como “carcaças”, ou que para lá caminham, e que ostentam um panamá, sandálias, meias grossas de cor escura, calções ou corsários de napa, um pólo, uma luva de meio dedo na mão que empunha o instrumento de detecção e uma daquelas bolsas de usar à cintura. E depois parece que estão em trabalho e que aquilo é uma ciência. Sim, eles gostam de dar a entender que não é só andar com uma vara metálica à espera que se oiça um apito para poderem começar a desenterrar lixo. Como se não bastasse, ainda estão sempre mal encarados porque as pessoas, com as suas trouxas, toalhas e corpos, estão a ocupar locais onde potencialmente estará o lixo que eles querem desenterrar. Para mim, estes gajos dos detectores de metais nas praias não passam do equivalente daqueles esfarrapados que metem a mão em tudo o que possa ter trocos perdidos, como os telefones públicos ou as máquinas de bilhetes do metro. Só tenho pena que as fraldas, os pensos higiénicos e os pensos rápidos não tenham um qualquer composto metálico que faça soar o alarme daquela parvoeira detectora. Talvez a fralda de um puto com uma dieta rica em mercúrio ou potássio dê para isso. O que eu adorava vê-los, esperançosos como nunca, a escavar um buraco para encontrar um tesouro do género. Porque sei, por experiência própria, o que custa quando estou refestelado a remexer a areia com alguns dedos do pé – quase sempre o grande e o outro ao lado – e depois encontro algo que, descubro pouco depois, é um penso rápido. Seria gratificante vê-los escavar uma porcaria dessas com as próprias mãos. Vou é começar a meter um cêntimo em todas as fraldas que encontro e depois enterrá-las ao acaso na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Pais que fazem questão que os filhos andem nus&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não consigo perceber a utilidade desta opção. Até percebo que seja complicado manter algumas crianças com restrições, mas a roupa é – ninguém contestará – uma restrição quando assume a forma de um laço ao pescoço ou um colete, por exemplo. Uns calções de banho dificilmente o serão. Mas, pronto, hão-de haver por aí crianças que reagem a qualquer peça de vestuário como um cão como quando lhe vestimos uma camisola. Mas a esmagadora maioria não se importa de manter os calções. São os pais que lhes tiram, que eu bem vejo. E depois, normalmente até os deixam nus, mas com o boné na cabeça. Por causa do sol. Ou seja, são filhos de pais que até se preocupam, mas depois os deixam andar nus como se fossem selvagens. A aproximar-se das toalhas das outras pessoas, nus. Andam a correr atrás de caroços, nus. Caiem na areia com a boca aberta, nus. Choram, gritam, berram, cantam, saltam. Nus. Esta coisa dos miúdos nus na praia precisa mesmo de enquadramento legal. Se querem mesmo continuar com isso, se, tal como os touradas ou a assunção que margarina é a mesma coisa que manteiga, faz parte da tradição portuguesa, ao menos estipulem uma idade limite. No máximo, até entrarem para a escola. Pessoas que já sabem ler qualquer coisa não deviam andar nuas na praia. Mas, atenção, isto não significa que quem ainda não sabe ler devia poder andar nu na praia. Deus nos livre, ainda por cima num país com 10% de analfabetos. A verdade é que crianças nuas na praia podem dar azo a sustos ou situações incómodas. Já se encontraram na situação de acordar e, ainda meio a dormir, sem saber onde raio estão, dar de caras com duas crianças nuas perto da vossa toalha? É coisa para causar um enfarte do miocárdio ou de outro amigo dele, caraças. É impossível as palavras “eia, c’um caralho, o que eu bebi a noite passada!” não atravessarem aflitivamente a vossa mente. Depois lá se percebe que estão na praia e não na companhia de duas crianças nuas num qualquer quarto refundido de pensão com uma câmara de vídeo, lenços de papel e legos. No mínimo, era um susto evitável. Pior que estes pais, só mesmo aqueles que levam os filhos à água quando ainda usam fraldas. Não sei se estão familiarizados com a acção da água numa fralda, mas a tendência é para aquilo, depois do primeiro contacto, se soltar tudo num período muito reduzido de tempo. É certo e sabido que, nos próximos momentos, vai haver uma fralda a boiar no mar ou a enfeitar o areal. Se ficar na areia, não tarda estão dois putos aos pontapés naquilo. Nus.    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114978011790137231?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114978011790137231/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114978011790137231&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114978011790137231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114978011790137231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/06/na-ocidental-praia-lusitana-ii.html' title='Na ocidental praia lusitana II'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114956323872676420</id><published>2006-06-06T02:54:00.000Z</published><updated>2006-06-06T03:42:34.076Z</updated><title type='text'>Na ocidental praia lusitana</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/PG00000406b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/PG00000406b.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A época balnear abriu no primeiro dia deste mês. A novidade este ano é que, eventualmente, lá hão-de aparecer os tais agentes da polícia marítima e com eles as propaladas novas leis que vão reger o comportamento dos veraneantes. Logo para começar, deve ser lixado para os gajos da Polícia Marítima que, em pouco tempo, passam, pelo menos de forma mais visível, de indivíduos que operavam em alto mar, à procura de traficantes de droga, cargueiros de tráfico humano e navios de piratas bérberes&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, para indivíduos que passam multas a quem for tomar banho quando não podia. Depois, é triste quando o mundo chega a um ponto em que é preciso punir monetariamente as pessoas para as impedir que, de tão estúpidas que são, se matem sozinhas. Foi por isso que, por exemplo, aqui há não sei quanto tempo, se começou a multar quem não usa capacete. O capacete passou a ser obrigatório porque, basicamente, havia muita gente que o dispensava e depois abria a cabeça. E às vezes até morria e assim essas coisas graves. Para muita gente, essa gente, parece que não houve evolução entre a infância e a idade adulta. Quando somos miúdos é que os nossos pais, fartos de nos dizer para não metermos um garfo nas tomadas, nos castigam com a privação de coisas. Gelados, chocolates, brinquedos e visionamento de bonecos, basicamente. Porque quando somos pequenos, a expressão “olha que isso faz-te mal” não faz sentido nenhum. Não se consegue processar essa informação. Para as pessoas que preferem andar sem capacete, a polícia acaba por ser um equivalente dos pais. Fartos de lhes dizer para não andarem sem capacete que ainda se aleijam, resolveram começar a cortar-lhe a mesada sempre que os vissem sem a protecção oval para a cabeça. A essência da multa é esta mesmo: “se és tão estúpido para perceber que o capacete é para o teu bem, começas a ficar sem dinheiro sempre que te apanharmos nesses propósitos nada seguros”. Para, assim, a associação entre “fazer isto” – sendo “isto” uma estupidez qualquer – e “acontecer aquilo” – sendo “aquilo” algo que o indivíduo facilmente percepciona como negativo – ser mais visível, mais imediata e palpável. É como aquelas experiências em que dão choques eléctricos aos macacos para eles aprenderem a fazer as coisas como deve ser. Pessoalmente, nada tenho contra esta forma de controlo e educação. Embora ache que a punição daqueles espécimes bem específicos que, quando andam de motorizada, não usam capacete mas tomam a absurda opção de o levar no braço, devesse ser bem mais pesada. Talvez qualquer coisa que envolvesse picaretas e rótulas ou qualquer outro osso relacionado com articulações. Ou que envolvesse uma faca serrilhada. Em vez das picaretas, claro. O mesmo se aplica àqueles que, também não levando capacete, levam um palito no canto da boca. E, aproveitando o balanço, àqueles que usam o acto de andar de mota sem capacete como um substituto funcional do secador. &lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A lógica que sustenta as multas nas praias é idêntica. Há pessoas para quem um maremoto não é impeditivo de uma nadadura e uns mergulhos. Há pessoas que até acham que a digestão é uma coisa que não existe, que não passa de um mito criado para, mantendo a populaça temente, servir sabe-se lá quem. Aliás, quando dizem a alguns banhistas, directa ou directamente, que não se pode ir, é quando eles querem ir mesmo. E este é um comportamento bastante comum &lt;st1:personname productid="em fedelhos. Eu" st="on"&gt;em fedelhos. Eu&lt;/st1:personname&gt;, por exemplo, nunca na vida quis pôr um saco de plástico na cabeça, até ao dia em que vi na TV que não se podia fazer isso porque era perigoso. Estas pessoas querem apenas fazer aquilo que lhes dizem que não podem fazer. Vai daí, e porque uma bandeira de cor rosada e um idiota em calções a apitar e a dizer adeus não andava a funcionar por aí além, foi preciso aplicar outra vez os cortes na mesada. As multas. Mais uma vez, nada contra. É o tal o princípio do capacete. Mas, e já que vai haver fiscalização punitiva para actividades que se desenrolam em praias, já que se vai aplicar esse princípio, acho que as prioridades deviam focar outras ocorrências. Outras que, mais que o usufruto cuidado e seguro do mar, urgem de punição da grossa. São cinco acções de praia que, a meu ver, merecem correctivos para quem as pratica. E, atenção, nestas cinco, estou a deixar passar, entre muitas outras, as pessoas que pensam que caroços ou pauzinhos de Perna de Pau, sendo matérias naturais, não é lixo; pessoas que vão tomar banho literalmente para cima de desconhecidos; pessoas que fazem questão de passar no meio de um jogo de raquetes quando podiam muito bem passar ao lado; pessoas que passam um dia inteiro a imitar o barulho de focas e/ou gaivotas; pessoas que têm pára-ventos gigantes de fabrico artesanal e que mais parecem muralhas; pessoas que enterram mal o chapéu-de-sol e, após uma rabanada mais vigorosa, essa armação de varetas, pano e uma haste central com uma extremidade pontiaguda, sai disparada às cambalhotas pela praia fora, podendo muito cegar alguém ou perfurar-lhe o baço; pessoas que levam cães, incentivam a que se banhem, e depois ainda os deixam sacudir-se violentamente em cima de outras pessoas; pessoas feias e homens que no regresso da ida ao banho – ensopadas portanto – passam demasiado perto da minha toalha e acabam por deixar cair pingos seus em cima de mim; pessoas que comem dentro de água; pessoas que tratam todo e qualquer grão de areia como se fossem formigas a atacar os rissóis que estão a comer num piquenique; pessoas que tocam viola, especialmente se for a “Dunas”, ou djambé; pessoas que comem coisas com cheiros intensos; pessoas que gritam; pessoas que entram na água a correr e defendem, com unhas e dentes, que “assim é melhor”; ou pessoas que pensam que nadar e chapinhar são sinónimos para todo o comum mortal e não apenas para elas. Sim, para provar que não se trata de má fé, estou a deixar toda esta canalha de fora. Não é que a gentalha citada não mereça bordoada jurídica. Claro que merece. Mas há, ainda e infelizmente, quem mereça mais. E já! Ora então, na próxima edição, as cinco acções que, a meu ver, claro, mais carecem de punição legal. Ou punição por meio de milícia popular armada exclusivamente para o efeito. Essas excelsas&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;entidades que a História tem provado serem dotadas, não só de um apurado sentido prático, mas sobretudo de enorme discernimento. &lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114956323872676420?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114956323872676420/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114956323872676420&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114956323872676420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114956323872676420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/06/na-ocidental-praia-lusitana.html' title='Na ocidental praia lusitana'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114929133640015056</id><published>2006-06-02T23:19:00.000Z</published><updated>2006-06-03T04:37:00.423Z</updated><title type='text'>"Sim, ‘tá bem, mas você é preto..."</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; Reportagem televisiva. Entrevistas de rua à chegada da selecção ao Luxemburgo. Entre algumas dezenas de pessoas, um indivíduo, o único PALOP assim mais pardo na pequena turba de entusiastas, sorridente por ter sido positivamente discriminado e estar a falar para uma câmara de TV, diz qualquer coisa como: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gosto da equipa de Portugal. Eu sou guineense, mas vim aqui apoiar Portugal&lt;/span&gt;.” O jornalista, naquele tom de voz absurdamente paternalista, como aliás é habitual na maior parte das entrevistas de rua, atira: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ah,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não veio aqui agoirar Portugal para Angola ganhar no Mundial&lt;/span&gt;…”. O indivíduo pardo d'ainda agorinha mesmo resiste: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu sou guineense… pois, e vim aqui ver Portugal&lt;/span&gt;…”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistar emigrantes chega a ser uma arte. E não é Noé Monteiro quem quer. É Noé Monteiro quem pode. &lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114929133640015056?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114929133640015056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114929133640015056&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114929133640015056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114929133640015056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/06/sim-t-bem-mas-voc-preto.html' title='&quot;Sim, ‘tá bem, mas você é preto...&quot;'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114903721435911431</id><published>2006-05-31T00:51:00.000Z</published><updated>2006-06-01T03:19:38.793Z</updated><title type='text'>Incómodos da Modernidade (IV): No supermercado</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;u&gt;Round one&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/papel%20higi%3F%3Fnico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/papel%20higi%3F%3Fnico.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Acontecem coisas estranhas nos supermercados. É assim uma espécie de enclave social, único local onde certas coisas parecem acontecer e fazer sentido. Por exemplo, atracções momentâneas podem desvanecer num ápice. Tenho encontrado raparigas airosas nos corredores dos dois ou três supermercados que frequento. Imagine-se então a rapariga, extremamente jeitosinha, mas, ao mesmo tempo, com uma irresistível aura terra-a-terra. Vemo-la e adoptamos o único comportamento natural e aceitável.&lt;br /&gt;Perseguimo-la. Para ela pensar que, se calhar, temos muito &lt;st1:personname productid="em comum. Afinal" st="on"&gt;em  comum. Afinal&lt;/st1:personname&gt; de contas, frequentamos os mesmos corredores no supermercado. Só que a rapariga que perseguimos durante quatro corredores, deixa de ser tão apelativa e atraente no preciso momento em que se aproxima da promoção da Renova e decide levar 20 rolos de papel higiénico que, naquela semana, estão a um preço simpático. Lá se vai a magia. Faz-me confusão ver as pessoas a levarem 20 rolos de papel higiénico. Há uma razão para os rolos de papel higiénico estarem sempre num canto recôndito do supermercado. Ninguém quer ser visto a levar papel higiénico. Não sei porquê, nem quando começou, mas sei que é assim. Eu já vi a Alcina Lameiras a comprar papel higiénico. E mesmo eu, indivíduo respeitador do espaço e opções de cada um, não pude deixar de lançar aquele olhar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ah, és famosa… tens jeito para slogans e tudo… mas a verdade é que também… coiso, como toda a gente&lt;/span&gt;.”. Parece que, não levando papel higiénico, ficamos num patamar valorativo bem acima de quem leva papel higiénico. Naquele momento, eu senti-me, em todos sentidos, “mais” que a Alcina Lameiras. Eu era superior. Por incrível que pareça, não fui dilacerado por uma possível imagem mental da Alcina Lameiras a usar aquele mesmo papel higiénico que eu a estava a ver comprar. Nada disso. Senti-me apenas muito superior. Confiante. Mais forte. Se, como dizem os peritos, ouvir o “Eye of the Tiger” antes de uma luta nos capacita de 35% de força extra, então, ver alguém comprar papel higiénico, ainda por cima uma celebridade, dá um capital de superioridade sobre a pessoa em causa que deve rondar os 400%. Ou mais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas, como é óbvio, já me vi no lado de lá. Uma vez, ou não fosse eu uma das pessoas mais avarentas a nível mundial, queria aproveitar a promoção, não da Renova, mas de outra qualquer marca do género. Eram, também, uns 20 rolos de papel higiénico, e a apenas 2,5 euros. E, por acaso, até acho que era daquela mariquice de folha dupla e de suavidade extrema. Nem fazia questão que assim fosse. Por menos 50 cêntimos, de bom grado me contentaria com qualquer coisa cuja textura se situasse algures entre uma folha de cartolina e uma lixa. Mas até era daquele caro. Do bom. Dois euros e meio por 20 rolos. Como não aproveitar? Fui lá de propósito. Quando peguei nos 20 rolos é que m’apercebei da tragédia iminente: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caraças, não posso sair daqui só com 20 rolos de papel higiénico! Tenho que os dissimular entre outras compras. Tentar fazer com que passem despercebidos&lt;/span&gt;.” A muito custo, lá comprei duas garrafas de água, uma lasanha congelada e um saco de cebolas. Não resultou. A força visual de 20 rolos de papel higiénico abafou por completo a já de si diminuta decência latente a um conjunto lasanha/par de garrafas d’água/saco de cebolas. Naquele momento, não pude deixar de pensar que parecia alguém que precisava urgentemente de 20 rolos de papel higiénico. Eu não precisava urgentemente. Não estava à rasquinha. Nem coisa que se parecesse. Eu queria apenas aproveitar a promoção. Mas a sociedade é assim. Gosta muito de tirar conclusões precipitadas e julgar as pessoas. &lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;Round two&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/fila.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/fila.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não tenho, está visto, truques que me safem dessa Kryptonite que é o papel higiénico nos supermercados. Mas, em compensação, tenho algumas regras que mantêm a minha masculinidade nos píncaros. Primeiro, nunca vou com alguém do mesmo sexo às compras. Eu já vi dois rapazes às compras e sei o que parece. Segundo, nunca uso um carrinho ou, pior, um cestinho para meter as compras. Prefiro fazer malabarismo com as compras nas mãos, apoiadas nos ombros e ao colo, do que levar um cestinho. Não raras vezes fico à rasca dos braços, mas num cestinho é que não pego. Eu bem me lembro do que aconteceu àquele meu vizinho que, aos seis anos, ficou com a bicicleta que era da irmã mais velha. Estava nova, impecável, travava muito bem e até tinha o seu jeito para derrapagens daquelas que levantavam um pó descomunal. Mas tinha também uma cestinha, branca, naquele plástico estúpido a imitar vime. Aquela cestinha na bicicleta deu-lhe cabo da vida. Marcou-o para sempre. Ainda hoje se fala nisso. Nos supermercados, eles bem nos tentam enganar. Dão cores fortes aos cestos. Azul-escuro. Vermelho vivo. Além de formas mais quadradas, tipo tijolo, e pouco redondinhas. Mas não deixam de ser cestinhos. A mim não m’enganam eles. Enquanto não arranjarem uma coisa assim mais ao estilo do saco onde o Rambo levava as metralhadoras e aquele arco que disparava uma flecha bomba que deitava abaixo helicópteros bolcheviques, prefiro carregar as compras.&lt;/div&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Levando eu as compras nas mãos, é natural que queira assentar aquilo o mais rápido possível, enfiá-las em sacos de plástico e ir à minha vida. Mas não tenho, nunca tive, sorte com as filas. Aliás, devo ser a única pessoa, em toda a história dos supermercados, a já ter deixado passar duas grávidas à frente numa mesma fila. Duas grávidas, que nem vinham juntas, ficaram atrás de mim, cada uma com um intervalo de, vá lá, minuto e meio. Deixei passar ambas, como mandam as regras de boa educação e não a minha vontade. Mas este tipo de coisas, e valha-lhe isso, não acontece com muita frequência. Bastante mais comum é a situação em que, chegado ao pequeno tapete rolante da caixa, e todo dorido por causa das embalagens que equilibro, apanho, imediatamente à minha frente, uma daquelas criaturas que resolve dispor as suas compras de forma muito organizadinha, como se estivesse num concurso. Em vez de empilhar tudo, optimizando o parco espaço do pequeno tapete rolante, entrosa tudo com pequenos intervalos de cerca de cinco centímetros entre cada item. E por ordem alfabética ou por prazo de validade. Também já vi por cores. Sim senhoras, fica bonito, fica. E eu, pá? Que nem tenho cestinho! Que estou ali, que só Deus sabe, a sofrer! É que, como se não bastasse, é também habitual estas criaturas pegarem naquele separador das compras e postá-lo mesmo no finalzinho do pequeno tapete rolante. Ou seja, aquela área, onde os seus produtos estão harmoniosamente dispostos, é, por decreto, toda sua. Não me deixa uma nesga que seja para eu apinhar duas ou três compras e, enfim, ter logo algum descanso. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Normalmente, este género de gente arruma toda a sua tralha enquanto o cliente imediatamente à frente vai pagar. Aqui, também não costumo ter muito sorte. É sempre a pessoa que quer a factura. Ou a que tem duzentos cupões que dão 2 cêntimos de desconto cada e que têm que passar individualmente por uma coisa qualquer que lê o código de barras. Ou a que, afinal, já não tem dinheiro para levar tudo e manda um enlatado qualquer para trás depois de ter sido registado. E, nesse caso, é preciso chamar uma empregada chefe para meter um código qualquer que anula a compra. E depois acaba o papel dos talões. Ou então é a cliente que, já nas suas sete ou oito décadas de vivências e agruras, parece espantada por ter que pagar as próprias compras. E, só depois de lhe dizerem quanto é, é que vai buscar a carteira. Depois, após uma demorada consulta do saldo disponível, ainda decide que não quer ser ela a pegar no dinheiro e entregá-lo à empregada. Prefere abrir a carteira e dizer “olhe, veja se tenho aí dinheiro que chegue.” Ou ainda alguém que aparece com um iogurte individual, quando só se vendem em embalagens de quatro. E reclama, diz que não viu lá nada a dizer que tinha que trazer as quatro. Que não quer quatro. Só quer uma. Porque é que há-de levar as quatro se só quer uma? Não tem fome para comer quatro! Tem fome para comer um iogurte, não quatro! Está indignada. Parece querer começar, ali mesmo, agora, uma revolução popular contra o supermercado. Iniciar, ali mesmo, a propalada queda do capitalismo. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Por vezes, oiço a cavalaria: “Podem passar para esta caixa pela mesma ordem, se faz favor.” Abriu uma caixa, ali mesmo ao lado. Vou, finalmente, deixar aquele empecilho que, por qualquer razão absurda, demora anos a pagar e este fátuo que assume o básico acto de despejar as compras para cima do pequeno tapete rolante como uma honrosa participação num concurso de jardinagem. Abriu-se uma oportunidade d’ouro. Está quase, é a minha vez. Quase que choro de emoção. Sinto-me o Carlos Lopes no final da maratona de Los Angeles. Só que, claro, é sempre demasiado cedo para euforias. Eu bem penso que estou safo; esquecendo-me, por momentos, que é bem possível que, para os velhos que estão atrás de mim, aquele género de aviso seja processado como sendo qualquer coisa do género “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rápido! A ordem anterior não s’aplica! É uma nova fila! Uma nova fila&lt;/span&gt;!”. Vejo-me logo rodeado de velhos. Parecem combinados. Aparecem de todos os lados. Uma seita organizada que se apropria de lugares nas filas dos supermercados. Desoriento-me. Sou completamente manietado por aquela meia dúzia de velhos. Não consigo ficar com lugar privilegiado a que tinha direito na nova fila. E, não esquecer, voltar à fila anterior é assumir que tomei uma opção absolutamente errada quando a deixei. Como muito bem atesta o papel higiénico, o supermercado é pródigo em situações que demonstram fraquezas. E, como não quero dar parte fraca, como não quero baixar a cabeça e voltar à fila que abandonara momentos antes com alívio jocoso, deixo-me ficar na nova fila, no lugar que aquela terceira idade organizada me permite ter. Não lhes dou, à antiga fila, a satisfação de voltar. Não sei se faço bem, se faço mal. Sei é que dali já não saio. E limito-me a rezar que nenhum daqueles indivíduos que, com jogo subterrâneo, me arredou da dianteira da fila, adopte os tais comportamentos que atravancam a fluência da coisa. Mas isso acontece sempre, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114903721435911431?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114903721435911431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114903721435911431&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114903721435911431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114903721435911431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/05/incmodos-da-modernidade-iv-no.html' title='Incómodos da Modernidade (IV): No supermercado'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114807489372300181</id><published>2006-05-19T20:51:00.000Z</published><updated>2007-01-31T02:09:47.223Z</updated><title type='text'>Músicas do Sempre (III)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se fala em grande talentos que não atingiram os patamares mais elevados de reconhecimento, isto é, que não conquistaram os mais importantes troféus das suas áreas, os nomes citados são quase sempre os mesmos. Por exemplo, no futebol, a Hungria de Puskas – inequivocamente o gajo mais bem penteado da história do desporto rei –, a Holanda de Cruyff ou o Brasil de Zico, Sócrates e Falcão – o Trio Odemira das rabias na relva –, são sempre considerados quando se fala em grandes equipas que nada venceram, mas que, apesar disso, ficaram na história e são actualmente até mais lembradas que os próprios colectivos que as derrotaram. Tendo em conta que estamos a falar de títulos de campeão do mundo, e não de troféus Nova Gente, acaba por ser uma bela merda de consolo, mas enfim, é o que se arranja. Virando o jogo para outra área artística, o mundo do cinema também tem as suas Hungrias de Puskas ou Holandas de Cruyff. Por exemplo, o Hitchcock nunca ganhou um Óscar de melhor realizador. O mesmo aconteceu com o Kubrick. E, até ver, com o Altman e com o Scorsese. Ou seja, objectivamente, o Leonel Vieira, essa alma responsável por um filme cujo único mérito foi o de ser capaz de melhorar a imagem dum bairro bastante problemático da capital portuguesa – porque, hoje, Zona J é antes de mais uma deplorável fita e só muito depois um péssimo sítio para se esquecer da chave na ignição enquanto se vai “só ali comprar tabaco” –, está, em termos de vitórias nos Óscares para melhor realizador, no mesmo patamar que todos estes grandes nomes do cinema. E, já todos percebemos, o Leonel Vieira até pode realizar mais vinte ou trinta filmes. Mas nunca será um realizador. Não é justo que, ainda que de forma rebuscada, possa estar num qualquer mesmo patamar que profissionais e talentos a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/JF%20-%20Umbad%3F%3F.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/JF%20-%20Umbad%3F%3F.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ter talento e não ganhar é, então, algo que até acontece amiúde. O grande erro passa sobretudo por, em rigorosas leituras dos vencedores, eventualmente se colocarem os Leóneis Vieiras, que têm tanto talento como o Stevie Wonder tem percepção de profundidade, e as Hungrias de Puskas tudo dentro do mesmo saco. O saco dos que não ganharam. Ora, se me é permitido, gostava de, no saco dos verdadeiros talentos que, sabe-se lá porquê, acabaram por não ganhar, incluir um nome que corre o risco de vir a ser olvidado. Uma manifestação de talento ao nível do pé esquerdo de Puskas ou do “Goodfellas” do Scorsese. E que, inexplicavelmente, perdeu. Nada mais, nada menos, que Jorge Fernando e o estupendo “Umbadá”. Sim, porque se, como li há dias num rodapé da Sky News, “‘&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/msicas-do-sempre-ii.html"&gt;Fresh water love&lt;/a&gt;’, sung by lady Dina, was the last spark of the Eurovision song contest in Portugal&lt;/span&gt;”, então, era justo que um rodapé constante da mesma estação nos lembrasse que “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;George Ferdinand and his electrifying ‘Onebadá’ got the most unfair outcome of the Eurovision glorious history&lt;/span&gt;”. Porque foi isso que se passou. “Umbadá” conseguiu apenas, pasme-se!, o quarto lugar no Festival da Canção de 1985. Fui saber, e não é que o “Umbadá” ficou atrás do Nuno &amp;amp; Henrique, dois pirralhos – sendo que um parecia que a mãe o tinha vestido e penteado de forma a parecer um Richard Clayderman anão – que cantaram uma coisa chamada “Meia de conversa”? Indecoroso. Ficou ainda atrás duma Eduarda que cantou umas lamúrias de camafeu sob o título “Meu amor, minha dor, meu jardim”. E, claro, ficou atrás do grande vencedor da noite, o “Penso em ti, eu sei” de Adelaide Ferreira. Eu até nem tenho nada contra a Adelaide Ferreira. Quer dizer, enerva-me um bocado que todas as gajas gordas que vão a concursos de cantoria, escolham aquela música que tem uma apoteose de “afinal o papel principal é meu e só meu” em gritaria de desequilibrada mental ou em ovulação. Mas nada tenho contra a senhora. Aliás, no café onde eu ia comprar pastilhas quando era assim mais catraio, até ouvi bastantes vezes os presentes a elogiar a traseira da sua Irmã Mila, quando ela apresentava aquele concurso de tunas com o Nuno Graciano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de facto, é um absurdo que o “Umbadá” não tenha ganho. E até já o seria se não tivesse ganho com uma margem confortável. Assim, pura e simplesmente, não há palavras. Mesmo admitindo, e eu faço-o, que “Umbadá” não é a canção perfeita! Mas é daquelas canções – aliás, será mesmo a canção, a nível mundial – em que os ouvintes mais querem que o refrão chegue depressa. Não é que o resto seja mau. Não é. Mas aquele “É umbadá, umbadéo-umbadá” é o maior clímax que a canção ligeira foi capaz de dar ao mundo. É que eu, no antigamente, sonhava em guiar o carro grande dos bombeiros. A caminho de um fogo. Com aquelas luzes todas ligadas e a fazer um chinfrim dos diabos. Com as pessoas a olhar, esperançadas na minha força de combate enquanto soldado da paz que guiava o carro grande dos bombeiros. Era como ser o Super-homem, vá. Fazer barulho e ter toda a gente a olhar para nós, sem nos recriminar, enquanto íamos brincar com o fogo, era o sonho de toda a faixa etária 4-10 anos. Era a situação em que mais se imaginava, e citando o Jardel, a naftalina a subir para níveis cósmicos. Infelizmente, não cumpri esse sonho e o desejo foi esmorecendo com os anos. Mas, enquanto foi a coisa que mais queria fazer na vida, aquele refrão afro-pop de Jorge Fernando foi capaz de ir apaziguando esse desejo premente. Ouvir aquele “É umbadá umbadéo-umbadá” foi, durante bastante tempo, e à falta da coisa a sério, o meu “guiar o carro dos bombeiros em alta velocidade, com as luzes todas ligadas e a fazer uma algazarra parva”. É, sem dúvida, o seu equivalente musical. Mais calmo, mais reconfortante. Mas, ao mesmo tempo, estupidamente capaz de passar uma euforia única. Ficou em quatro lugar no Festival da Canção? Ficou. Merecia mais? No mínimo, o céu. C'um raio, vamos mas é todos guiar este carro grande dos bombeiros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://utilizadores.leirianet.pt/%7Eyazalde71/Jorge%20Fernando%20-%20Umbada.mp3" autostart="false" height="50" width="300"&gt;&lt;/div&gt;&lt;u&gt;Outras músicas&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/05/msicas-do-sempre-i.html"&gt;Wind of change&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/msicas-do-sempre-ii.html"&gt;Amor d'água fresca&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114807489372300181?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114807489372300181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114807489372300181&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114807489372300181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114807489372300181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/05/msicas-do-sempre-iii.html' title='Músicas do Sempre (III)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114770214924772737</id><published>2006-05-15T12:51:00.000Z</published><updated>2006-05-16T03:16:17.320Z</updated><title type='text'>O hábito faz o monge</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/TV.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/TV.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Levo já vários anos a ver televisão. Mais de duas décadas de experiência acumulada nesse ramo do saber. Aproveito até este bocadinho para anunciar ao mundo que no exacto dia em que eu nasci, nascia também a televisão a cores &lt;st1:personname productid="em Portugal. Sim" st="on"&gt;em Portugal. Sim&lt;/st1:personname&gt;, eu não tive que ir a Espanha para ver como era isso da televisão a cores. Ou isto de ir a Espanha para experimentar coisas que não havia cá, só se fez com a Coca-Cola? Agora que penso nisso, acho que nem tive logo um aparelho capacitado de reproduzir as maravilhas da comunicação a cores. Essa maravilha de, finalmente, poder saber, por exemplo, se o Raul Durão tinha ou não o tom de pele impecavelmente bronzeado que se anunciava por aí. Se tivesse que arriscar, diria que não, não tive logo uma televisão a cores. Mas essa novidade, a da cor, nasceu comigo. E o que sei é que a primeira televisão a cores que me lembro de ter, acabou por perder uma ou outra cor (o verde e o azul, parece-me) após alguns anos de utilização compulsiva. Depois, lá se arranjou um íman lá para casa, que, diziam os entendidos, se colocado durante uns momentos por dia, junto à TV de forma lateral, punha aquilo como novo. Vim a saber que, claro, não passava de mais um mito, assim parecido com aquele das pulseiras idiotas, aquelas douradas e com duas bolinhas, que se dizia curarem o reumatismo; mas que mais não faziam que ser um muito eficaz meio d’identificação de pessoas fáceis de empandeirar por tudo e todos. Se bem me lembro, até cheguei a ouvir que, se o íman não funcionasse, se deveria usar um secador, e, aí sim, as cores perdidas, ou simplesmente esbatidas, não só voltariam, como ainda se haveria de gabar a brutal pujança adquirida. Às vezes, regressavam em vigorosas tonalidades fluorescentes, acrescentavam mesmo alguns. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fosse como fosse, nunca seria um processo imediato. E, cá por casa, acabou por só se recorrer mesmo às propriedades do íman. Nada de secadores. É que, mesmo durante os anos 80, havia limites para as figuras de parvo que se podia fazer. Além disso, o íman é que era uma coisa fascinante. Poderosa, mas ao mesmo tempo – e como deve ser nestas coisas – bastante enigmática. Eu até pensava que tinha qualquer coisa a ver com o He-man, o dos bonecos, e por isso, a dada altura, cheguei a ponderar a hipótese de, se usasse o íman durante aquelas aventuras de animação, algo cósmico, transcendente e, enfim, porreiro para mim, iria acontecer. Da teoria à prática, tenho a declarar que o máximo que aconteceu foi, minutos depois de usar o íman durante o He-man, ter visto pela primeira vez um homem com um bócio tão grande que mais parecia um gémeo siamês. Mas um daqueles siameses que tinha deixado de crescer para aí aos 12 anos. Já bem crescidote, portanto. Não achei grande espingarda. Estava à espera d’algo que me deixasse, sim, boquiaberto, sim, estupefacto, sim, estarrecido; mas nunca num terreno e básico sentido “chiça, que raio é aquilo que aquele senhor tem debaixo do queixo?”. Sendo certo que, para quem, como eu, ainda só tinha visto uns duplos queixos um tudo-nada mais papudos – e, de certa forma, já com uma certa aura de aberração circense –, um bócio descomunal é algo para, vá lá, ainda assarapantar. Mas esperava assim mais uma coisa como ter acesso a uma dimensão paralela ou ficar com visão raio X. Quem sabe, transformar-me num super-herói, que eu na altura até gostava bastante de usar collants. Mas nada disso. Só a visão duma porcaria dum bócio gigante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/casal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/casal.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, serve este pequeno intróito, que vou fazer questão que acabe por ficar maior que o que se lhe segue, para dizer que me considero uma inatacável autoridade na matéria “televisão a cores”. Cronologicamente, ela nasceu comigo. E, em todos os anos que levo a ver televisão, já deu para perceber que existem duas entidades profissionais que se apresentam no mundo audiovisual de forma distinta das demais. A saber, os polícias e as altas patentes do exército. E destacam-se pelo simples facto de serem as únicas que, invariavelmente, aparecem na televisão com a roupa de trabalho. Com as fardas, vá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Sempre que vão aos noticiários, às entrevistas, aos debates, estas duas entidades profissionais parece que têm que figurar fardadas. Não se percebe porquê. Os polícias, por exemplo, que até aparecem bastante, podiam, mesmo dentro do contexto “farda”, ir variando qualquer coisita. Podiam, sei lá, ir como os agentes do teledisco “Sabotage”, dos Beastie Boys. Ou vestirem-se à polícia sinaleiro, com aquela indumentária que até chegou a ilustrar uns sinais de trânsito aqui há uns anos. Com um chapéuzinho à polícia inglês, mas em branco; umas luvas ali já a caminhar para o compridote, também elas brancas; e uma farda num azul bem mais vivo que a indumentária padrão. Parecia de ganga e tudo. E desde quando é que um fato completo de ganga é feio ou parece mal? Vamos lá ver, afinal de contas, a farda desse virtuoso indivíduo que, qual maestro de renome mundial, coordena toda uma orquestra de automobilistas, é tabu quando toca a aparecer na TV, é? Vai um polícia ao “Prós e Contras”, pronto, já se sabe que vai todo equipado, como se aquilo fosse a Rua Sésamo e as pessoas, para não confundirem os mais garotos, se vestissem consoante aquilo que fazem profissionalmente. Um teatrozinho, com roupinhas e tudo. Podia ser assim com todos então. Os médicos iam de bata branca e com o estetoscópio. Os engenheiros civis iam com um capacete amarelo e uma pasta com folhas cheias de gruas e prédios desenhados. O talhante iria com um avental largo, sujo de sangue, e com um cutelo. O terrorista ia de árabe, com aquela touca, a barba e umas barras de dinamite, daquelas vermelhas compridas iguais às dos bonecos. E por aí fora. Quem ligasse a TV a meio do debate, facilmente perceberia quem era o quê. Deve ser esta dinâmica que os polícias e o pessoal do exército querem estabelecer como regra. &lt;/p&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não postergando o pessoal da polícia, os meus preferidos acabam mesmo por ser os generais e os coronéis, esse pessoal das continências e que combinam os duelos. Aparecem sempre com os seus pins, as bandeirinhas, as estrelinhas e até uns aviõezinhos de brincar, tudo preso ali por cima do bolso do casaco. Parecem aqueles miúdos que ganharam uma corrida de corta-mato no sábado e levam a medalha ao pescoço a semana toda para tudo quanto é lado. Os generais, os marechais e os coronéis são assim. Mas não é só durante uma semana. Não se fartam. Este pessoal, para aparecer na TV, produz-se de tal forma que mais parece que vão a enterrar a seguir e não lhes dá jeito ainda ir a casa. Vão directos para o velório. Vestidos de abajur pindérico. Por uma vez, gostava de ver um gajo do exército vestido à civil na TV. A dar opiniões, a matutar, a discutir temas, assuntos, temáticas, matérias, conteúdos, teores. Enfim, coisas. Bem, o Valentim Loureiro, vulgo Major, será a excepção à regra, porque, verdade seja dita, até já de chambre, à porta de casa, o vimos aos gritos em frente às câmaras. Mas o grande problema é que, agora, à pala dessa mania já instituída, as altas patentes do exército correm o risco de, quando quiserem ir assim mais desportivos para um debate, alguém lhes dizer “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Você aí de calções de ganga e pólo preto da Macieira é que é o General Costa Guedes? Ponha-se mas é a andar. Quem é que pensa que engana?&lt;/span&gt;” e ficar à porta. Ou, quanto muito, até conseguir o tempo d’antena, mas, porque não está vestido como nos habituaram a ver, ninguém acreditar nele. Podem muito bem já ter entrado num ponto sem retorno em relação a estas coisas. E é bem feita. Pronto. Era só isto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114770214924772737?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114770214924772737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114770214924772737&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114770214924772737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114770214924772737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/05/o-hbito-faz-o-monge.html' title='O hábito faz o monge'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114662298322533598</id><published>2006-05-03T02:05:00.000Z</published><updated>2006-05-04T16:11:46.660Z</updated><title type='text'>Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (VI)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Geraldine%20and%20Ricky.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/Geraldine%20and%20Ricky.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensava eu, do alto da minha chaneza, que, depois de &lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/09/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Richard &amp; Willie&lt;/a&gt; e respectiva capa que mostra ao mundo como a imagem de uma senhora a gratificar oralmente, e em simultâneo, um humano bastante pigmentado e duas marionetas estupidamente estereotipadas pode mesmo ser um cenário inquietante, não mais me mostraria alvoroçado com manifestações do tenebroso mundo do ventriloquismo. Afinal, ainda fico. Não é que fique mais alvoroçado. Não. Em abono da verdade, “ficar mais” seria sempre bastante complicado. Para não dizer completamente impossível. Ou, vá lá, tão impossível como, perante uma situação em que alguém está a cantar um fado ou algo que remotamente se assemelhe à mais típica canção lisboeta, não haver pelo menos um atrasado mental que, num misto de empolgamento e certeza de que vai ser admirado por todos, muja “Ah fadista!” uma ou mais vezes. E este até é o grau de impossibilidade mais elevado que conheço. Seja como for, ao que parece, ainda há mesmo capas de disco de ventriloquismo capazes de me colocar &lt;st1:personname productid="em alvoroço. Claro" st="on"&gt;em alvoroço. Claro&lt;/st1:personname&gt; que a própria prática dessa arte que é o ventriloquismo, felizmente com tendência para ser irremediavelmente esquecida, influi muito nesse estado. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Para além da óbvia e inegável dinâmica de parvoíce concomitante a todo e qualquer acto ventríloqua, fazem-me, hoje e sempre, confusão os bonecos. São pavorosos e deixam-nos sempre com o tal desassossego de poderem ou não ganhar vida para, manejando um ralador ou um almofariz, nos atacar num qualquer sítio pouco iluminado. Não percebo porque é que, por exemplo, não usam um anão em vez do boneco horripilante. É que é de uma parvoeira de vantagens tal que chega a ser burlesco o facto de ainda ninguém se ter lembrado disso. Logo para começar, não era preciso o ventríloquo decorar as suas falas e as do boneco. O anão decorava as suas. Os anões falam sozinhos, que eu já vi. Interagem e tudo. Os bonecos não. Depois, aquela coisa de fazer uma voz parva sem sequer abrir a boca, de certeza que não faz bem às cordas vocais dos ventriloquistas. Com o anão a falar, esta questão de saúde nunca se colocaria. Para além disso, e quiçá mais importante que tudo isso, seria uma, não digo considerável, mas no mínimo simpática contribuição para a resolução do eterno problema da empregabilidade dos anões. Sim, porque nem todos podem ser Alf’s ou robots da Guerra das Estrelas. Até o próprio mercado da pornografia com anões tem vindo a sofrer acentuada crise. Ou seja, há para aí muito anão que quer trabalhar e não consegue. Se mandassem os bonecos às urtigas, abria-se a porta para que alguns desses anões pudessem começar a endireitar as suas vidas. Era um novo mundo de oportunidades. E, pronto, não havia boneco e aquele pavor constante. Seria um dueto como qualquer outro. Sem bonecada humanóide e tão normal como uma actuação com um anão ao colo de outra pessoa consegue ser. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Olhando-se para a capa hoje aqui em exibição e científica análise, facilmente se conclui que, ao invés de aproximar o boneco de uma forma mais humana – e um anão é, em rigor, uma forma mais humana que um boneco de madeira ou esferovite –, a Geraldine decidiu antes aproximar a sua forma da do boneco. Devia-lhe dar mais jeito assim. Confesso que, a princípio, tive algumas dificuldades em perceber quem era o ventríloquo nesta capa, se é que havia algum. Não fosse o meu conhecimento académico na arte do ventriloquismo, que rapidamente me chamou a atenção para a disposição das personagens, e esta dúvida acompanhar-me-ia para sempre. Então, o Ricky, mas só porque é ele ao colo da Geraldine, é o boneco. É certo que, a julgar sobretudo pela rígida definição de todo o seu frontispício, a Geraldine terá apanhado boleia com o Ricky naquele teletransportador que "A Mosca" tornou famoso; e agora está, a bem dizer, a metamorfosear-se em algo que se destaca pela aparência pouco humana. Por outras palavras, está numa espécie de avançada, e absolutamente doentia e vomitiva, simbiose com o Ricky. Para este cenário ser ainda mais aterrador, só faltava mesmo ser de noite. Está lá o boneco psicótico que pode ganhar vida a qualquer instante. Está lá a sua maquiavélica mentora que parece, ela própria, feita de cera. Está vestida de noiva e tudo, como se impõe e é costume nestas coisas dos desequilíbrios mentais. Está lá a selva, cerrada e com plantas que têm folhas daquelas que parecem tentáculos. Rechonchudinhos, mas tentáculos. Só se safa mesmo a manta, que eu até tinha uma daquelas quando era mais rapazito e gostava bem dela. Era fofinha.&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Presumo que nem deva ser preciso dizer que esta Geraldine é uma acesa devota daquelas Igrejas estranhas. Dos Cristãos Renascidos ou dos Neopentecostais. Uma dessas. Como também se depreenderá, o disco reproduz os animados diálogos entre a senhora e o seu boneco ensandecido. Quando, ao jantar, ouvirem alguém dizer “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eh pá, estes muçulmanos são todos malucos&lt;/span&gt;” ou “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com estes árabes é sempre um ver se te avias&lt;/span&gt;”, não se fiquem. Defendam os rapazes. Lembrem-se que, por muito desequilibrada que seja essa vadiagem que pensa que, por se detonar em tudo quando é sítio, vai sacar umas dezenas de virgens lá no céu, ainda ficam muito atrás da malta desta capa. É que, por exemplo, do 11 de Setembro, ainda me posso vir a esquecer. Duvido, mas não garanto que não me esqueça. Agora, deste “Trees Talk Too!”, aposto já peremptoriamente que não. Isto sim, é para sempre. Por último, ainda em relação a tão enigmático título, se as árvores conseguem falar, porque é que não dizem ao Ricky que não se usam calças cor-de-rosa, muito menos com uma camisola azul? Era um começo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Outras capas&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/08/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Heino&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/09/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Richard &amp;amp; Willie&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/09/capas-que-dificilmente-sero-piores-que_22.html"&gt;Freddie Cage&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/11/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Joyce&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;John Bult&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114662298322533598?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114662298322533598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114662298322533598&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114662298322533598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114662298322533598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/05/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html' title='Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (VI)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114624230781340642</id><published>2006-04-28T16:35:00.000Z</published><updated>2006-05-01T14:03:33.403Z</updated><title type='text'>Louie, this could be the end of a beautiful friendship…</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/BI%20Joyce.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/BI%20Joyce.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E pronto. Diz que é já no próximo ano que vou ver aniquilado um fiel companheiro de muitas calendas. Sem dó nem piedade. Atira-se borda fora como uma testemunha de Jeová com escorbuto. Só porque vai aparecer um novo e melhor para o substituir. Como se nada fosse. Como se fosse o Luís Pereira de Sousa ou a Serenella Andrade. Está mal. O Bilhete de Identidade, esse amigo de sempre, merece, a meu ver, uma despedida consentânea com o importantíssimo papel que, durante décadas, desempenhou, não só na minha vida, como na de tantos e tantos portugueses. Entretanto, vai ser trocado pelo Cartão do Cidadão, essa galdéria que atraiu quatro cavaleiros do apocalipse para o seu leito – o BI, o cartão do Serviço Nacional de Saúde, o Cartão da Segurança Social e o Cartão de Eleitor –, para depois os fulminar, ocupando os seus honrosos lugares. É a morte anunciada de quatro documentos. Mas, lá está, de entre os quatro, há um que sempre se destacou sobejamente dos demais. &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;No meu tempo, fazia-se o BI quando se passava para o 5º ano. Era uma grande mudança. Íamos para o ciclo. Durante muitos anos, eu pensei que o critério fosse apenas esse: passar para o 5º ano. E fazer o BI era um prémio. No meu caso, foi um BI e uma BMX. Mas eu tinha muito boas notas. Simultaneamente, pensava que as pessoas com a 4ª classe, mesmo que já adultos e pais de gente, não tinham BI. Mesmo quando, mais tarde, descobri que não era bem assim, o meu fascínio pelo BI não esmoreceu patavina. É que, naquela época, eu tinha apenas dois documentos. Pelo menos que me passassem, mesmo que ocasional e fugazmente, pelas mãos. Eram eles, o, agora condenado, BI e o, inevitavelmente algo tortuoso, Cartão de Vacinas. E, pese embora o menor período de convivência, sempre gostei mais do BI. O cartão das vacinas sempre esteve muito preso à imagem das picas. Eu nunca gostei de picas. Além do mais, um cartão que só serve para levar picas não é, há que admiti-lo com toda a lisura, lá muito adulto. Por seu turno, o BI não dava chatices. Nem picas. Dava-nos, isso sim, um ar crescido. Responsável e respeitável. Era, em larga medida, um fato e gravata para crianças. A única forma de parecermos gente. Com ele, éramos, oficialmente, uns homenzinhos. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Até me lembro perfeitamente do dia em que fui fazer o BI. Foi no mesmo dia que vi o “Profissão: Duro”. Já no dia em que, pela primeira vez, pude segurar o meu BI, vi o “Tango &amp; Cash”. E, embora estes filmes sejam inquestionavelmente muito conseguidos do ponto de vista artístico, as minhas referências positivas prender-se-ão sempre mais com as respectivas ligações temporais que acabaram por estabelecer com tão valioso documento. Para mim, serão sempre filmes que marcaram duas decisivas etapas na minha, desde então ininterrupta, posse e usufruto de BI. Bem, durante uns tempos, também foram os meus filmes preferidos com o Patrick Swayze. Mas isso foi porque eu o confundia com o Kurt Russell e pensava que era ele, Swayze, que estalava maus no “Tango &amp;amp; Cash”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A minha afinidade com o BI foi, ao longo dos anos, sendo posta à prova. Logo com o primeiro BI, surgiu um teste de fogo. Possuía eu uma bela carteira casual, com a adorada temática Transformers. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O sítio ideal para guardar o meu novíssimo Bilhete de Identidade&lt;/span&gt;”, pensei com entusiasmo. Como era da praxe, o meu BI foi plastificado por um daqueles tipos do “Plastifico Qualquer Documento e Vendo Pentes, Corta Unhas e Atacadores” com estaminé montado no meio da rua. O problema começa quando constato que o indivíduo me fez aquilo um bocado largueirão. À balda. Com umas bordas enormes, e inerentemente supérfluas, &lt;st1:personname productid="em pl￡stico. Uma" st="on"&gt;em plástico.  Uma&lt;/st1:personname&gt; tragédia! O BI não cabia na minha carteira com a temática Transformers! Independemente da posição, ficava sempre uma grande talhada de fora. E aquilo era feito com um plástico bastante perigoso. Muito rijo e laminado. Com o tagalho que ficava de fora, corria o risco de me cortar de cada vez que ia ao bolso das calças buscar a carteira. A verdade é que ainda me ceifei umas poucas de vezes. Os resultados do encontro da cútis e chicha da minha mão com aquela segadeira de algibeira eram muito parecidos com os dos cortes de papel. E aquilo ardia como o caraças quando eu comia batatas fritas cheias de sal. Aliás, em termos de dor, aquilo até seria assim mais parecido com ter uma afta, muito menos larga, mas também muito mais comprida, na mão. Uma chatice. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Tinha que fazer algo. E a verdade é que, em vez de deixar o BI perdido numa gaiva lá por casa, optei antes por deixar as carteiras. Sem hesitar. Nunca mais tive uma carteira. O Bilhete de Identidade passou a andar solto no bolso. Com maior à vontade, deixou também de me ir podando paulatinamente. Mantive-me fiel a um documento que, apesar do pouco tempo passado, já considerava um amigo. Um amigo que me conhecia bem. Sabia o meu nome. Dos meus pais. A minha altura, quando é que eu fazia anos e onde é que eu tinha nascido. Raios, sabia o meu estado civil antes mesmo de eu saber que porra era essa do estado civil. Naquela altura, mais nenhum dos meus amigos sabia o meu nome completo. Muito menos o dos meus pais. Notava-se o interesse. A dedicação para com o seu amo. Que sou eu. Assim como assim, a carteira, mais dia, menos dia, iria perder com o BI. Mesmo que eu tivesse mantido aquele cenário que me ia amputando aos poucos. É que eu nunca gostei muito de velcro. Essencialmente porque o velcro das minhas coisas gastava-se muito depressa. Perdia logo a aderência e aquele barulho tão característico. Era isso e línguas da sogra, que se me estragavam depois de meia dúzia de assopradelas. São as duas coisas cujo tempo de vida útil é ínfimo nas minhas mãos. Velcro e línguas da sogra. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="arial11preto"&gt;A verdade nua e crua é que, em breve, cessa de existir o BI. Já não vamos poder gozar com aquelas pessoas cuja impressão digital parece ser do dedo grande do pé. Aquelas pessoas que, entre um coro de caçoada interminável, lá iam&lt;/span&gt;&lt;span class="arial11preto"&gt;, chorosas,&lt;/span&gt;&lt;span class="arial11preto"&gt; tentando justificar com uns “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não é o dedo do pé! Eu é que mexi o dedo para os lados!&lt;/span&gt;”. E que vai acontecer ao célebre pedido “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;olhe, assine aqui como tem no Bilhete de Identidade&lt;/span&gt;”? Acabam simplesmente? Seja como for, estou certo que o BI não perece &lt;st1:personname productid="em v￣o. N￣o" st="on"&gt;em vão. Não&lt;/st1:personname&gt;! O BI leva consigo alguns hábitos idiotas que, infelizmente, directa ou indirectamente, sempre o rodearam. Por exemplo, vai encalacrar o pessoal das carteiras de pai. O pessoal das carteiras de pai é aquela malandragem que pensa que já é muito crescidinha só porque tem uma carteira em pele de bovino a abarrotar com cartões e recibos. Cartões de, como dizer, tudo. Afinal, eles têm tantos cartões, não é verdade?, de certeza que são responsáveis e bastante maturos. Lérias. É um truque básico. Afinal, acaba o BI e outros três cartões. Cartões menores, é certo, quase marginais, mas que de certeza que os apologistas das carteiras de pai faziam questão de possuir. Pois bem, esse truque tem os dias contados. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="arial11preto"&gt;Mas, sobretudo, vai acabar com os papalvos que pensam que aquele algarismo misterioso dos BI é, apenas e só, o número de pessoas com o nome igual ao do utente &lt;st1:personname productid="em causa. Assim" st="on"&gt;em causa. Assim&lt;/st1:personname&gt; uma espécie de curiosidade que os serviços de identificação civil resolveram dar aos seus filiados. Uma distracção para atenuar a espera pelo autocarro, por exemplo. Para esta gente, faz perfeito sentido que um António Silva não tenha uma única alma com quem partilhar o nome e que um Eládio Clímaco já possa ter nove gajos que vão olhar quando a mãe dele o chamar para jantar. Sim, o máximo parece ser nove. E ainda têm o desplante de dizer que conhecem não sei quem numa repartição qualquer que lhes assegurou que era mesmo isso. Fazem apostas. Enfim, é um circo completo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="arial11preto"&gt;O que sei é que não foi por estas pessoas que o Bilhete de Identidade foi criado. Nem por estas pessoas que o Bilhete de Identidade vai ser arrumado. Mas, afinal de contas, o extermínio destas pessoas, ou melhor, das suas teorias e manias, acaba por ser uma última ajuda que o BI nos consagra. A nós, aqueles que sempre lhe reconhecemos valor e sempre o soubemos compreender. Obrigado, amigo. Até sempre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114624230781340642?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114624230781340642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114624230781340642&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114624230781340642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114624230781340642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/04/louie-this-could-be-end-of-beautiful.html' title='Louie, this could be the end of a beautiful friendship…'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114541228157824045</id><published>2006-04-19T01:57:00.000Z</published><updated>2006-04-21T03:42:30.386Z</updated><title type='text'>A Lei da Paridade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Assembleia_Republica_Portugal_2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Assembleia_Republica_Portugal_2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece que “eles”, ou alguns deles pelo menos, lá fizeram com que a representação parlamentar passe, não sei quando, a obedecer a uma espécie de lei da paridade. Basicamente, todas as listas que concorrem àquilo das eleições terão, a partir de não sei quando, que incluir um terço de senhoras entre os nomes a sufrágio. Ou seja, pelo menos para começar, a cada dois homens, deve entrar também uma dama. Parece-me ajustada, esta coisa do “Dois homens para uma mulher”. Por defeito, concordo com todas as medidas políticas que vão beber inspiração a cenários de filmes pornográficos, mas, devo confessar, não me parece bem a mesma coisa ver um “dois marmanjos para uma cachopa” protagonizado pela Jenna Jameson e ver – ou, para o efeito, tentar sequer imaginar – um com a Edite Estrela ou a Maria de Belém. Mas se calhar é uma questão de hábito. Aqui há uns anos, eu também não gostava de fava-cavalinha, mas lá que me fui acostumando e às vezes até chego a sentir falta daquilo. &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Ora, mergulhando, como se impõe, a fundo na questão, porquê mudar? Porquê uma lei de paridade? Que tipo de mulher procuram, afinal, os arautos desta nova lei? Em termos de parlamento, o que é afinal uma mulher? Será a Zita Seabra uma mulher no sentido em que a Joana Amaral Dias é uma mulher? Seja qual for a quantidade de álcool ingerido ou a força da coacção, há que admitir que dificilmente o será. Para não dizer mesmo, acompanhado de um vómito seco e um esgar de nojo, “Foda-se, que comparação!”. A Zita Seabra será, no limite, no máximo dos máximos, no infinito dos infinitos, uma mulher num sentido “se o Charles Bronson não tivesse bigode, e uma pila, era assim”. E isso não é lá muito. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ou será que, por outro lado, e se os traços de feminilidade não interessarem por aí além, basta ter um nome de moça? Então e o Vera Jardim, que até nem é assim tão mais feio que a Zita Seabra? Conta como senhora, é? Vera é mais feminino que Zita. Zita, quanto muito, é um nome que até caminha mais para o híbrido, para aquela zona de ninguém. Para o futuro, onde tudo é assexuado e onde o roçamento factual é um acto ultrapassado. E é, claro, um nome que desconsidera tudo o que quem o carregue é e conseguiu na vida. “A deputada Zita”. “A senhora Zita”. “A vizinha Zita”. O nome carrega consigo um sentido diminutivo muito forte. De desprezo. É um péssimo nome, por uma série de razões. E lá está, se é pelo nome, o Vera Jardim é mais mulher que ele. Ela, aliás. Que a Zita.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Se imaginarmos o Parlamento como uma discoteca, tudo fica mais fácil de compreender. É até um exercício bastante simples. O Parlamento foi, durante uns tempos, a discoteca preferida de uma gaja boa. A Joana, que gostava muito de dançar e aparecer. Mas, acima de tudo, era boa. Aliás, e para os padrões a que os pobres diabos que por lá andam há décadas estão habituados, absurdamente boa. Cósmica, mesmo. Rapidamente se espalhou a boa nova de que havia uma nova boa, e, em pouco tempo, toda a gente queria ir ao Parlamento. Ver o avião. A gaja boa. No meio da confusão, tocar, sub-repticiamente, mas nem por isso de forma pouco sexual e ímpia, na gaja boa. E, quem sabe, até tentar embeiçar a gaja boa. Foi o auge do sítio. O Parlamento registou níveis de afluência nunca antes vistos ou sequer imaginados. Mas, quando se deu por ela, já o Parlamento estava cheio de gajos e a gaja boa tinha-se pirado. Fazia-se agora acompanhar de um ancião trovador que também frequentara, e diz-se que ainda frequenta, o espaço de tempos a tempos. Os novos donos do Parlamento perceberam isso. Que já não havia Joana, o mulherão, e que havia muitos homens. As poucas mulheres que ainda por lá andavam eram aquelas que já se confundem com a mobília. E confundem-se não porque eram as de sempre, porque são as mesmas há muito tempo, mas porque parecem mesmo armários, guarda-fatos e mesinhas de cabeceira. Duas delas, que andam sempre juntas, até parecem um sofá-cama e uma escrivaninha. Vai daí, mesmo os mais assíduos, os clientes de sempre, começaram a faltar. A chegar tarde e a sair cedo. As matinés começaram a ficar às moscas. Havia que tomar medidas drásticas. Atrair os homens, atraindo uma das poucas coisas que os atrai. Gajas, portanto. A estratégia assenta sobretudo na fé que, aumentando-se o número de mulheres, uma ou outra possa ser jeitosa. E, desse modo, trazer de novo a alegria e a assiduidade para o Parlamento.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114541228157824045?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114541228157824045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114541228157824045&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114541228157824045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114541228157824045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/04/lei-da-paridade.html' title='A Lei da Paridade'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114485379674192812</id><published>2006-04-12T14:39:00.000Z</published><updated>2006-04-13T17:51:32.633Z</updated><title type='text'>Incómodos da Modernidade (III): No cinema II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/cadeiras.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/cadeiras.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já há muito que se percebeu que, perante uma sala cheia, ou bem composta, o número de braços das cadeiras nas salas de cinema poderá, e é quase sempre, bem menor que o número de braços das pessoas que as vão ocupar. É um facto da vida. Há que viver com ele. É essencialmente por isso que se criou, nas salas de cinema, e entre desconhecidos, um acordo tácito para usufruto do finito apoio braçal que as cadeiras proporcionam. Já se sabe que não chega para todos, durante todo o filme. É preciso perceber que a outra pessoa também quer pousar o braço durante uns minutos. Ter essa atenção. Vivemos &lt;st1:personname productid="em sociedade. Mas" st="on"&gt;em sociedade. Mas&lt;/st1:personname&gt; há pessoas que acham que é melhor ignorar o facto de partilharmos espaços, bens e serviços. Preferem açambarcar o apoio braçal como se nada fosse. E, durante todo o filme, ignoram as nossas preces e protestos mudos. Só para verem como é insensível esta gente, são até capazes de ignorar o bufar alheio. E bufar, junto de um desconhecido, é a mais conhecida e desesperada forma de desagrado não verbalizado e não fisicamente agressivo perante algo. Ninguém deve, pura e simplesmente, ignorar um bufar alheio. Quando um desconhecido bufa, o mínimo que se exige é que os indivíduos que compõem a envolvente façam uma introspecção crítica, procurando perceber se estão ou não, de alguma forma, a incomodar o indivíduo que protesta. Partindo, claro, do princípio que ninguém bufa por dá cá aquela palha. Quero acreditar que vivemos num mundo em que, quando se bufa, algo de muito grave ou incomodativo está a afectar o emissor. Algo lesa a pessoa que bufa. É nesse mundo que quero viver. Um mundo onde não se bufa à toa. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Eu até percebo que existam tarefas chatas. Tarefas que, dadas as circunstâncias, são mais que hercúleas. Ou, encarando as coisas de um ponto de vista mais biologicista, tarefas que, por exemplo, não fazem parte do código genético masculino. Coisas como acabar o rolo de papel higiénico e trocá-lo por um novo. Ou, se não se vai sair de casa, meter qualquer coisa por cima das cuecas porque pode aparecer alguma visita. Mas não se trata de nada disso. Isto são dois exemplos de tarefas que, ou exigem uma apostasia do código masculino, como no primeiro caso, ou que se estruturam com base em conjecturas e futurologias, como no segundo. Não é isto que se pede. A partilha do apoio braçal nas salas de cinema não é nada de transcendente e que renega a nossa essência. Nem é nada que se baseie &lt;st1:personname productid="em conjecturas. A" st="on"&gt;em conjecturas.  A&lt;/st1:personname&gt; possibilidade de alguém, pura e simplesmente, não querer, durante uma sessão inteira, ocupar o apoio braçal, nem que seja só durante um bocadinho, é muito diminuta. Para não dizer absurda. Estamos, já se percebeu, a falar de uma questão de respeito por uma comodidade que é suposto ser partilhada e de que todos querem um bocadinho. Toda a gente sabe disto. Só se pede que tenha a delicadeza de ir passando a vez. Não só é uma simpatia social, como também é uma necessidade pessoal. Ficando com o braço sempre apoiado, é provável que se fique com o membro em causa dormente. É imperioso ir trocando de posições. Para bem de todos. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A última vez que me calhou um desses gajos que monopoliza aquele amparo braçal foi precisamente quando fui ver “O Segredo de Brokeback Mountain”. O indivíduo, que já lá estava quando cheguei, ficou do meu lado direito. Em situações normais, escolho um lugar que não implique ficar em cima de um desconhecido, sem qualquer tipo de zona intermédia. Mas, naquele caso, era complicado. Não só a sala estava bastante composta, como a rapariga da lanterninha – demasiado máscula, sendo que o uniforme do cinema, calça, camisa e colete, também não ajudava por aí além – me tinha acompanhado ao lugar e dito, num tom ameaçador, e que revelou o dente mais desvitalizado que alguma vi na vida, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é ali ao lado daquele senhor&lt;/span&gt;”. Como não tenho um pingo de personalidade, limitei-me, cabisbaixo, a acatar a ordem. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O gajo tresandava a Drakkar Noir ou Old Spice. Uma daquelas águas-de-colónia tão intensas que quase que ficamos com o sabor daquela porcaria na boca. É sebento. A criatura deve ter ficado a marinar naquela porra um dia inteiro, e, se eu acendesse um fósforo, ardia ali todo até aos sapatos. Ou mocassins. Ou seja lá o que for que esta gente calça. Devia ser um daqueles – sendo que é a primeira e última vez que vou usar a expressão –, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sapato-téni&lt;/span&gt;”. Aposto que é mesmo assim, que é mesmo esta a expressão que ele usa quando pergunta na loja por este género de calçado. O que também aposto é que aquela água-de-colónia era qualquer coisa nuclear. Uma espécie de chuva ácida engarrafada e com um anúncio de TV. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Este indivíduo começou por ter o braço instalado no apoio que partilhávamos. Tudo bem, alguém tem que começar. Nada a apontar relativamente ao privilégio inicial. Ele até chegou primeiro. Ele até já lá estava. O problema é que, já os cowboys tinham consumado o seu amor rapioqueiro numa tenda tipo iglu, e aquele gajo ainda tinha o braço por ali, como se o cinema fosse o seu castelo e a cadeira o seu trono. Eis que, não sei quando, mas sei que demasiado tarde, talvez quando um dos cowboys já andava a dançar com camisas do outro como se fossem uma pessoa a sério, o indivíduo retira o braço. E tira-o, não porque achou que era a minha vez, não porque estava cansado e a ficar com o membro todo apanhadinho, mas porque foi tirar um lenço para enxugar as lágrimas. Duvido que tenha sido o filme a provocar o lacrimejar – aposto bem mais na sua água-de-colónia que encostava qualquer gás lacrimogénio a um canto –, mas a verdade é que aquele donzel estava mesmo a mijar dos olhos. Naquela altura, isso pouco me importava e até o filme já há muito que se tornara claramente secundário. Limitei-me a sorrir por dentro e a pensar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;já te lixaste, ‘ó lencinho para limpar as lágrimas’, que eu agora, só para chatear, vou ficar com o braço aqui até ao resto do filme. Só para ver se também gostas&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Enxugadas as lágrimas, este refogado de Old Spice e Drakkar Noir volta a pousar o braço no apoio da cadeira. O problema é que o meu braço, como prometido, ainda lá estava. Mais! Ainda eu estava a preparar o meu braço para o uso exclusivo do equipamento, a ambientar-me à textura, temperatura e forma do sítio, e já aquele pastoril tinha feito regressar o seu tentáculo ao local que tinha estipulado como seu e só seu. Ficou, por isso, em cima do meu braço, esse pobre rebelde que mais não queria que acabar com aquele regime monopolista e déspota. No fundo, marcar uma posição. Pensava eu, quando vi que aquele braço encharcado em água-de-colónia, e que segurava um lenço choramingado, a cair sobre o meu, que aquilo iria demorar pouco tempo. Que acabaria num ápice. Pensava eu que o indivíduo iria perceber, de imediato, que já lá estava matéria viva e, acto contínuo, retiraria o seu braço para que todos pudéssemos continuar a apreciar aquele &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tutti Frutti Western&lt;/span&gt; como se nada tivesse acontecido. Mas não foi assim. O braço Old Spice resolveu assentar arrais. Parecia estar para ficar. De vez. É já com todo o meu corpo em acentuada contracção, e com a minha mente a passar por uma agonia bárbara, que aquele braço decide, acompanhado de um “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;oh, desculpe…&lt;/span&gt;” num tom de quem parecia ter acabado de pisar o vestido comprido de outra senhora, parar de oprimir o meu. Como é óbvio, assim que o meu braço ficou livre, retirei-o imediatamente e decidi que, naquela sessão de cinema, não mais iria marcar posições ou procurar transmitir princípios e valores. Nem naquela, nem noutra. Resta-me esperar que toda a gente saiba cumprir o acordo tácito para usufruto do apoio braçal nas salas de cinema. Os meus dias de revolução contra os opressores acabaram no instante em que um braço masculino ficou demasiado tempo em cima do meu para se considerar um mero percalço.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114485379674192812?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114485379674192812/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114485379674192812&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114485379674192812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114485379674192812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/04/incmodos-da-modernidade-iii-no-cinema.html' title='Incómodos da Modernidade (III): No cinema II'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114434490682861419</id><published>2006-04-06T17:11:00.000Z</published><updated>2007-02-17T21:07:27.533Z</updated><title type='text'>Telediscos do Sempre (I)</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Pouca gente sabe disto, mas a prova final que o credo “o que conta é a intenção” não passa de uma léria, aquela que renega por absoluto essa máxima milenar, assume a forma de um teledisco. Recuem-se mais de 20 anos. O Live Aid ia conhecer a sua primeira edição, a qual, esperava-se, iria acabar com a fome na Etiópia e, mais importante que isso, por arrasto, com as anedotas que faziam mofa daquela delgada nação. David Bowie e Mick Jagger decidem participar em evento tão altruísta e, vai daí, resolvem protagonizar um dueto. E logo de uma canção que não era de nenhum deles. Ordenava a carga simbólica que estes dois vultos da música mundial entoassem algo que tivesse brotado de uma mente onde fervilhasse sangue africano. A primeira hipótese, “One Love” de Bob Marley, acabou por ser afastada pelos músicos britânicos, essencialmente porque era pouco alegre para combater a fome e incitava pouco ao movimento de anca, aquilo que, ver-se-ia mais tarde, era o que Jagger e Bowie realmente queriam fazer. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A segunda hipótese, “Dancing in the Street” de Martha and the Vandellas, pegou de estaca e, definido o tema, o projecto passava por ter, &lt;st1:personname productid="em pleno Live Aid" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em pleno Live" st="on"&gt;em pleno Live&lt;/st1:personname&gt; Aid&lt;/st1:personname&gt;, uma demonstração de tecnologia de ponta, que, bem vistas as coisas, é bastante adequado para se ajudar um país que está cheio de moscas, pó e atletas olímpicos das corridas grandes. A ideia passava então por ter Jagger, que estava em Filadélfia, e Bowie, que estava em Londres, a cantar em simultâneo, como aliás deve ser num dueto dos sadios. Só que, por vezes, o universo une-se para impedir uma tragédia. E foi o caso. A conexão por satélite implicava sempre um considerável atraso, facto que inviabilizaria o primeiro dueto intercontinental da história da música. Quer isto dizer que, bem antes daquele meteorito ter livrado o mundo do Bruce Willis naquele filme sobre não sei quê a bater na terra, já a humanidade tinha muito que agradecer a forças cósmicas. Infelizmente, nenhuma força foi suficientemente forte para impedir Mick e David de gravarem o teledisco. Um teledisco que, relembro, até serviria para compensar o facto de não se ter conseguido levar a cabo o tal dueto intercontinental. Um teledisco que, convém não esquecer, pretendia ser, apenas e só, mais uma mão amiga na luta contra a fome na Etiópia. Até isto acontecer, era a intenção que contava. Mas tudo isso iria mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7sXRWezITbc"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7sXRWezITbc" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Asco. Nojo. Repulsa. Azedume. “Que desasseio é aquele que para ali vai?”. São estas as sensações que trespassam mente e corpo de quem se vê perante este sacrifício sob a forma de teledisco filantropo. Comece-se por onde se quiser, este “Dancing in the Street” é uma ode àquilo que mais sensações desagradáveis consegue provocar no ser humano. As danças, por exemplo. Em primeiro plano, Jagger a fazer uns assobios, enquanto gira com a ajuda de um varão, e a ter uns ataques epilépticos aos saltinhos, qual galinha sem cabeça. Bowie, mais pacato, lá mais atrás, com os seus “anda como um egípcio” e “moonwalking”, também aos saltinhos. Por outro lado, a monstruosidade das vestes fazem o Dia do Juízo Final parecer um feriado qualquer que calha à sexta-feira. Mick opta pela combinação explosiva, envergando camisa verde e calças roxas. Tudo numa espécie de velutina, mas naquela forma eternamente encarquilhada, que, sabe-se lá porquê, ainda se viu a cobrir bastantes indivíduos por aí há relativamente pouco tempo. David vai ainda mais longe. Opta pelo fato de leopardo. Numa primeira análise, pode parecer um fato de duas peças, de calça e camisa, tão normal como um fato de leopardo consegue ser. Mas, sinceramente, parece-me ser uma espécie de babygro mais largueirão e com um cinto só para disfarçar. Por cima deste cenário dantesco, e por causa da geada, uma gabardina em branco encardido. Por incrível que pareça, a vestimenta quase que passa que despercebida em determinados momentos. Nomeadamente aqueles &lt;st1:personname productid="em que Bowie" st="on"&gt;em que Bowie&lt;/st1:personname&gt;, no cimo de umas escadas, dança com as mãos no bolsos, como se estivesse aflitinho para ir ao WC. Ou naquele saltinho em câmara lenta, e com a boca aberta, ao encontro do Mick. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;E depois temos uma proximidade bucal que, a bem dizer, passa tão despercebida como uma retroescavadora no consultório de um proctologista. É coisa para assustar, para, ainda que, e graças a Deus, a um nível metafórico, nos imaginarmos como vítimas de empalação. Quando Mick e David aproximam as bocas, é impossível o nosso corpo não se retrair, é impossível não nos engelharmos grotescamente perante tal panorama. Aquilo é de tal forma intimidador que, quando os dois músicos optam por encostar as testas, somos invadidos por uma sensação de alívio semelhante àquela que nos invade a todos quando percebemos que aquele mendigo chato, o que, em busca de uns trocos, interpela e desafia as pessoas, está do outro lado da rua. E, quando um momento em que dois homens encostam as testas de forma ternurenta tem o condão de aliviar seja o que for, é sinal que o que ficou para trás é demasiado aflitivo para haver palavras que o descrevam.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Quem viu o teledisco original da Martha &amp;amp; The Vandellas sabe que não é propriamente complicado parecer mais feminino que as senhoras. Afinal de contas, elas parecem irmãos do Ru Paul, mas, David e Mick, também não era preciso exagerar, caraças. Já agora, para quem não sabia, há rumores de que Jagger e Bowie teriam, em tempos, jogado ao encaixa. Eles sempre negaram. E, para contrariar rumores dessa natureza, nada melhor que um teledisco como este “Dancing in the Street”. Um teledisco que, como se viu, depois de tão específicas danças, roupagens e daquilo das bocas, ainda consegue terminar com um plano dos seus quadris. A moral da história é que este teledisco está para a imaculada heterossexualidade dos dois senhores como o rancho de Neverland está para a de Michael Jackson. E, mais de 20 anos depois, a Etiópia continua com fome, continua a protagonizar anedotas e agora até ganha menos corridas daquelas grandes. Valeu a pena? &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114434490682861419?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114434490682861419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114434490682861419&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114434490682861419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114434490682861419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/04/telediscos-do-sempre-i.html' title='Telediscos do Sempre (I)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114391013873434737</id><published>2006-04-01T16:04:00.000Z</published><updated>2006-04-07T18:09:39.460Z</updated><title type='text'>Deportações e pauladas. Na cabeça.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/nlc009918-v6.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/nlc009918-v6.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Raramente se ouve falar neles, mas a verdade é que o Canadá tem andado na ordem do dia. Antes de mais, porque anda a deportar portugueses aos magotes. Sobretudo açorianos. Ou seja, tudo leva a crer que a administração canadiana andou a ver “Os Acusados”, filme em que a Jodi Foster, empubescida marafona no “Taxi Driver”, é profanada em cima duma mesa de bilhar por um bando de emigrantes das ilhas. “Os Acusados” está então para a comunidade emigrante portuguesa como “A Paixão de Cristo” está para os judeus: toda a gente os quer matar depois de ver estas produções cinematográficas. E o Canadá, que, como toda a civilização, se baseia na máxima “se está num filme, tem que ser verdade!”, pôs-se muito naturalmente a enxotar esse pessoal das violações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A questão mais preocupante, para Portugal, é o facto do Canadá poder, em breve, deportar também a Nelly Furtado e os inúmeros indícios de síndrome de Down que a acompanham para todo o lado. Se tal acontecer, o Canadá demonstrará acima de tudo acentuados sinais de ingratidão para com o país que, convém nunca esquecer isto, acolheu Bryan Adams durante o Verão de 69, época estival em que, narra a canção com o mesmo nome, só não viu nascer mais uma banda em Cascais porque o Jimmy foi-se embora e a Jody casou-se. Mais bandas de Cascais é coisa que todos sentimos falta, mas paciência. Por outro lado, convém também lembrar que o Canadá possui um considerável arsenal de armas de destruição massiva, onde se destacam largamente os discos, as fotos da lua-de-mel e os slides das férias da Céline Dion, e, por isso, é melhor não disputar as suas decisões feito parvinho. Pedir, sim, mas com jeitinho. Como só o Freitas do Amaral sabe fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O Canadá não é só notícia porque começou a fazer aquilo que em Portugal se faz há muitos anos, embora, no nosso caso, não tenha merecido destaque mediático porque é com estrangeiros, gente que não interessa. O Canadá é com portugueses, boa gente, que trabalha e não dá chatices. Ora, aquela frígida nação também é notícia porque não é todos os dias que um país civilizado, e até admirado em muitos aspectos – curiosamente, todos fazem parte da anatomia da Pamela Anderson, da moçoila do “24” e daquela outra que fazia de monstro com o cio no “Species” –, decide que, não só é impreterível aviar milhares de focas bebé, como a melhor maneira de o fazer parece ser mesmo com pauladas na cabeça. E é preciso porque, citando as autoridades canadianas, “há muitas focas”. O critério é, de facto, magnífico e tomara Portugal aplicá-lo aos pombos e, a esta área ainda de forma mais urgente e intensa, às pessoas que cortam as unhas ou qualquer outro material com ADN em transportes públicos. Mas, diz quem sabe, que não é só por haver muitas focas, é também porque as focas, depois de mortas, dão peles fantásticas para os desfiles de moda, gorduras e óleos riquíssimos em omega-3 e, enfim, parece que até as pilas destes mamíferos desempenham um importante papel na indústria oriental dos afrodisíacos. Há algo de absurdamente provocador e cruel nesta dinâmica. Não bastando uma série de pauladas na cabeça, ainda sujeitam os pobres bichos a um massacre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post-mortem&lt;/span&gt;, mandando-lhes as peles para cobrir as curvas de modelos, enquanto que as pilas acabam a enfeitar pratos de asiáticos decrépitos com uma tara que só encontra conforto e aconchego à pala de vídeos de animação sobre as aventuras de colegiais e tentáculos mutantes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O massacre das focas nem é propriamente uma novidade. Há muito que se fala nisso e há muito que inúmeras celebridades se juntam ao habitual coro de protestos. Este ano, fizeram-se ouvir Paul McCartney e Brigitte Bardot. Não são os melhores símbolos de luta. Deviam escolher pessoas que pusessem o resto do mundo do lado das focas e não o contrário. O principal problema do Paul McCartney é só um, mas define tudo: o indivíduo insiste em demonstrar constantemente ao mundo que o Mark David Chapman fez pontaria ao Beattle errado. O problema da Brigitte Bardot é em tudo semelhante: insiste em provar constantemente ao mundo que o Mark David Chapman, mais que abater o Beattle errado, fez pontaria à celebridade errada. Os tempos mudam mesmo. E, se há quarenta anos atrás, imaginar Brigitte nua seria o principal vector explicativo das vertiginosas subidas nas taxas de natalidade, hoje, despir a senhora com os olhos é um instrumento de controlo de natalidade mais eficaz que a vasectomia. Se, sabe-se lá por que raio, não resultar com a Brigitte, experimente despir mentalmente o Paul, enquanto ele vai cantando a “Ebony and Ivory”. Como se trata de um dueto, o Stevie Wonder é opcional, assim como a sua possível nudez.&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114391013873434737?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114391013873434737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114391013873434737&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114391013873434737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114391013873434737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/04/deportaes-e-pauladas-na-cabea.html' title='Deportações e pauladas. Na cabeça.'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114323173601491967</id><published>2006-03-24T20:06:00.000Z</published><updated>2006-06-02T01:02:51.403Z</updated><title type='text'>Batmania</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frederic Wertham foi um psiquiatra, e, como é do conhecimento geral, esses indivíduos, para além de manterem viva e de saúde a indústria dos divãs e de ganharem rios de dinheiro apenas a repetir o quesito “E como é que isso o faz sentir?” a angustiados, são gente para gostar muito de teorias e hipóteses. Nos anos 50, este fulano descobriu uma relação causa/efeito entre a leitura de banda desenhada e a adopção de comportamentos que considerava desviantes e imorais. Por exemplo, uma das suas conclusões mais famosas passava pela certeza que o Batman era uma personagem pejada de referências a uma predilecção sexual que, por assim dizer, dá bastante valor a arco-íris, a póneis e a laços. Em tempos conservadores, a acusação era forte e grave, mas, bem vistas as coisas, um fato de lycra ou látex, conforme a época, e uma proximidade nunca explicada com aquele que, a par do Aquaman, é tão somente o comparsa mais andrógino da história da ficção, são factos da vida de Batman que não mentem. E, como ainda está para vir o estereótipo que se enganou, tome-se então como facto adquirido a possibilidade do Homem Morcego se sentir bem melhor na pele de Homem Borboleta. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/batman.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10px 0pt 0pt; float: left; cursor: pointer;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/batman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas fala-se no Batman por uma razão muito simples. É que, além de se ter vindo paulatinamente a tornar num ícone para os apreciadores de musicais, o alter-ego de Bruce Wayne tem-se, nos últimos tempos, tornado numa figura bastante querida junto dos pais divorciados. Há ano e meio, foi um indivíduo vestido de Batman a subir a um varandim do Palácio de Buckingham e por lá ficar durante um bom bocado a protestar contra o facto de os pais divorciados não terem o direito de ver os filhos tantas vezes como gostariam. Na altura, era suposto um seu companheiro, disfarçado de Robin, vir logo por trás, dinâmica que, com franqueza, não lhes devia ser nada estranha no dia-a-dia, mas, tal como na ficção, também na realidade o Rapaz Morcego é um mariquinhas pé de salsa. Atrasou-se, foi apanhado, e acabou por ser apenas o Batman a subir e a protestar. E as imagens de um homem adulto vestido de herói de banda desenhada a protestar pelos direitos dos pais divorciados correram mundo. Incrível como o Batman conseguiu reunir as simpatias de pólos que, como se pode ver pela foto do protestante londrino, são tão distintos na sua essência: os homossexuais e os pais divorciados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Batman2.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10px 0pt 0pt; float: left; cursor: pointer;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Batman2.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que pouca gente esperava é que essas mesmas imagens servissem de inspiração a alguém que, no nosso país, se via, e ainda vê, diariamente confrontado com o mesmo problema. Pois bem, no último sábado, véspera de “Dia do Pai”, foi organizado um protesto pelos direitos dos pais divorciados e, sobretudo, contra uma proporção em termos de “custódia” que consideram absurda.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E, valha a verdade, se há acção que mostra, inapelável e irremediavelmente, que uma qualquer situação é absurda ou ridícula, essa coisa é exactamente vestir-se de Batman. Junto de um homem feito vestido de Batman, qualquer lei e decisão judicial é absurda. Quanto a isso não há, e nunca houve, discussão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi o que fez Paulo Quintela, fundador e presidente da associação que organizou o protesto, e que, à falta de palácio de Buckingham para trepar, achou que subir o morro descampado que está em frente à delegação da Ordem dos advogados em Lisboa seria acção dotada da mesma carga simbólica. Considera-se um super-pai, tal como considera todos os pais divorciados que lutam por mais tempo de qualidade com os seus descendentes directos. Achando-se um Super-pai, seria de esperar que se disfarçasse de Luís Esparteiro, mas o fato de Batman era mais em conta, tinha melhores abdominais e, afinal, até já havia aquele caso em Inglaterra que tanto deu que falar. Mais especificamente, queixava-se Quintela que uma juíza decidiu que ele, por enquanto, não podia ver o filho, tendo, e cito o queixoso, dito “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentilmente que eu estava maluquinho e que não respeitava as necessidades diárias da criança&lt;/span&gt;”. Mais uma vez, para se provar que não se está maluquinho, a melhor coisa é vestir um fato de Batman e, neste caso, subir a um monte descampado empunhando um lençol com umas palavras de ordem pintadas. É bem mais eficaz que pedir um atestado ao médico de família, que é uma chatice e ainda é coisa para dar trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na reportagem que vi, Quintela disse ainda que o seu caso era “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como o da Joana, mas o meu filho não morreu&lt;/span&gt;”. Realmente, é quase a mesma coisa, é. Seguindo essa lógica comparativa onde impera a racionalidade, também podia ter dito que o seu caso era "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como o do Holocausto, mas não morreram seis milhões de judeus&lt;/span&gt;". Se queria fazer um paralelismo, fizesse um com o caso do Ray Charles, que, pobre coitado, também penou uma vida inteira para ver os filhos e nunca conseguiu.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114323173601491967?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114323173601491967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114323173601491967&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114323173601491967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114323173601491967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/03/batmania.html' title='Batmania'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114257126645025709</id><published>2006-03-17T04:26:00.000Z</published><updated>2006-04-07T18:12:54.523Z</updated><title type='text'>Duas Histórias de Violência</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/David.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/David.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Yanni.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Yanni.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David Hasselhoff e Yanni. Nos tempos mais recentes, estes dois grandes vultos da cultura popular – OS grandes vultos, dirão mesmo alguns especialistas – foram notícia por terem sido confrontados, judicialmente e tudo, com acusações de violência doméstica sobre as respectivas companheiras. Bem, eu podia, qual jornalista armado aos cucos do lugar-comum, dizer antes que “foram notícia pelos piores motivos”, mas isso seria mentira, até porque todos sabemos que o pior que estas duas criaturas fizeram não foi bater em mulheres. Foi bater no mundo. Na humanidade. Na civilização. Nos valores que tudo sustentam. Foi agredir tudo e todos com as suas constantes aparições em tronco nu e os seus “Ao Vivo na Acrópole”, por exemplo e respectivamente. Com as suas camisolas vermelhas de gola alta ou as suas toilettes de camisa de cetim e calças de cabedal, ainda por exemplo, e ainda respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando à novidade propriamente dita, parece que David, a atravessar um penoso processo de divórcio, e Yanni, acometido pela fúria relacionada com o facto de os bigodes, em termos de popularidade das pilosidades faciais, ainda serem o parente pobre e não se aproximarem da aceitação social das barbas, das suíças e das, também elas abomináveis, pêras, resolveram, quase sincronizados, espetar uns morteiros na esposa Pamela Bach e na namorada Silvia Barthes, mais uma vez respectivamente, mas, agora, não por exemplo. Para além disso, David ainda vive com o seu problema de alcoolismo, o qual, infelizmente para todos nós, não é um problema em aparecer seminu na TV. Pessoalmente, de bom grado deixaria de comer carne vermelha só para, no início dos anos 90, o problema de alcoolismo do David ter sido trocado por boa dose de fotofobia ou de agorafobia. Ou ébola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existirão, portanto, algumas atenuantes, mas o que fica é que David e Yanni, já cinquentões, representaram o cúmulo da ingratidão, porque, afinal de contas, aplicaram umas galhetas em duas mulheres que, por incrível que pareça, até terão aceitado dormir com eles. Se bem que a maior parte das vezes deve ter sido mais numa onde de “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Está bem, xiça! Mas pára de cantar o dueto que fizeste com a Laura Branigan, caramba!&lt;/span&gt;”. Ou, no caso do Yanni, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Está bem, mas prometes que paras de enumerar coisas em que ganharias ao Vangelis e ao Demis Roussos!&lt;/span&gt;” Mas nem tudo é mau. Nem tudo é feio. Eles também já conseguiram coisas boas. Já fizeram coisas bonitas, como diria o Artur Jorge se ainda alguém o entrevistasse para alguma coisa. Por exemplo, em 1995, em mais um caso de “vida imita a ficção”, David Hasselhoff salvou uma criança que se estava a afogar. Claro que, depois da reanimação, cantou a canção das Marés Vivas com bastante sentimento, o que acabou por quase não compensar o regresso à vida por parte do catraio. Conseguiu ainda, a cantarolar, a admiração incondicional da Alemanha, país que, como se sabe, é dotado de um discernimento, bom senso e, há que dizê-lo, extremo bom gosto, sendo que, em qualquer discussão sobre esse tema, nomes como Hitler ou Modern Talking não nos deixam mentir. E, enquanto produtor das Marés Vivas, teve a simpatia de meter a Pamela Anderson a correr em câmara lenta debaixo de um fato de banho molhado. Vamos esquecer que também se pôs a si próprio, e a outros homens, a correr pelas praias, e, nesse sentido, embora não bata o Tommy Lee, merece o sincero agradecimento da humanidade por ter conseguido gravar a Pamela a fazer coisas tão estimulantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Yanni, a verdade é que pouco há a seu favor. Para além de ter provado universalmente que um consultor de imagem é mesmo um recurso humano necessário quando se está inserido no mundo artístico, pode-se, com muito boa vontade, destacar o facto do seu nome, que é grego, significar “João com cabelo dourado”. Isto é, quanto muito, Yanni consegue-nos provar que a língua grega é mais um daqueles idiomas em que uma mísera palavra pode significar coisas como “ontem fui à pesca com o meu tio da França e ele aconselhou-me antes as madeixas de prata” e que dão um jeitão no dia-a-dia. Além, claro, de ter servido de modelo preventivo para todos aqueles que, em determinado momento da suas vidas, pensaram que um bigode era aquilo que lhes faltava.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Seja como for, serão sempre argumentos menores &lt;st1:personname productid="em tribunal. O" st="on"&gt;em tribunal. O&lt;/st1:personname&gt; grande trunfo da defesa baseia-se na insanidade das acusadoras. Não se pode levar a sério o depoimento de duas mulheres que aceitaram partilhar leito e intimidades com Yanni e Hasselhoff. Em casos de violência doméstica, duas mulheres que já provaram ser capazes de cometer actos que ultrapassam a demência total, não devem conseguir grande coisa. E, afinal, perguntará sempre a humanidade, chorosa, a Pamela Bach e Silvia Barthes, o que são umas lamparinas ocasionais, para impor o necessário respeito e adoração temente, comparado com aquilo que o mundo tem suportado dos vossos consortes? &lt;/p&gt;   &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114257126645025709?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114257126645025709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114257126645025709&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114257126645025709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114257126645025709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/03/duas-histrias-de-violncia.html' title='Duas Histórias de Violência'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114196529305267513</id><published>2006-03-10T04:23:00.000Z</published><updated>2006-05-18T21:28:39.066Z</updated><title type='text'>Incómodos da Modernidade (III): No cinema I</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É bastante comum, durante uma sessão de cinema, ficar postado ao lado, ou nas imediações, de indivíduos ou entidades que, por razões bem específicas, acabam por desviar a nossa atenção daquilo que se passa no grande ecrã. E, infelizmente, não o fazem da mesma forma que, por exemplo, uma rapariga naturalmente dotada para protagonizar um filme do Russ Meyer, a fazer jogging de t-shirt, debaixo de chuva, e sem amparo de qualquer espécie, nos devia a atenção da condução de um veículo. Nesse caso, estamos perante uma situação de desvio de atenção numa orientação positiva. Na direcção de algo que queremos percepcionar com algum dos nossos sentidos, colocando o que quer que seja que estávamos a fazer antes num patamar muito marginal. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas os tais indivíduos nunca desviam a nossa atenção num sentido positivo, mesmo quando o filme em exibição tem, enfim, um índice fecal de tal ordem que, espalhando-se os rolos da película num terreno, e juntando-se-lhe alguma palha e outras ramagens secas, temos garantido um solo duma fertilidade que é uma coisa parva. Bem, mas nunca é num sentido positivo porque o que essa pessoa faz numa sala de cinema não é agradável a nenhum dos sentidos humanos, sendo, quanto muito, indiferente a alguns deles. Mas extremamente irritante ou distractivo para pelo menos um outro. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/nariz1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 5pt 10px 0pt 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/nariz1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ora, um desses indivíduos é aquela pessoa que, corriqueiramente, se apelida de “assobiador nasal”. O “assobiador nasal” é um indivíduo que, por alguma razão, ao fazer circular o ar pelas fossas do seu fungão, expele um som agudo, bastante semelhante a um assobio. Um chichorrobio, vá. Às tantas, até é mais parecido com um silvo. Ou será antes com um zunido? É complicado definir com precisão tão enigmática sensação auditiva. A verdade é que, também conhecidos, nalguns meios, como “panelas de pressão”, estas pessoas, as que produzem o som, são mais comuns do que à partida se poderia pensar. A questão é que, no seu dia-a-dia, conseguem quase sempre passar despercebidas, mas um espaço silencioso acaba quase sempre por ser sinónimo de queda da máscara de qualquer assobiador nasal, revelando-o perante um mundo sem pachorra para assobios de uma regularidade dilacerante e ritmo rigorosamente compassado. É possível que estas pessoas nem se apercebam que o fazem. Mas isso pouco importa. As pessoas que dizem “sófá” também não devem fazer de propósito e não é por isso que temos que, ou vamos, gostar delas. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Por experiência própria, conheço duas formas de o assobiador nasal conseguir fazer alguém perder um filme, ou simplesmente impedir a pessoa de o acompanhar como seria expectável e desejável pela própria. A primeira forma é o simples facto de um som daqueles ser profundamente irritante. Como uma torneira a pingar, uma melga ou uma música do Kenny G. A segunda está relacionada com o facto de, dependendo de uma série de factores, o processamento que o cérebro do indivíduo receptor faz do som levar o mesmo a entrar num estado de hipnose, um em que o seu único objectivo imediato é descobrir que raio de música é aquela. Por outras palavras, funciona, então, como uma espécie de canto da sereia, dando a sensação que é, de facto, um ritmo nada estranho e, desse modo, criando a angustiante sensação de “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;já ouvi isto em algum lado e não descanso enquanto não souber o que é&lt;/span&gt;”. Em vez de fazer aquilo para que foi ao cinema, vai passar duas horas profundamente obcecado com aquele som e com a perspectiva do mesmo representar uma qualquer sonância musical que lhe é familiar. Como é óbvio, é uma perda de tempo, porque o som não é nenhuma melodia reconhecível, mas sim uma criatura que assobia pelo nariz. Além do mais, evitá-los é complicadíssimo. A maior parte das vezes, só darão conta que estão perto dum quando já começou o filme e aquele som nasal vos chega ao ouvido, interferindo com o vosso entendimento da narrativa cinematográfica &lt;st1:personname productid="em causa. E" st="on"&gt;em causa. E&lt;/st1:personname&gt;, bem, nesse preciso momento, o filme acabou de vos perder. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114196529305267513?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114196529305267513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114196529305267513&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114196529305267513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114196529305267513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/03/incmodos-da-modernidade-iii-no-cinema.html' title='Incómodos da Modernidade (III): No cinema I'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114170840220255604</id><published>2006-03-07T04:38:00.000Z</published><updated>2006-03-07T06:27:43.683Z</updated><title type='text'>Óscares</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/2607-02.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/2607-02.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor filme:&lt;/span&gt; Crash. A grande - maior que o vestido da Queen Latifah - surpresa da noite foi mesmo o Crash. Nunca, em toda a história da humanidade, se pôs a hipótese de um filme com o Tony Danza ganhar o Óscar mais importante da academia. Dizem as más-línguas que os cowboys do Brokeback não se poderiam levantar para ir ao palco, e, vai daí, a academia decidiu passar o Óscar para o seu segundo favorito.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="" lang="EN-GB"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor música:&lt;/span&gt; “It’s hard out here for a pimp”. Uma música mais que sofrível mas que prova que o medo de ser assaltado no beberete pós-festa pelo grupo que a cantava pode mesmo influenciar muitas cabeças. Outro dos artistas nomeados, Dolly Parton, também optou pela táctica do medo, mas, apesar da actuação fantasmagórica, acabou mesmo por perder. Todos percebemos que o que a Dolly sempre poupou em implantes mamários, lá foi gastando em plásticas que, basicamente, a tornaram em algo que se assemelha a um boneco de ventríloquo. Mas com umas mamas descomunais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor Guarda-Roupa:&lt;/span&gt; Ganhou o “Memórias de uma gueixa”. Mas isso pouco importa. Este Óscar é gay. Este e o da maquilhagem. Ganhar um destes Óscares é como receber um prémio por ter os pompons mais giros lá da tropa. Ninguém quer isto para nada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor actriz e melhor actriz secundária:&lt;/span&gt; Não foi um ano particularmente famoso, mas três. Sem fazer grandes fretes, dormiria com três nomeadas para actriz principal e três nomeadas para actriz secundária. Acho que nunca me tinha acontecido um empate.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor actor:&lt;/span&gt; Já há uns tempos que não ganhava um gordo e, este ano, o Seymour Hoffman acabou mesmo por sair vencedor. Este facto foi particularmente lixado para os cowboys do Brokeback Mountain. Afinal, para ganhar um Óscar, não é preciso andar a acariciar homens, quando, ainda por cima, se tinham mil hipóteses de escape sexual a pastar ali mesmo à mão. Para ganhar o Óscar, bastava simplesmente falar fininho. É viver e aprender, rapazes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Melhor argumento original: &lt;/span&gt;Foi pena não ter ganho o Match Point. Esfumaram-se as hipóteses de vermos a Scarlett Johansson em toda a sua jovial volúpia. Para quem não a viu nos Globos d’Ouro, ficam apenas a saber que a moça deu um novo sentido ao título desses, também eles prestigiados, prémios. Dois Globos d’Ouro já ninguém lhe tira. Quer dizer, só tiver um acidente ou assim.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Outras considerações: &lt;/span&gt;Chego da latrina e Lauren Bacall apresentava não sei o quê. Incrível como, cada vez mais, a senhora não precisará de qualquer tipo de maquilhagem num novo remake do Planeta dos Macacos. O vestido da Charlize Theron tinha um atavio qualquer no ombro que quase nos conseguia desviar o olhar do seu módico, mas extremamente simpático, peito. Quase. Ainda assim, o ornamento era francamente distractivo. Graças a Deus que, pouco depois, chegou a Salma Hayek para nos voltarmos a focar no que realmente interessa nesta vida. O Jack Nicholson continua a viver na primeira fila do Kodak Center e a cabeça do John Travolta está quase maior que o buraco onde está a sua carreira. Já agora, deviam ter tirado os Óscares àqueles gajos que levaram uns pinguins de peluche para o palco. Devem pensar que, como ganharam, já não vão parecer ridículos com aquilo no beberete e no táxi para casa. Podem-se juntar àquele casal salada de frutas que até tinham uns lacinhos para os seus Óscares. A mulher do Ang Lee, se tivesse um smoking, podia ter ido receber o óscar por ele e ninguém perceberia. A transmissão da TVI foi, como de costume, o melhor da noite. Sempre que não estavam a falar, os dois rapazes encarregues dos comentários estavam a mexer em papéis de uma forma hiperactiva. E nem se ouvia nem nada. E aquele sussurrar do nome do George Clooney no pequeno silêncio que medeia a expressão “and the Oscar goes to…” e o momento em que se anuncia o vencedor? Nunca tinha ouvido alguém sussurrar o nome do George Clooney. Nem sei o que pense acerca disso. Referência final para o “In Memoriam”, a homenagem a todo o pessoal dos filmes que já não está entre nós. Morreu o Mr. Miyagi do “Karate Kid”. Bem, então, à partida, estamos safos de mais uma sequela daquilo. Mas é melhor não festejar já. Que nisto do cinema nunca se sabe. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114170840220255604?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114170840220255604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114170840220255604&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114170840220255604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114170840220255604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/03/scares.html' title='Óscares'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114127302614068784</id><published>2006-03-02T04:03:00.001Z</published><updated>2006-03-10T04:38:48.316Z</updated><title type='text'>Incómodos da Modernidade (II): As velhotas missionárias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Velhota.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/Velhota.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter sido um parolo que empinava papagaios em noites de intensa trovoada, Benjamin Franklin era também um visionário. Disse o senhor, aqui há coisa de uma carrada d’anos, que só existiam duas certezas na vida; sendo elas o termo da existência e o pagar impostos até que este suceda. É verdade que o Benjamin também chegou a constatar que estava no auge da senilidade e a dizer desconchavos como “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;quem tem cabeça de cera não se deve passear ao sol&lt;/span&gt;”, mas o bitaite sobre as certezas na vida tem qualquer coisa de factual. Ter-se-á esquecido de uma outra certeza, tão ou mais autêntica que as referidas: o ser abordado por um velha que nos quer dar um panfleto com rezas e imagens de santos. São as velhas do “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem, posso-lhe oferecer uma coisa?&lt;/span&gt;” e representam igrejas menores no panorama religioso, quase sempre com nomes cinematográficos como “O Caminho de Jesus” ou contendo subtis ameaças como “O que Deus quer mesmo” e “Ai de ti que não prestes culto assim que depois Jesus conta-tas”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mais dia, menos dia, isto calha a todos. E o problema destes panfletos é o facto de ninguém ter coragem de os mandar fora. Porque pode “fazer mal”. “Dar azar”. Porque, sempre que alguém o fez, sempre que alguém reencaminha aquele papel no seu curso natural de convivência com outros detritos da mais variada espécie e feitio, a vida começa-lhe a correr mal. Ou melhor, sempre que alguma coisa corre mal, a pessoa lembra-se do papel religioso que atirou fora com o desprezo e sobranceria que caracterizam o homem bajulador da ciência. Subconscientemente, a pessoa sabe sempre que maltratou um recado de forças que o ultrapassam em larga escala e, perante o mais pequeno infortúnio, lembra-se disse mesmo e pragueja, num tom pré-choro que se aproxima perigosamente do estridente, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fosca-se, para que é que eu mandei aquilo fora, porra?&lt;/span&gt;”. Acaba por ser essencialmente uma questão psicológica. Mas nem por isso menos chata. &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Uma vez na posse do papel, não há volta a dar. Há que manter aquilo eternamente ou passá-lo, ao papel e a todo o drama que o acompanha, a outra pessoa. Sendo assim, o truque ideal seria livrar-se logo das velhas, impedindo-se que o papel consiga fazer o seu trabalho sujo. O problema é que é complicado livrar-se dessas velhas. Ao longo dos anos, desenvolvi a capacidade de as identificar a largas centenas de metros, o que, por incrível que pareça, só serviu para ver aumentado o tempo de sofrimento. É angustiante saber que vamos ser abordados com um “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jovem, posso-lhe oferecer uma coisa?&lt;/span&gt;” e não ser capaz de o evitar. Durante uns tempos, o meu truque foi adoptar o tradicional ar e andar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;porra, pá, ‘tou cá c'uma pressa!&lt;/span&gt;”. Isto é, apressar o passo e, bufando constantemente, olhar para o relógio. É assim que se vê que as pessoas estão com pressa. Mas, para o efeito, está táctica não prima pela eficácia. O caraça das carcaças, não sei bem como, conseguem encurralar as presas com um apuro absurdo. Parecem leopardos à caça de antílopes. Embora seja tudo muito devagar – tão lento que sou capaz de jurar que se ouve o “Chariots of Fire” do Vangelis de fundo –, é complicadíssimo evitar uma destas velhotas sem ouvir a angustiante questão. &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;É verdade que, em princípio, bastaria dizer “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não, obrigado!&lt;/span&gt;” à velhota e abalar. Mas não é assim tão simples. Estamos a falar de velhotas simpáticas e apessoadas, parecidas com a septuagenária do “Crime, disse ela…”, e não de senhoras que cheiram a coelhos mortos e para quem a padeira de Aljubarrota perderia facilmente o título de Miss Tísica. A essas é fácil dar uma cotovelada ou um rotativo e fugir dali para fora sem remorso algum. Agora, responder negativamente a uma velhota que, em termos de jovialidade e afabilidade, encosta a avó da Neoblanc a um canto, e que, atenção!, fala sempre num tom “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;estou às portas da morte e este é o meu último pedido&lt;/span&gt;”, é uma coisa completamente diferente. Dizer "não" é difícil, mas aceitar a porra do papel é entrar numa aflição considerável. Então, o que raio fazer? A minha opinião é que, não se conseguindo fugir à portadora do papel, o ideal mesmo é imaginar que ela nos pede outra coisa qualquer. Por exemplo, imaginar que ela nos pede autorização para explorar a nossa uretra com a sua fiel agulha de tricotar. Nesse caso, sim, é fácil espetar com um rotundo “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não&lt;/span&gt;” na idosa, embora a automática justificação “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que isso é coisa para infectar&lt;/span&gt;” as possa deixar confusas. E é mesmo isso que se quer. Depois, é só aproveitar o assarapantamento momentâneo da missionária, esquivar-se e correr que nem um louco, de preferência imaginando que a terra engole o chão mesmo atrás de nós. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114127302614068784?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114127302614068784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114127302614068784&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114127302614068784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114127302614068784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/03/incmodos-da-modernidade-ii-as-velhotas.html' title='Incómodos da Modernidade (II): As velhotas missionárias'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-114070656881871430</id><published>2006-02-23T14:46:00.000Z</published><updated>2006-04-29T00:52:15.246Z</updated><title type='text'>Músicas do Sempre (II)</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;1992. Ano em que o pai do Bush d’agora vomitou para cima do primeiro-ministro do Japão. Ano em que Bill Clinton, ao ser eleito, deu início a uma jornada que culminaria na adjunção de um novo sentido à expressão “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ter uma conferência na sala oval.&lt;/span&gt;” Ano em que, findo o boicote cultural, Paul Simon é o primeiro artista a actuar na África do Sul, levando milhões de nativos daquele país a perguntar “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hã? Mas era isto que andávamos a perder?&lt;/span&gt;”. Ano em que a Sinead O’Connor, e já que o penteado anti-piolhada e a música choramingas não pareciam ser suficientes para atingir o estrelato, rasga uma foto do Papa em directo num programa de variedades. Ano em que, sem que eu percebesse quem eram os maus e os bons, começou a cowboyada nos Balcãs.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/esc92a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/esc92a.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, essencialmente, ano de “Amor de Água Fresca”, na voz, viola e, porque não lembrá-la, camisa de flanela de Dina. Esta cantiga representa um marco na história de Portugal. Representa o final do Festival da Canção enquanto fenómeno relevante no panorama português. Enquanto fenómeno aglutinador de massas, de patriotismo e de sentimento de comunidade. É manifesta a existência de um “Festival da Canção antes d'Amor de Água Fresca” e um “Festival da Canção pós Amor de Água Fresca”. Depois de “Amor de Água Fresca”, o entusiasmo à volta dos festivais da canção foi decaindo exponencialmente, com nomes como Tó Cruz, Célia Lawson, Alma Lusa e o inenarrável, e sempre demasiado contente para alguém que diz ser um homem, Rui Bandeira, a mostrarem-se incapazes de gerar interesse e de meter a nação a trautear refrães míticos. Enfim, artistas que não estavam preparados para viver com a sempre latente sombra do “Amor de Água Fresca”, o incontestado auge em termos de cantigas que o Festival da Canção deu a conhecer ao país. &lt;/div&gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Além de, embora inadvertidamente, a cantiga de Dina ter arrasado com o fenómeno Festival da Canção, a dita mostrou-se ainda capaz de, finalmente, esclarecer uma posição referente a um pódio muito específico. À pala do “Amor de Água Fresca”, Dina é, actualmente, não só em termos musicais, como ao nível de todo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;showbizz&lt;/span&gt;, a fufa mais célebre do nosso país. O seu “Amor de Água Fresca” é uma ode ao amor lésbico, ao esfreganço e à lambição. Basicamente, naquele seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hit&lt;/span&gt;, Dina enumera uma série de frutas e faz disso uma canção. A questão central aqui é que, de entre tanta fruta, não tenho havido espaço para uma banana. Fruto fálico por excelência, a banana foi, clara e propositadamente, arredada do “Amor de Água Fresca”. Dina fez questão de mostrar que não gosta de bananas. Até abrunhos, romãs e abacates, a senhora foi buscar. Até fruta estrangeira, como a pêra francesa. Mas nada de bananas, que é bem mais nacional e comum nas cestas das portuguesas. A mensagem não podia ser mais clara e, a partir de 1992, quando se falava em lamber carpetes ou bater pratos, Dina passou a ser a referência. A indiscutível número 1. A mais famosa portuguesa a odiar bananas e a adorar abrunhos, o primo feio das ameixas. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Destronou Lara Li do trono da fufice. A senhora que, com "Telepatia", uma balada dedicada à amada distante, com quem, palavras dela, partilhava um “segredo”, reinou durante anos a fio. Se bem se lembram, “Telepatia” tinha uma parte falada, em que uma voz bastante grave, debitava uns lugares-comuns da lamechice romântica. A voz era, pouca gente sabe disto, a voz normal de Lara Li. “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A voz&lt;/span&gt;”, como ela lhe chamava, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de ir à oficina&lt;/span&gt;”, falar sobre calços de travões, de jogos de juntas e de buchas de suspensão. Lara Li tinha outra canção que ficou famosa. Uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;UHFada&lt;/span&gt;, de seu nome “O Rapaz do Cubo Mágico”, composição pejada de metáforas relativas a determinado estilo de vida que tanto lhe dizia. Aliás, basta, para encarar logo a canção com outros olhos, trocar, no próprio título, “rapaz” por “rapariga”. E “cubo” por “clítoris”. Seja como for, duas cantigas para marcar posição, “Telepatia” e “Rapaz do Cubo Mágico”, demonstraram-se insuficientes perante o furacão que foi, e é, o “Amor de Água Fresca” de Dina. A verdade é que Lara Li acabou mesmo por perder a tal liderança e o Festival da Canção é agora um programa pautado pela melancolia e obscurantismo mediático. Em ambos os casos, de vez, digo eu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Outras músicas&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/05/msicas-do-sempre-i.html"&gt;Wind of change&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-114070656881871430?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/114070656881871430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=114070656881871430&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114070656881871430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/114070656881871430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/msicas-do-sempre-ii.html' title='Músicas do Sempre (II)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-113995835520264904</id><published>2006-02-15T22:51:00.000Z</published><updated>2006-02-15T04:04:08.363Z</updated><title type='text'>Posturas de Urinol</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/rmutt.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/rmutt.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Ao contrário do que se possa pensar, usar um urinol não é uma opção pacífica na mente masculina sã. Há uma série de opções a tomar que, inequivocamente, ajudam muito na definição daquilo que somos e valemos no mundo. Não vou aqui discutir a escolha do urinol em si, e debater a mais que sabida regra do “manter o máximo de zona intermédia possível” que todos conhecem, ou deviam conhecer, de cor e salteado. Vou antes supor que, chegando-se a uma casa de banho pública, por vezes é impossível escolher um urinol sem ladear outro indivíduo. Sim, todos sabemos que existem os mais variados truques para conseguir um urinol livre de companheiro do lado, mas vamos supor que não existe mesmo alternativa e temos que escolher algum que implica ficar com um vizinho de circunstância. A meu ver, o critério da escolha deve recair, única e exclusivamente, na postura que cada indivíduo adoptou para expelir pela uretra em frente ao mictório público. Existem quatro grandes posturas, cada uma com características bastante próprias, que serão levemente descritas nas próximas linhas. Como é óbvio, pretende-se também aqui mostrar a todos aqueles que ainda não definiram a sua “postura de urinol”, as vantagens e desvantagens de cada uma, e, por outro lado, levar aqueles adeptos de posturas menos dignas a meditar sobre uma possível mudança para algo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;u&gt;“A Carapaça”&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Carapa%3F%3Fa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Carapa%3F%3Fa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fechar-se sobre si mesmo, o indivíduo revela insegurança e pouca confiança pessoal, bem como no funcionamento do seu corpo. É a pessoa que, embora já tenha repetido aquele acto milhares de vezes, ainda tem que ter a certeza que corre tudo como de costume. Sim, não vá, do nada, expelir, em vez de urina, um qualquer órgão vital ou algum dos inúmeros legos que engoliu durante na infância. Em termos funcionais, o corcovar, adoptando uma forma semelhante a uma carapaça, aproxima perigosamente do fluxo, e sem qualquer necessidade, outras partes do corpo. Finalmente, e embora, em princípio, o adepto da carapaça se concentre única e exclusivamente na sua anatomia, o “olhar para baixo”, psicótico e inseguro, é extremamente incomodativo para quem teve o azar de ficar ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;u&gt;“A Mão Livre”&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/pose%203.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/pose%203.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais ou menos popular. Tem diversas variantes, sendo a mais famosa a “mão livre na anca”, seguida de perto pela “mão livre numa posição de pistoleiro” (como se estivesse pronta a tirar a arma do coldre). Mais longínqua, em termos de partidários, surge a cambiante “mão livre na parede” ou “mão livre no pescoço” (esta, normalmente acompanhada de um inclinar da cabeça para a retaguarda, observando-se o tecto e meditando-se no que quer que seja que lhe alimenta as neuroses). Refira-se que a posição da cabeça, salvo raras excepções (como a mesmo agora referida “mão livre no pescoço”), costuma ser a adequada, no entanto, o controlo com a apenas uma mão pode ser danoso, não só para o utilizador directo, como também para os indivíduos dos flancos. O utente à ilharga não tem a segurança, em termos de salpicos alheios, que um “controlo bímano” proporciona e garante. Sobretudo se o entusiasta da “mão livre” usar a referida para uma tarefa que em nada se coaduna com o ambiente em redor, como ler o jornal ou falar ao telemóvel. Estas pessoas não estão totalmente concentradas no acto que o urinol acolhe por sistema e, assim, o risco de tragédias ao nível dos salpicanços, chapinhanços ou simples pingos é bastante mais elevado. Para além de que, sinceramente, não há quem queria receber uma chamada de alguém que tem uma das mãos num sítio tão específico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;u&gt;“Kit Mãos Livres”&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/Sem%20m%3F%3Fos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/Sem%20m%3F%3Fos.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não sendo, de todo, incomum, é impossível não encarar esta postura como sendo de uma extrema singularidade. É aquele sujeito que adopta uma postura demasiado descontraída no urinol, postando-se de braços livres, numa prepotente pose de “sou tão sofisticado que controlo isto sem qualquer recurso às mãos”. Não é nada seguro fiar-se nesta assunção. É uma postura extremamente instável em termos de garantias que a totalidade do fluxo segue o único caminho concebível, que é, como todos sabemos, o do ralo. Nesse quadrante, os especialistas indicam que será até mais perigosa que muitas das variantes d'A Mão Livre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mãos costumam ficar nas ancas. O olhar deambula pela casa de banho inteira – sendo geralmente acompanhado por um assobio, suspiros ou um trautear de uma qualquer canção em tom monocórdico – ou, Jesus senhor!, fixa-se na “zona de acção”, sendo, nesse caso, acompanhado por uma expressão facial de orgulho, como quando um pai está a ver um filho conseguir andar primorosamente de bicicleta pela primeira vez sem rodinhas. Em suma, é uma postura, funcionalmente, bastante perigosa e, verdade seja dita, não é de bom-tom parecer demasiado descontraído e feliz à frente de um urinol. Com efeito, é um espaço a ser usado com elevado índice de profissionalismo e não para encarar com imprudência ou desfaçatez. Às vezes, e isto é absolutamente verídico, os seguidores desta postura até metem conversa com quem está ali ao lado, pessoas que estão a tentar ser sérias e competentes na sua tarefa. Angustiante. &lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;u&gt;“Homo Erectus”&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;   &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/main1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/320/main1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É, valha-nos isso, a pose mais comum. E por uma série de razões. Tal como quando num elevador, esta é postura que permite um respeito total, ou perto disso, do espaço individual de cada usuário do sítio em questão. Permite, na medida do possível, tornar a acção mictória num acto asséptico e até, num sentido “estou a mijar, mas se estivesse a ouvir o hino, a postura era muito parecida com esta”, portador de alguma honra e pose de Estado. Para aquelas situações em que alguém se vê ladeado por um, ou mesmo dois indivíduos, adoptando-se o olhar, rígido e imperturbável, em frente, garante-se uma segurança inestimável a toda a população dos urinóis circundantes. Simultaneamente, a sua visão periférica permite um controlo quase perfeito do olhar dos seus “companheiros” de ocasião, evitando, ou melhor, antecipando, todo e qualquer condenável “olhar comparativo/apreciativo” por parte de outro usuário e, se for caso disso, agir em conformidade. Quer dizer, se for com anões, gigantes ou “de repente”, dificilmente será eficaz, mas não existem posturas de urinol perfeitas contra esse género de situação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, controlando-se com as duas mãos (normalmente, uma fica encarregue do órgão que, no caso, adopta a função de expelente de urina, enquanto a outra, embora também possa ajudar nessa primeira tarefa, trata das calças e roupa interior, dispondo-as e acomodando-as de forma a que o acto corra da melhor forma possível) evitam-se salpicos e permite um direccionamento mais infalível do fluxo, em caso de pressão demasiado forte ou, por outro lado, em caso de pressão pouco entusiasta. Refira-se, no entanto, e de modo a evitar qualquer mal-entendido, que a foto ilustrativa não é a melhor. A pose “Homo Erectus” é, a meu ver, a mais conseguida, porém, em nada me revejo na opção tronco nu, chapéu e óculos de sol (seja em conjunto ou individualmente) no usufruto do urinol ou qualquer espaço de alívio público. Aliás, estar de tronco nu numa casa de banho pública deve ser das coisas mais doentes que já vi numa foto. E eu tenho Internet.&lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-113995835520264904?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/113995835520264904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=113995835520264904&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/113995835520264904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/113995835520264904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/posturas-de-urinol.html' title='Posturas de Urinol'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-113958788012785644</id><published>2006-02-10T15:54:00.000Z</published><updated>2006-04-29T00:44:29.526Z</updated><title type='text'>Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (V)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/1600/julie161.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1573/370/400/julie161.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Vamos lá ver. Por muito chocante que seja ver uma camisa daquelas numa jovem adolescente, esse facto dilui-se completamente perante tudo o que esta capa de disco difunde na imaginação de todos nós. E nem é preciso ter grande imaginação. Nem é preciso, remotamente sequer, aproximar-se da imaginação daqueles gajos que dizem que as tunas académicas são entidades respeitosas, culturalmente relevantes e dignas em termos humanos. Parta de quem partir a análise da simbologia desta capa, a sua conclusão estruturar-se-á, inevitavelmente, numa única dimensão semântica: a do tétrico mundo do abuso sexual de menores que fazem anos.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Bem, para, na capa em questão, identificar um vastíssimo campo de referências a uma preferência sexual moralmente e, em muitos países, até judicialmente condenável, também não é preciso ser um tarado de primeira água. Vocês sabem quem são. Aqueles que, por exemplo, como eu e tantos outros, não conseguem olhar para um daqueles sinais a avisar que vêm aí lombas sem imaginar umas mamas. E que, maravilhados com tal imagem mental, acabam por passar à bruta por cima das lombas, escavacando a suspensão e recebendo olhares de desaprovação ou palavras de ordem ofensivas por parte dos transeuntes. Coisas como “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu assassino, ainda pisa alguma criança!&lt;/span&gt;”. Sobretudo de velhas. Mas não só.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;John Bult é o senhor da capa. Tem ar de ser daquelas pessoas que, em pleno restaurante ou no aconchego de seu lar, se regozija com a deglutição da réstia de alimento que, após um hábil e persistente manuseamento à volta da dentição, conseguiu reunir na ponta dum palito. Atentando-se no dedo enfeitado com a respectiva aliança, facilmente se constata que John é moço comprometido. Também pode ser daqueles divorciados que não consegue tirar a aliança porque agora é gordo e quando casou era magro. Ou então ser daqueles gajos que acha que ter uma aliança aumenta bastante as hipóteses de engatar mulherio. Seja como for, e partindo do pressuposto que a simbologia desta capa é simples e directa, vamos assumir que John é apenas um quasi-quarentão casado. Ora bem, se a presença da aliança não será de todo inocente, também não o é com certeza o facto de John ser um sósia perfeito do ladrão estúpido do Sozinho &lt;st1:personname productid="em Casa. Temos" st="on"&gt;em Casa. Temos&lt;/st1:personname&gt;, então, um homem casado que, muito provavelmente, é bastante rústico e limitado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Esse homem, John, está a conversar com uma rapariga, a Julie. A Julie faz 16 anos e está melancólica. Taciturna mesmo. Sorumbática até. Enfim, e arrumando a questão, um tanto ou quanto macambúzia. Aquele olhar em direcção ao copo meio de cerveja só tem uma interpretação: Julie sabe que só o álcool a pode salvar. Só num avançado estado ébrio, Julie vai conseguir ultrapassar aquilo que se avizinha sem ficar psiquicamente marcada para sempre. E o que é que está iminente para Julie? Basta um olhar para a expressão facial de John e para a estratégica disposição de uma das suas manápulas sobre a cândida mão da jovem aniversariante. John está declaradamente numa postura “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vá lá… eu amo-te mesmo a sério!&lt;/span&gt;” perante Julie. &lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E o melhor mesmo é ficar por aqui. &lt;/span&gt;Já assim, sem imaginar que John consegue mesmo convencer Julie a aceitar a sua ilícita e sobretudo macabra oferta, esta capa destrona facilmente um copo de água morna com uma colherada de sal dissolvido como principal indutor de vómito a nível mundial. Fica uma última questão para aquelas pessoas que amuam quando não gostam das prendas que lhes oferecem: sabendo que Julie faz 16 anos e estando à vista, salvo seja, de todos aquilo com que John a quer presentear, quem é que, daqui para a frente, vai torcer o nariz quando lhes oferecerem meias ou um pisa-papéis? Olhem para as meias e para o pisa-papéis, pensem no que ofereceram à Julie num dos seus aniversários, e dêem graças a Deus por terem a sorte que têm.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;u&gt;Outras capas&lt;/u&gt;:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/08/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Heino&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/09/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Richard &amp; Willie&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/09/capas-que-dificilmente-sero-piores-que_22.html"&gt;Freddie Cage&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://olhequenao.blogspot.com/2005/11/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html"&gt;Joyce&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6653557-113958788012785644?l=olhequenao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olhequenao.blogspot.com/feeds/113958788012785644/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6653557&amp;postID=113958788012785644&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/113958788012785644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6653557/posts/default/113958788012785644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olhequenao.blogspot.com/2006/02/capas-que-dificilmente-sero-piores-que.html' title='Capas que dificilmente serão piores que a música, mas é possível (V)'/><author><name>J. Salinas</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_2X0HlQmlFs8/TJjVEcUYvGI/AAAAAAAAAIY/21ihxTDKRM4/s1600-R/SPORTING.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6653557.post-113949279054750093</id><published>2006-02-09T13:14:00.000Z</published><updated>2006-02-10T04:10:19.500Z</updated><title ty
